Alemanha

Secreta encobre nazis

Sete arquivadores com informação recolhida ao longo de seis anos por agentes secretos infiltrados na organização nazi da Turíngia, Thüringer Heimtaschutz (THS), foram destruídos, dia 11 de Novembro de 2011, pouco depois de o ministério público federal ter chamado a si as investigações sobre a série de homicídios racistas (de oito turcos e um grego, bem como de uma agente da polícia), perpetrados pela célula «Clandestinidade Nazi», constituída no seio da THS.

O escândalo, que envolve directamente o Serviço Federal para a Protecção da Constituição (BfV), já levou à demissão do director da entidade de informações internas da Alemanha, Heinz Fromm. Ouvido na passada semana por uma comissão parlamentar, Fromm disse não ter «explicação plausível» para a destruição dos referidos documentos, que terá sido ordenada pela direcção regional dos serviços na Turíngia.

Os assassínios foram cometidos entre 2000 e 2007, mas durante anos as suspeitas recaíram sobre a máfia, e até os familiares das vítimas foram objecto de investigação. Hoje, a comissão de inquérito do Bundestag dispõe de provas cabais de que o BfV e as autoridades regionais encobriram os crimes nazis, começando a conhecer-se as intricadas ligações dos serviços secretos com a organização nazi THS, cujo líder, Tino Brandt, era informador da polícia.

Em 2006, na cidade de Kassel, Estado de Hesse, que faz fronteira com a Turíngia, a célula nazi executou, com um disparo na cabeça à queima-roupa, o cidadão turco, Halit Yozgat, proprietário de um cibercafé. O crime foi presenciado pelo agente do BfV, Andreas Temme, a quem os seus colegas chamavam «pequeno Adolfo».

Contra todas as regras, o caso foi abafado pelo então ministro do interior de Hesse, actualmente presidente do Estado, Volker Bouffier, que vetou pessoalmente a abertura de uma investigação ao BfV regional. Nos últimos 20 anos, os grupos neo-nazis foram oficialmente responsáveis por 147 assassínios e constituem a principal fonte de violência política na Alemanha, gozando de uma estranha impunidade.



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