Demissão do Governo é passo essencial
A luta pela demissão do Governo e por uma alternativa patriótica e de esquerda foram temas em destaque no comício de sábado em São João da Madeira.
A preparação da greve geral é a tarefa prioritária dos comunistas
Horas depois de ter inaugurado, em Lisboa, a Avenida Álvaro Cunhal (ver páginas centrais), Jerónimo de Sousa esteve no salão dos Bombeiros Voluntários de São João da Madeira a participar num comício do PCP, inserido na campanha «Por uma política alternativa, patriótica e de esquerda». Como não podia deixar de ser nestes tempos em que vivemos, o Secretário-geral do PCP apelou à intensificação e alargamento da luta dos trabalhadores e do povo pela demissão do Governo, passo essencial para a rejeição do pacto de agressão e a derrota da política de direita que há tempo demais empurra o País para o abismo da recessão, do desemprego e da submissão.
Jerónimo de Sousa, saudando a decisão da CGTP-IN de marcar para 27 de Junho uma greve geral, que considerou a resposta necessária para pôr fim à política de desastre nacional, apelou aos trabalhadores do concelho de São João da Madeira e do distrito de Aveiro para contribuírem, com a sua adesão, para pôr um ponto final neste Governo. O dirigente comunista denunciou ainda a campanha em curso contra a greve dos professores, salientando que é o Governo de Nuno Crato, Passos Coelho e Paulo Portas o responsável pela paralisação, ao acentuar a níveis inéditos a ofensiva contra a escola pública, os professores e os próprios estudantes.
É preciso mudar
Antes do Secretário-geral, já Francisco Gonçalves, do Executivo da Direcção da Organização Regional de Aveiro do PCP, tinha destacado a importância da greve geral do próximo dia 27, cuja preparação e realização deve constituir a tarefa prioritária dos comunistas nas próximas semanas. Para este dirigente regional do Partido, é mesmo uma «tarefa de todos os dias», quer mobilizando, quer participando nos piquetes e nas quatro concentrações marcadas para esse dia no distrito. A luta de massas «é um dos meios para a construção da alternativa que se impõe e neste momento particular para o empurrão que falta para derrubar este Governo desacreditado», acrescentou.
Francisco Gonçalves recordou as propostas que o PCP apresentou em 2010, no quadro do Plano de Emergência para o Distrito de Aveiro, que a terem sido aplicadas teriam impedido que a situação económica e social se tivesse degradado ao ponto em que hoje se encontram. São medidas que hoje continuam a ser necessárias, garantiu. As eleições autárquicas e o reforço do Partido são outras das prioridades apontadas pelo membro da direcção regional.
A primeira intervenção esteve a cargo de um militante da JCP, que denunciou os cortes na educação, que no concreto se transformam em «insuficiências materiais e humanas nas escolas», o que deu azo, na região, a protestos em várias delas. Também no Ensino Superior, os problemas se avolumam, afirmou o jovem comunista, revelando que mil estudantes já abandonaram a Universidade de Aveiro por falta de condições económicas.