Comício PCE-PCP
No âmbito das relações bilaterais entre o Partido Comunista Português e o Partido Comunista de Espanha, uma delegação do PCP, dirigida por Jerónimo de Sousa, deslocou-se, dia 8 de Maio, a Sevilha, onde realizou um encontro de trabalho com uma delegação do PCE, dirigida por José Luís Centella, secretário-geral daquele partido.
Na reunião, as delegações tiveram a oportunidade de trocar informações sobre a situação nos respectivos países, sobre as eleições para o Parlamento Europeu – tendo sido valorizado o «Apelo comum para as eleições para o Parlamento Europeu», iniciativa que o PCE, o AKEL e o PCP impulsionaram e que já foi subscrito por cerca de 20 partidos –, bem como sobre o reforço do trabalho do Grupo Confederal Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica (GUE/NGL), que ambos os partidos integram.
Tendo em conta os desenvolvimentos na situação internacional, no encontro foi ainda sublinhada a necessidade e a vontade comum de contribuir para o reforço da luta anti-imperialista e pela paz. Na ocasião, abordou-se igualmente o processo dos Encontros Internacionais de Partidos Comunistas e Operários, cujo 16.ª edição ocorrerá no Equador, em Novembro de 2016.
Ao fim da tarde, Jerónimo de Sousa e José Luis Centella participaram num comício em Casariche, município situado na Andaluzia que tem uma forte influência comunista, expressa de forma social e eleitoral.
A luta é o caminho
Intervindo na iniciativa, o Secretário-geral do PCP reiterou «a vontade comum de aprofundar a cooperação entre os dois partidos e de reforçar a solidariedade internacionalista entre os trabalhadores e povos dos nossos países».
«Consideramos que a Europa de cooperação entre estados soberanos e iguais em direitos, de progresso e de paz, a Europa dos trabalhadores e dos povos, terá de ser construída por via da luta, tendo o marco nacional como seu campo fundamental», referiu Jerónimo de Sousa, que considerou «de grande importância que, acompanhando o desenvolvimento da luta em cada país, se reforce a cooperação e a solidariedade internacionalista contra a exploração, a opressão e a guerra imperialistas.»
Destacando e valorizando o Apelo Comum, o Secretário-geral do PCP notou que nele se afirma a «profunda convicção de que este rumo imposto aos trabalhadores e aos povos não é inevitável» e que, «como o demonstra a realidade noutros continentes, são possíveis “processos de cooperação e de integração de natureza progressista, que respeitem os direitos e as aspirações dos povos”». Apelo dirigido aos «trabalhadores, à juventude, às mulheres, e em geral aos povos dos estados membros da UE para que nas eleições para o Parlamento Europeu dêem expressão eleitoral às intensas lutas que estão a travar, condenando aqueles que são responsáveis pelas nefastas políticas anti-sociais e antidemocráticas da UE e apoiando aqueles que, como os signatários deste Apelo, estão ao seu lado na luta, dão voz no PE às suas aspirações, reivindicações e protestos e protagonizam uma real alternativa para a Europa», recordou.
«Como conjuntamente afirmamos, “outro rumo para a Europa é possível! Por via da luta e da solidariedade que une todos os que, em cada país e em conjunto na Europa, trabalham, agem e lutam pela transformação progressista e revolucionária da sociedade e pela alternativa ao capitalismo”», insistiu Jerónimo de Sousa, antes de reafirmar a profunda solidariedade do PCP «para com a luta do PCE, dos comunistas e dos trabalhadores espanhóis que têm desenvolvido grandes acções em prol da defesa dos direitos, das necessidades e aspirações dos trabalhadores e dos povos de Espanha e do seu inalienável direito a tomar nas suas mãos um projecto de desenvolvimento e de emancipação e progresso social».
Desejando «os melhores sucessos ao PCE e à Esquerda Unida nas próximas eleições para o PE», o Secretário-geral do Partido concluiu afirmando que, «tal como a história do povo português em tão importantes momentos demonstrou, o maior contributo que o PCP, os trabalhadores e o povo português podem dar para a conquista de uma outra Europa de cooperação, de progresso e de paz, é a concretização de uma democracia avançada que retome os valores de Abril no futuro de Portugal, no caminho da conquista e construção do nosso projecto e ideal: uma sociedade mais justa, a sociedade socialista, liberta da exploração do homem pelo homem – o ideal comunista que nos anima e pelo qual gerações de comunistas lutaram e continuam a lutar».