Fortalecer a luta, reforçar a CDU

Pedro Guerreiro (Membro do Secretariado)

Como já foi correctamente apontado, as recentes e inaceitáveis declarações de Cavaco Silva não deixam de ter o mérito de contribuir para uma maior clarificação quanto aos reais objectivos prosseguidos pelos mentores e executantes da política de direita, isto é, os grandes grupos económicos e financeiros (sejam nacionais ou estrangeiros) e os partidos que realizam a sua política.

A realidade do País demonstra como é justo o caminho apontado pelo PCP

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Apesar de, na sua essência, não acrescentarem qualquer novidade, merece ser denunciado que Cavaco Silva alega a existência de «exigentes regras» e «condicionalidades» ao nível da União Europeia que diz condicionarem e, mesmo, pré-determinarem a política prosseguida em Portugal, quando afinal é um dos primeiros e principais responsáveis pela inaceitável imposição destas regras e condicionantes ao povo português, nomeadamente ao ter promulgado a ratificação do Tratado Orçamental aprovada pelo PS, PSD e CDS na Assembleia da República, em 2012 – recorde-se, um dos primeiros países a concluir tal processo –, assim como a alteração à Lei de Enquadramento Orçamental que transpôs as imposições deste Tratado para a legislação portuguesa.

Isto é, Cavaco Silva, PS, PSD e CDS são responsáveis pela imposição ao povo português de uma intolerável e contínua ingerência e tutela externas – eufemisticamente designadas de «supervisão» e «monitorização» da União Europeia – que visa, pelas suas próprias palavras, obrigar Portugal à perpetuação de uma só política, a política de direita. Daí os seus redobrados apelos a que seja publicamente assumido e reafirmado o compromisso já existente, há cerca de 37 anos, entre o PS, o PSD e o CDS quanto à continuidade da política de direita, mas desta vez num novo e mais gravoso patamar – que alguns ambicionam como definitivo – da ofensiva que tem vindo a colocar em causa direitos e conquistas essenciais alcançadas pelos trabalhadores e o povo português com a Revolução de Abril.

Fica assim desmontada a manobra de procurar condicionar e limitar o País à ilusória e falsa dicotomia entre o dito «programa cautelar» ou a dita «saída limpa», pois uma e outra inscrevem-se e têm como objectivo salvaguardar a continuidade da política de direita e do pacto de agressão – subscrito por PS, PSD, CDS, UE, FMI e apoiado por Cavaco Silva – que lhe dá suporte, tornando permanentes e institucionalizando os mecanismos de ingerência externa e de usurpação da soberania do povo português, para proveito dos grandes grupos económicos e financeiros.

Uma luta justa

O que eles pretendem é prosseguir com a intensificação da exploração de quem trabalha, com o saque dos recursos nacionais, nomeadamente através do Orçamento do Estado (com as privatizações, as parcerias público-privadas, as benesses fiscais, da dívida pública, o autêntico assalto a avultados recursos financeiros públicos), retirando e condicionando o exercício e o acesso a direitos básicos e fundamentais, empobrecendo os trabalhadores e o povo e promovendo a crescente dependência e subalternização do País face à União Europeia. O que eles pretendem é que os trabalhadores e o povo português desanimem e se resignem perante a continuação do actual rumo de declínio nacional. O que eles mais temem é que os trabalhadores e o povo português ganhem consciência de que não estão condenados a um presente e um futuro de dificuldades e sem perspectivas de uma vida digna em que os seus direitos, necessidades e anseios sejam cumpridos, assegurados e realizados.

A injusta e inaceitável realidade em que se tornou a vida da esmagadora maioria do povo português demonstra como são justos a nossa luta e ideal. A dramática realidade do País – e os inqualificáveis propósitos agora enunciados por Cavaco Silva – demonstram como é correcto e necessário o caminho que apontamos e que temos que trilhar: derrotar o Governo PSD/CDS, exigir a realização de eleições legislativas antecipadas, derrotar a política de direita, para assegurar a devolução dos salários e direitos roubados e abrir caminho à construção de uma política alternativa, patriótica e de esquerda.

São grandes as exigências e os desafios com que nos confrontamos, mas sabemos que o nosso único caminho é o do reforço do Partido e da intensificação e ampliação da luta pela alternativa política, para a qual temos que ganhar ainda mais trabalhadores, populações e amplos sectores atingidos pela política monopolista. É neste quadro que assume particular importância o reforço eleitoral da CDU nas eleições para o Parlamento Europeu. Como temos afirmado, o reforço da CDU nestas eleições terá um importante significado, contribuindo para reforçar a confiança e ampliar a esperança e a tomada de consciência de que é possível e necessária uma alternativa política, patriótica e de esquerda, e de que há forças para a realizar.

 



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