Vasco Gonçalves vive
Dezenas de pessoas participaram, na manhã de terça-feira, na romagem à campa do General Vasco Gonçalves, do cemitério do Alto de São João em Lisboa, por ocasião do oitavo aniversário do seu desaparecimento. A iniciativa foi promovida pela Associação Conquistas da Revolução.
Junto ao local da evocação, o presidente da associação, Manuel Bacelar Begonha, realçou que a vida de um homem «vale pelo seu sonho e pela sua obra». Com Vasco Gonçalves, prosseguiu, «vivemos a única época da nossa história moderna em que as pessoas acreditaram que seria possível mudar a vida pelas suas próprias mãos» e dele retemos o seu mais importante legado: as conquistas sociais e políticas que foram conseguidas durante a Revolução.
Se com o Companheiro Vasco Portugal encetou uma «política patriótica e de defesa da dignidade do homem», afirmou Manuel Begonha, hoje o Governo tenta «impor um clima de medo e de incerteza para mais facilmente impor a violência das suas medidas, prioritariamente sobre os mais desprotegidos»; se com Vasco Gonçalves o governo era uma «promessa de um País decente, fraterno e progressivo», o presente é um «factor de instabilidade, especializado em tornar medidas provisórias em permanentes, insistindo em forçar a aprovação de decisões anti-constitucionais».
Realçando a clareza e transparência da política económica e financeira dos quatro governos dirigidos por Vasco Gonçalves, o presidente da Associação Conquistas da Revolução enalteceu ainda a sua sobriedade e discrição, que acumulava com a sua capacidade para enfrentar com franqueza e frontalidade situações adversas. No final da sua intervenção, Manuel Begonha citou o próprio general do povo, que considerava gratificante o facto de ter despertado sentimentos contraditórios, pois tal significava que «a política de que procurei ser obreiro estava no caminho certo da libertação das classes mais desfavorecidas da nossa sociedade, dos pobres, dos humildes, dos explorados e dos que não têm voz».