Comício em Espinho conta o pacto de agressão

A luta não vai parar

Num vibrante comício em Espinho, na tarde de domingo, o Secretário-geral do PCP garantiu que o combate contra o pacto de agressão «não terminou, nem vai parar» tal como a luta por uma «verdadeira alternativa».

O PCP quer alargar o protesto e a luta contra o pacto de agressão

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O caminho da luta «não é uma linha recta como uma avenida franca que se abre de par em par», afirmou em Espinho Jerónimo de Sousa. É, sim, um caminho «sinuoso de curvas e contracurvas, algumas bem apertadas». Porém, sendo difícil, é o caminho que é «necessário e indispensável percorrer para derrotar o pacto de agressão e a política de direita que conduziu o País à crise e ao retrocesso económico e social», garantiu o Secretário-geral comunista.

Dando o exemplo da luta que os trabalhadores estão a travar contra as alterações às leis laborais, Jerónimo de Sousa realçou que esta «está longe de estar terminada, apesar da aprovação na generalidade das alterações na passada sexta-feira na Assembleia da República». A maioria PSD/CDS e o PS, com a sua «desonrosa e vergonhosa abstenção« (que mais não é do que a «confirmação do seu enfeudamento aos grandes interesses económicos e nos diz quanto falsa é a sua alternativa política e oposição) deram «mais um passo no caminho de declarada guerra aos trabalhadores e aos seus direitos» – mas isso não significa que «tudo esteja decidido e nada haja a fazer», realçou Jerónimo de Sousa. Esta é uma luta que «deve prosseguir contra a sua aprovação definitiva e a sua promulgação e, se se impuser e for necessário, contra a sua aplicação nas empresas e nos locais de trabalho».

Jerónimo de Sousa lembrou ainda que as medidas inscritas neste «projecto de alteração radical das relações laborais», a não serem derrotadas, serão extensíveis aos trabalhadores da Administração Pública, com a anunciada revisão do Regime de Trabalho em Funções Públicas.

Lembrando os nove meses de «ofensiva brutal dirigida em todas as direcções contra os interesses populares», o dirigente do PCP realçou que tal ofensiva revela «quanto justa e necessária é a luta que os trabalhadores e as populações têm vindo e estão a travar para limitar, conter e derrotar» o pacto de agressão. Uma luta que, valorizou, se tem vindo a desenvolver em várias frentes, «apesar da chantagem, das manobras de intimidação, das ameaças, dos apelos à resignação».

Para Jerónimo de Sousa, «seja qual for o resultado final deste combate», um governo patriótico e de esquerda pela concretização do qual o PCP luta (e que implica necessariamente a sua participação) terá inevitavelmente de assumir como uma das suas primeiras medidas «repor todo e qualquer direito retirado».

 

Há alternativa

 

O PCP não deixará de «renovar esse apelo para engrossar o movimento de rejeição» do pacto de agressão, porque este é «um combate central, um objectivo central da nossa luta e da luta dos trabalhadores e do povo para impedir o afundamento do nosso País e salvaguardar os interesses do nosso povo». Para os comunistas, é preciso uma ruptura «nesta marcha de cega submissão aos grandes interesses económicos e financeiros e de submissão ao directório das grandes potências».

Assim, os comunistas consideram ser necessário «dar força a quem tem um verdadeiro projecto alternativo para o País, como tem o PCP, para condenar à derrota a partida da alternância do vira o disco e toca o mesmo». O País e os portugueses, garantem, «precisam de uma nova política, patriótica e de esquerda, e de um governo que relance o País na senda do desenvolvimento e da justiça social».

Consciente de que os combates «em defesa dos interesses do nosso povo e que se perfilam no horizonte são de uma grande exigência», Jerónimo de Sousa garantiu que o PCP «não se deixa derrotar nem abater». Dirigindo-se aos que «gostariam que se instalasse na sociedade portuguesa o conformismo e a resignação» e aos que apregoam que «não há saída», o Secretário-geral do Partido reafirmou: «antes deles, outros fizeram planos para se perpetuarem no poder, até ao dia em que pela força e pela luta dos trabalhadores e do povo foram derrotados.»


Firmeza e combatividade

 

Jerónimo de Sousa voltou a abordar, no comício de Espinho, a greve geral de 22 de Março e o seu significado. Saudando os que, «com muito sacrifício para as suas vidas, estiveram na greve geral e a ela se associaram e aos que participam das mais variadas formas no combate nas empresas, nos locais de trabalho, nas ruas, nos campos, nas instituições», o dirigente comunista destacou a «dimensão e combatividade» dessa jornada.

Para o Secretário-geral do PCP, a greve geral foi uma «poderosa resposta dos trabalhadores», dos que «não se ajoelham perante o abuso do poder e a prepotência», daqueles a quem «custou muito um dia de salário, mas estiveram lá, firmes e decididos».

Antes, Joaquim Almeida, intervindo em nome da Direcção da Organização Regional de Aveiro do PCP, tinha valorizado o «empenho» e a «coragem» dos quadros sindicais, que enfrentaram o patronato e construíram a greve geral, e dos militantes do Partido que participaram solidariamente nos piquetes de greve. Quanto ao impacto da greve no distrito, o também dirigente sindical considerou-a «ao nível de greves anteriores». Menção especial mereceu o encerramento do Porto de Aveiro, a adesão nos transportes fluviais de Aveiro ou a pesca do cerco, onde não saiu uma única embarcação para o mar. Em muitas empresas de vários sectores, estes impactos fizeram-se sentir mesmo antes da greve.

Joaquim Almeida realçou ainda a necessidade de reforçar o Partido. Desde o início do ano houve 25 inscrições, sendo agora fundamental a inclusão dos novos militantes no trabalho regular do Partido. As 14 Assembleias concelhias marcadas para este ano serão certamente um bom contributo para esse objetivo, acrescentou.



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