Em memória das vítimas de Lampedusa
Mereceu a aprovação unânime da Câmara, dia 11, o voto de pesar apresentado pela presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, sobre as vítimas dos desembarques em Lampedusa (Itália). «Lampedusa, com os seus naufrágios da má sorte e da desdita, magoa a justiça e a civilização. Diz-nos do muito que há para fazer, diz-nos para dizer basta», referiu Assunção Esteves, antes do minuto de silêncio cumprido pelos deputados em memória das vidas perdidas no Mediterrâneo.
Se o texto mereceu consenso já o debate que se seguiu mostrou diferenças de fundo sobretudo entre o PCP e o CDS-PP.
Enquanto o deputado comunista António Filipe afirmou em nome da sua bancada não querer que o voto «pudesse ser entendido como mais uma voz do coro da hipocrisia europeia» em matéria de política de imigração, Telmo Correia, pelo CDS-PP, recusava qualquer culpabilização da Europa, dizendo ter esta «o modelo mais equilibrado de justiça social».
E depois de afirmar não se poder estranhar «as manifestações de repúdio» em Lampedusa (na recente recepção ao presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso), face à posição dos países da União Europeia relativamente ao problema da imigração e dos refugiados, o parlamentar do PCP lembrou serem aqueles países os responsáveis por «situações de instabilidade» que se vivem noutras latitudes, designadamente a Sul do continente europeu, levando a que muitos cidadãos procurem encontrar noutras paragens as condições de vida que não têm nos seus países.