Mais «tachos» na Saúde

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses fez as contas aos balanços sociais das instituições do Serviço Nacional de Saúde, quanto a entradas e saídas de profissionais, e concluiu que «fica ainda mais claro» que a política do Ministério e do Governo visa «descredibilizar o SNS, através da admissão de profissionais e arranjar os necessários “tachos” para os “boys”».
De 2008 para 2012, o número de dirigentes passou de 105 para 778. Ora, lembra o SEP/CGTP-IN, na nota que divulgou esta segunda-feira, a diminuição dos cargos dirigentes foi uma das medidas que ficaram inscritas no memorando da troika, em 2011, e foi uma justificação para a fusão de vários hospitais e agrupamentos de centros de saúde.
O sindicato destaca, por outro lado, «a brutal diminuição» registada nas profissões de suporte à prestação de cuidados: menos 1654 assistentes técnicos e menos 661 assistentes operacionais.
Numa situação de prolongada carência de enfermeiros, houve naquele período um saldo positivo de apenas 137 profissionais.
As carências das instituições e os gravosos ritmos de trabalho na Enfermagem agravaram-se substancialmente no ano de 2013. Como o SEP já tinha denunciado, os dados oficiais do Ministério indicaram que, no final deste ano, havia no SNS menos 986 enfermeiros do que em 31 de Dezembro de 2012.
Numa recente iniciativa pública, a 20 de Fevereiro, à entrada do Hospital de Santa Maria, o SEP alertou para as consequências da falta de enfermeiros nos blocos operatórios desta unidade, afirmando que houve utentes a aguardar sete dias, em jejum, por uma cirurgia urgente. O sindicato revelou ainda, no folheto que ali distribuiu, que há horários com 40 horas semanais a mais, a obrigação de fazer turnos extraordinários é sistemática, não podem gozar feriados (estão em dívida mais de 550 feriados trabalhados)...
 

Horas penosas

Desde 2013, no Centro Hospitalar Lisboa Ocidental, os enfermeiros em contrato individual de trabalho (CIT) recebem pelo serviço prestado em horas penosas (feriados e fins-de-semana) o mesmo valor que os profissionais com contrato de trabalho em funções públicas. Mas, de 2008 a 2012, foram pagos por um valor inferior.
Depois de entregar cerca de 400 cartas individuais, de enfermeiros discriminados que exigem o pagamento das horas penosas trabalhadas e não pagas naqueles anos, o SEP promoveu uma concentração, no Hospital São Francisco Xavier, no dia 20.

 



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