Erros sem perdão do Governo
O Parlamento apreciou no dia 11 uma petição na qual os signatários solicitam a não integração da Fundação para a Computação Científica Nacional (FCCN) na Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). Travar esse processo, quando julgava ser isso ainda possível antes de consumada a extinção da FCCN (entretanto verificada), foi o que o PCP tentou fazer há uns tempos ao apresentar um projecto de resolução que a maioria PSD/CDS-PP acabaria por chumbar.
No debate agora realizado o deputado comunista Miguel Tiago realçou a necessidade de reverter a decisão do Governo, que criticou duramente, tendo em conta a excelência do serviço da FCCN à computação e à investigação científica, com provas dadas ao longo dos seus 25 anos de existência no domínio do desenvolvimento tecnológico das comunicações electrónicas e dos sistemas de informação.
Em sua opinião, tratou-se de uma «espécie de apropriação» pelo FCT de uma estrutura e gestão que pertencia à comunidade científica, quer por via dos laboratórios do Estado quer por via do Conselho de Reitores». E deste modo, ao arredar a comunidade universitária, advertiu, estará o Governo a criar «as condições para a externalização e a privatização destes serviços».
Recorde-se que a extinção da FCCN e sua integração na FCT foi considerada pelo Conselho de Reitores uma decisão «precipitada, desajustada e potencialmente lesiva do normal funcionamento de uma infra-estrutura fundamental da comunidade científica e universitária».