Jerónimo de Sousa lança repto
ao primeiro-ministro

Siga o caminho de Relvas

O Secretário-geral do PCP desafiou o chefe do Governo a seguir o caminho de demissão do seu Adjunto e ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, e à boleia levar «o Governo consigo».

Relvas foi o rosto da ofensiva contra o poder local

O repto foi lançado no debate quinzenal com o primeiro-ministro de sexta-feira passada, onde o tema proposto – a chamada economia social – acabou em certa medida por ser secundarizado face à declaração proferida na véspera por Miguel Relvas na qual este dá conta de que apresentara a sua demissão a Passos Coelho há semanas, decisão justificada pela falta de «condições anímicas» para prosseguir o cargo.

Aludindo a esse discurso de demissão, Jerónimo de Sousa assinalou as referências nele feitas sugerindo que fora Miguel Relvas o principal «obreiro da elevação de Passos Coelho a líder do PSD e do Governo», ou seja «uma espécie de criador da criatura».

Ora «desertado o criador, o que é que resta à criatura fazer? Ouvimos aqui um gesto de manutenção da solidariedade. Não acha que levando essa solidariedade até ao fim, devia seguir o mesmo caminho levando o Governo consigo?», inquiriu o líder comunista, sem obter resposta de Passos Coelho que, por deficiente gestão, deixara esgotar o seu tempo.

Antes, Jerónimo de Sousa considerara ainda Miguel Relvas como uma «figura emblemática», não tanto pelo seu papel enquanto ministro dos Assuntos Parlamentares - «quase não se deu por isso», atalhou - , mas por ter sido «o rosto da ofensiva em relação ao poder local, contra o serviço público de rádio e televisão», para além de outros processos que entendeu não chamar à colação.

Combate à pobreza

Já no que respeita ao sector cooperativo e social, Jerónimo de Sousa começou por realçar o seu carácter «complementar em termos económicos e sociais», defendendo por isso que o Estado não pode desresponsabilizar-se do que é fundamental, estratégico e determinante para o País».

Este foi um aspecto essencial sublinhado pelo dirigente comunista, que lembrou ainda que foi por assim pensar que o PCP deu o seu voto favorável à lei das bases e tem proposto medidas de apoio ao desenvolvimento de todo o sector, cooperativas, associações mutualistas, instituições particulares de solidariedade.

Mas o que importa relevar, repetiu, é que «não cabe a este tão rico e diversificado sector substituir o Estado nas suas responsabilidades próprias perante a lei e a Constituição».

Reagindo ao anúncio do primeiro-ministro de um investimento estimado de 200 milhões euros para o sector, que, segundo aquele, criará três mil empregos, Jerónimo de Sousa fez notar que estes apoios não vão chegar à generalidade das organizações, uma vez que «são no essencial linhas de crédito a que a grande maioria das instituições não terá acesso». E num quadro de agravamento da pobreza, das injustiças, da exclusão social, «o que se verifica no terreno é que muitas instituições têm hoje mais dificuldades», observou, concluindo que se a «Segurança Social fecha a torneira e os protocolos não são celebrados», então, daí, só podem advir «situações dramáticas não só para a realidade social que temos mas também para essas mesmas instituições».

Ainda a este propósito, depois de valorizar o trabalho de complementaridade dos milhares de voluntários e de cooperantes que generosamente se esforçam por esbater as situações de pobreza e de injustiça, Jerónimo de Sousa considerou que apesar do empenho de toda essa gente a verdade é que «a pobreza não pára de aumentar, tal como o desemprego e as exclusões».

Daí não ter hesitado em concluir que «enquanto não se for às causas, à política errada deste Governo, não haverá solução para este problema».

Embora admitindo não estar o Governo «em condições de realizar e assinar todos os novos compromissos que seriam necessários», Passos Coelho, na resposta, negou que esteja a ser reduzido o «nível de compromisso» nesta área social, dando como exemplo o «alargar da resposta de cantinas sociais».

Jerónimo de Sousa, na réplica, considerou que o chefe do Governo fugira à questão central que lhe colocara, insistindo na ideia de que «não se podem curar os efeitos quando se alimentam as causas da pobreza e da exclusão».



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