Mudança de rumo
Com um governo do PCP, tudo o que foi roubado aos trabalhadores e ao povo é para ser devolvido – palavras de Jerónimo de Sousa no comício que, no sábado, encheu a Sociedade de Instrução e Recreio Barreirense «Os Penicheiros».
A «devolução ao povo do que é do povo tem de ser um compromisso de honra de um governo com uma verdadeira solução alternativa à política de direita», sublinhou, no Barreiro, o Secretário-geral do PCP, alertando para o facto de «todos os dias» estarmos a ser confrontados com grandes oratórias «sobre as virtudes desta política que dizem estar a fazer milagres», replicadas pelos «comentadores de serviço e ao serviço dos grandes beneficiários desta política de desastre nacional».
O que não dizem é que as soluções apresentadas implicam novas medidas de exploração, regressão social, novos cortes nos direitos sociais, nas reformas e nos salários, iguais às que temos vindo a assistir com as políticas e medidas do pacto de agressão.
«Omitem e escondem que não há a libertação de que tanto falam com o Tratado Orçamental que subscreveram, com os pactos para o Euro e outros instrumentos que impõem a redução do défice e da dívida a “mata-cavalos”», denunciou Jerónimo de Sousa, frisando que o País precisa de «uma política alternativa, patriótica e de esquerda» e de «um governo» que «promovam a defesa e o aumento da produção nacional, a recuperação para o Estado do sector financeiro e de outras empresas e sectores estratégicos», assim como a «valorização efectiva dos salários e pensões e uma melhor e mais justa distribuição da riqueza criada».
O Secretário-geral do PCP defendeu, de igual forma, uma «opção por uma política orçamental de combate ao despesismo e à despesa sumptuária, baseada numa componente fiscal de aumento da tributação dos dividendos e lucros do grande capital e de alívio dos trabalhadores, dos reformados, pensionistas e das micro, pequenas e médias empresas», uma «política de defesa e recuperação dos serviços públicos, em particular no que concerne às funções sociais do Estado» e a «assunção de uma política soberana e a afirmação do primado dos interesses nacionais».
«O País não pode adiar por mais tempo uma mudança de rumo, uma verdadeira mudança alternativa e não as falsas e perversas soluções dos partidos do rotativismo nacional. Desses partidos com políticas siamesas. Os partidos do bipartidarismo de bengala que nos governam há quase 40 anos», acusou Jerónimo de Sousa.
Campanha de esclarecimento
No comício que decorreu sob o lema «Derrotar o Governo. Recuperar salários e direitos roubados», Jerónimo de Sousa falou ainda das eleições para o Parlamento Europeu. «Vamos para uma batalha eleitoral que terá de se traduzir numa importante campanha de esclarecimento a partir da situação do País e dos problemas nacionais», precisou o Secretário-geral do PCP, frisando que «o reforço da CDU nas eleições do próximo dia 25 de Maio constitui, juntamente com a luta dos trabalhadores e do povo, um factor essencial para conduzir à demissão do Governo e para contribuir para a derrota do política de direita». «O apoio à CDU e o seu reforço são seguramente uma afirmação dos valores de Abril neste ano em que se comemora os seus 40 anos», acrescentou.
83 anos do Avante!
No dia em que o Jornal Avante! fazia 83 anos, Jerónimo de Sousa fez uma saudação especial, subscrita por todos os presentes, ao Órgão Central do PCP, que, «nos tempos difíceis, usou a escrita como arma de combate», que, depois da Revolução de Abril, foi «arma de construção» e que hoje «continua a mostrar o que as televisões escondem e o que os jornais não escrevem». «É por isso que nós o saudamos, para que continue a sua acção, a sua intervenção, para reforçar este Partido, para estar sempre do lado dos trabalhadores e do povo português», salientou.
João Ferreira apela ao voto na CDU
Acabar com a política de submissão
Depois das intervenções de Paulo Costa, da Direcção Nacional da JCP, e de Carlos Bucho, do Comité Central do PCP, o comício do Barreiro contou ainda com as palavras de João Ferreira, cabeça de lista da CDU às eleições para o Parlamento Europeu, que alertou para as consequências directas e imediatas do pacto de agressão assinado por PS, PSD e CDS com a União Europeia, Banco Central Europeu e o FMI.
«Em rigor, o afundamento e o empobrecimento do País não podem ser separados também de um processo anterior; de um caminho com mais de três décadas, um caminho de continuidade de uma mesma política, protagonizada por PS, PSD e CDS – uma política que foi e é um esteio fundamental da opção de submissão do País aos ditames e orientações da União Europeia (UE); a opção de abdicação nacional, de sério comprometimento da soberania e independência nacionais», afirmou o candidato, lembrando que, «quando outros louvavam as falsas virtudes da integração capitalista europeia», o PCP denunciou «os riscos que a mesma comportava para o País» e avisou «para os impactos que teria numa economia frágil e relativamente menos desenvolvida como a nossa».
«O rumo que a UE vem trilhando não é de hoje, nem dos últimos cinco anos. Ele vem de há muito e decorre das características matriciais, da natureza de classe de um projecto que se confirmou ser intrinsecamente injusto e desigual», acusou, alertando para novas e sérias ameaças que pairam no horizonte.
«Nestes últimos anos, PSD, CDS e PS – lá fora, no Parlamento Europeu e no Conselho, integrados nas suas famílias políticas, e cá dentro, na Assembleia da República – aprovaram um conjunto de instrumentos da maior gravidade», denunciou, referindo-se ao Pacto para o Euro Mais, ao Semestre Europeu e à Governação Económica, que visam «eternizar as políticas inerentes aos programas de intervenção do FMI e da UE e impedir qualquer projecto de desenvolvimento próprio, autónomo e soberano».