Chávez

Luís Carapinha

Assiste-se ao desenrolar de uma autêntica guerra económica

É inteiramente apropriado lembrar o legado de Hugo Chávez quando se cumpre um ano da sua morte. Nas palavras dos comunistas venezuelanos, o líder da revolução bolivariana na Venezuela foi um «factor determinante no desenvolvimento da ampla unidade patriótica anti-imperialista»; desempenhou um «papel destacado no estabelecimento de um novo contexto internacional mais favorável (…), contribuindo para o impulso de mudanças progressistas na correlação de forças no plano mundial»; e foi um «aliado chave que contribuiu para a reivindicação em todo o mundo das bandeiras da luta pelo socialismo» (CC do PCV, 6 de Março de 2013). Chávez «eternizar-se-á no imaginário colectivo da nossa Pátria como exemplo de firmeza, entrega, valentia e grandeza revolucionária» (Bureau Político do PCV, 5 de Março de 2013).

Militar de carreira, Chávez teve o grande mérito de conseguir abrir as paredes do movimento rebelde e subversivo nos quartéis venezuelanos, de que foi um dos organizadores desde os anos 80, ao leque alargado de reivindicações populares, entrosando-o com a acção das forças populares, progressistas e revolucionárias em direcção a um poderoso movimento social e libertador. Traço que marca o percurso acidentado das últimas duas décadas da política venezuelana e define a presente etapa do processo bolivariano e o seu carácter libertador e anti-imperialista. Trata-se, na essência, de um complexo processo de acumulação de forças patrióticas e revolucionárias que – não isento de dificuldades e contradições internas – não se detém hoje, tendo como pedras basilares a «aliança cívico-militar» e a frente ampla de forças políticas e sociais aglutinadas no Grande Pólo Patriótico, em que estão o PSUV – de que Chávez é fundador – e o PCV.

O desaparecimento prematuro de Chávez constituiu um rude golpe e desafio para o processo revolucionário. Dentro e fora de portas, o inimigo tomou-o como a oportunidade para proceder ao ajuste de contas final com um processo que coloca em causa a hegemonia absoluta do sistema dominante na América Latina e representa um intolerável exemplo conta-corrente para o mundo. Nas últimas semanas e meses assiste-se ao desenrolar de uma autêntica guerra económica contra a revolução bolivariana e a própria soberania da Venezuela. Multiplicam-se os intentos e ameaças de grupos minoritários de cariz fascistoide orquestrados por Washington para empurrar o país sul-americano para a violência generalizada. Tudo isto temperado por uma massiva operação de intoxicação e desinformação dos media mundiais.

Não estranha que assim seja. A grande burguesia e o imperialismo tentam a todo o custo propagar a desestabilização e impedir o aprofundamento de cruciais transformações económicas propugnadas pelo executivo do presidente Maduro, que passam por vultuosos investimentos virados para o desenvolvimento da produção agrícola e a industrialização. O seu objectivo é liquidar a revolução bolivariana.

Apesar das dificuldades e enfrentando o quadro de adversidades, os princípios orientadores do pensamento e prática de Chávez e do movimento bolivariano, ao longo do caminho que o conduziu ao poder e nos 14 anos de liderança da revolução bolivariana, não só se mantêm bem vivos na memória colectiva popular, como estão indissocialvelmente ligados às tarefas e batalhas actuais em torno da defesa e necessário aprofundamento das conquistas do processo. Mantendo os princípios e unidade das forças bolivarianas e o apoio e determinação das massas trabalhadoras, continuando a forjar as forças materiais das grandes transformações a que se propõe, a revolução bolivariana estará em condições de ultrapassar as dificuldades e derrotar a reacção.

«Chávez multiplicou-se por milhões», não é um mero slogan, mas uma realidade efectiva neste combate, cujos reflexos, ao nível de consciência das massas e no plano orgânico, caberá continuar a canalizar.




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