Bancos temem acções de massas

O escritório de advogados Washington Clark Lytle Geduldig & Cranford (CLGC) propôs à Associação de Bancos dos EUA a implementação de um programa destinado a denegrir e a investigar o movimento Ocupa Wall Street (OWS). O incómodo do grande capital financeiro norte-americano para com as acções de massas no país pode ser confirmado num memorando obtido pela cadeia de televisão MSNBC.

O plano, orçado em 850 mil dólares, tem como principal objectivo a formatação e difusão na comunicação social de um discurso negativo sobre o movimento e sobre todos os que o dinamizam e apoiam, adianta por sua vez a AFP.

Vigilância apertada sobre as redes sociais também se inclui na proposta apresentada pela empresa que se gaba de ter trabalhado para 16 Congressos e 7 governos nos últimos 100 anos.

Pôr termo ao OWS pode ser feito através «de um grupo de manifestantes desordenados [provocadores], mas está provado que [os activistas do OWS] deveriam ser tratados como competidores organizados, hábeis e capazes de mover os media. Para contrastá-los, temos que fazer o mesmo», diz o texto preparado pela CLGC.

No documento, alerta-se ainda para a hipótese de recrudescimento da revolta popular no final deste ano, quando as multinacionais e em particular o capital financeiro apresentarem as respectivas contas.

O perigo de tal tornar ainda mais evidente a desigualdade social e a injustiça é grande, alerta a CLGC, para quem republicanos e democratas têm muito a capitalizar politicamente se souberem manipular a seu favor o discurso sobre o movimento.

Os primeiros, adverte o escritório de advogados, devem até manifestar-se publicamente contra a ganância de Wall Street, ao passo que os segundos devem ir mais longe fazendo o que já muitos membros do aparelho da candidatura de Barack Obama às presidenciais têm vindo a fazer: expressar apoio pela luta empreendida.

Estas informações foram divulgadas quando o movimento OWS assinalou dois meses de presença quotidiana nas ruas de várias cidades dos EUA. Apesar da repressão brutal das últimas semanas, destinada a varrer os acampamentos do centro de algumas das principais cidades e campus universitários do país, e não obstante as centenas de detenções efectuadas nessas operações, o movimento tem vindo a assumir contornos mais estáveis.

Ainda na passada quinta-feira, 17, dezenas de milhares de pessoas marcharam em mais de 30 cidades norte-americanas.

Já no domingo, pelo menos 5 mil pessoas concentraram-se frente ao Instituto do Hemisfério Ocidental para a Cooperação e a Segurança (ex-Escola das Américas), em Fort Benning, Columbus, para exigirem o encerramento do que consideram ser um centro de treino de torturadores, e em defesa do regresso dos soldados norte-americanos enviados para conflitos imperialistas no Médio Oriente e Ásia Central.



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