Jerónimo de Sousa no debate
da moção de censura

«Esgotou-se o tempo deste Governo»

(...)

É inquestionável que a situação do País assume uma dimensão cada vez mais grave e mais dramática com o processo de destruição do País que está em curso e com o generalizado e crescente empobrecimento dos portugueses.

Uma situação cuja evolução e consequências estavam inscritas no ADN das medidas e políticas adoptadas no pacto de agressão assinado por PS, PSD e CDS e na política deste governo.

Nós previmos e prevenimos.

Alertámos precisamente a 5 de Abril de 2011 para as consequências de tal espúrio compromisso.

Depois de tantos e tantos sacrifícios, de tão pesado fardo imposto aos portugueses com a tragédia do desemprego, com o corte e confisco dos salários, subsídios, reformas e pensões, com o aumento dos preços dos bens essenciais e dos impostos e de tanta miséria espalhada de Norte a Sul com a drástica redução das prestações sociais, o País sabe que nenhuma das principais metas e objectivos relativos à evolução da economia, do emprego, do défice e da dívida foram e serão atingidos.

Enganou-se o Governo? As coisas correram mal como alguns dizem?

Não é essa a verdade! O Governo quis enganar os portugueses quando anunciou que o ano de 2013 ia ser o fim do caminho das pedras!

Agora já não é para 2013, 2014, 2015 é, parece como diz o ministro das finanças, para uma geração.

E quanto ao que correu mal sem dúvida que correu para a maioria dos portugueses, mas correu bem para o capital financeiro e para os grandes grupos económicos.

Esgotou-se a propaganda! Esgotou-se o tempo deste governo!

Afundar o País

O reconhecimento pelo Governo de que teremos até ao final do presente ano mais do dobro da recessão prevista no Orçamento de Estado para 2013 é a comprovação que o caminho de ruína e destruição continuam!

É o prosseguimento do estiolamento dos nossos sectores produtivos e da ruína de milhares de micro, pequenos e médios empresários.

A admissão de que a taxa de desemprego chegará praticamente aos 19% no final deste ano.

Uma evolução que significa em sentido restrito 1 045 000 portugueses no desemprego e, em sentido lato, mais de um milhão e quinhentos mil e que é também bem a prova de que com este Governo e esta política não há futuro.

A recente constatação pelo INE que o défice orçamental de 2012 é de 6,4%, quando a previsão inscrita no Orçamento era de 4,5% e a Dívida Pública de 123,6% em vez dos 110,5% esperados, confirma aquilo que o PCP há muito vem afirmando: que as políticas de austeridade de concentração de riqueza não só não resolvem os problemas do défice e da dívida, como afundam e destroem o País.

Uma destruição que está também bem patente na queda do investimento total que a confirmarem-se as previsões do Banco de Portugal, atingirá a excessiva percentagem de 28,3%.

O mesmo em relação à procura interna, cuja quebra rondará os 14,1% e que se traduzirá no continuo afundamento do mercado interno, atirando ainda mais empresas para a falência e agravando o desemprego.

Novo rumo

O País não pode continuar a viver com a perspectiva que o ano que se segue será sempre pior que anterior.

È necessário poupar o País e os portugueses a mais sofrimento sem sentido.

É necessário e urgente encontrar um novo caminho para o País!

Um novo caminho e novas soluções que não se compadecem com a manutenção de um pacto de agressão que pela sua natureza espoliadora do País e do povo não é reformável, nem tão pouco com retoques no actual governo e na sua política, mas sim com a sua demissão e a dar a palavra ao povo que tanto tem lutado e recusado as inevitabilidades.

O País precisa de uma outra política que ponha fim à espiral de austeridade, à recessão e ao declínio económico, à injustiça, à exploração, ao empobrecimento e ao rumo de afundamento nacional.

Para o Partido Comunista Português nada está perdido para todo o sempre!

Há alternativa à actual situação.

É possível resgatar o País da dependência, recuperar para o País o que é do País, devolver aos trabalhadores ao povo os seus direitos, salários e rendimentos que estão a ser usurpados e assegurar aos trabalhadores e ao povo uma vida digna num Portugal com futuro.

Sim é possível construir uma política patriótica e de esquerda e um governo capaz de a concretizar!

Eis as razões que nos levam a votar a favor da Moção de Censura no que ela tem de deliberação!

(Subtítulos da responsabilidade da redacção)



Mais artigos de: Assembleia da República

Exigência de demissão e eleições

Um Governo que está «no fim da linha» e, pior, que «deixa o País no fim da linha», assim resumiu o PCP o estado a que chegou a governação.

Siga o caminho de Relvas

O Secretário-geral do PCP desafiou o chefe do Governo a seguir o caminho de demissão do seu Adjunto e ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, e à boleia levar «o Governo consigo».

Não há democracia sem Cultura

A censura financeira está a asfixiar a criação artística, alerta o PCP, que acusa o Governo de querer apenas uma «cultura de entretenimento e diversão, jamais uma cultura resistente, libertadora e independente».

Gaspar chantageia o País

Com «indignação e repulsa», assim reagiu o PCP ao teor do despacho publicado esta segunda-feira. da autoria do ministro das Finanças, Vítor Gaspar. Na prática, visa «paralisar a administração pública e os serviços públicos do...

Pesar por Óscar Lopes e João Honrado

O Parlamento aprovou, por unanimidade, no passado dia 28 de Março, votos de pesar pelo falecimento de dois destacados militantes comunistas, Óscar Lopes e João Honrado. Desaparecidos no mesmo dia (22 de Março), ambos se distinguiram pela sua intensa actividade política contra a...

País sempre a afundar

É o «completo falhanço da política do Governo e da troika». Assim reagiu o PCP aos dados do INE que fixam o défice do Orçamento do Estado de 2012 nos 6,4 por cento. Para o deputado comunista Paulo Sá, que falava aos jornalistas na AR, o que tais dados evidenciam...

Há responsáveis pelo «buraco»

«Sete minutos e meio de desculpas esfarrapadas», assim avaliou João Oliveira a declaração política do PSD proferida no dia 28 de Março pela deputada Teresa Leal Coelho. «O PSD não tem feito outra coisa que não seja tentar encontrar desculpas para fugir...