«Com a luta de quem trabalha»

CGTP-IN celebra 40 anos

A grande assembleia de amanhã, que promete encher a Aula Magna, em Lisboa, marca o arranque de uma série de iniciativas dedicadas ao 40.º aniversário da CGTP-IN, em íntima ligação com o combate presente.

 

As comemorações são inseparáveis do contexto em que decorrem

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Foi precisamente pelo contexto em que ocorrem as comemorações que o Secretário-geral da central começou a sua intervenção na apresentação do programa aos jornalistas, sexta-feira passada, na Casa do Alentejo, em Lisboa. Manuel Carvalho da Silva lembrou que «os trabalhadores e grande parte do povo vivem com dificuldades», notou que «a isto chamam crise» e que «não se combate as causas» verdadeiras da situação, tal como «não se encontra caminhos alternativos».

Pelo contrário, uma vez que as «medidas já vistas» e «aquilo que se prepara para o Orçamento do Estado» mostram que «há um aprofundamento do caminho» e «não há mudança da matriz de desenvolvimento». Aqui enquadrou o «Pacto para o Emprego» e a forma como foi colocado em discussão, sem que o Governo apresentasse «um documento que se possa chamar assim».

A propósito dos episódios em torno do OE, Carvalho da Silva chamou a atenção para a «consonância» e mesmo «convergência» do PS e do PSD «no fundamental», que é a definição de «medidas e mais medidas para impor dificuldades acrescidas às camadas da população com mais problemas». Já Cavaco Silva se mostra «entusiasta do entendimento do “centrão”», porque «deste desejo de entendimento pode alimentar a sua campanha eleitoral».

O dirigente da Intersindical Nacional insurgiu-se contra a «campanha ignóbil de exigência de sacrifícios aos que menos têm», estimando que metade das famílias portuguesas viva hoje «com muito, muito pouco, numa situação de grande fragilidade» - ali englobando quem recebe o salário mínimo nacional (ou apenas parte, se está em trabalho parcial), os mais de 700 mil desempregados, os mais de um milhão e 200 mil contratados com vínculos precários e em falsas situações de recibos verdes, o milhão e meio de pessoas a receber pensões mínimas ou sociais e muitos outros que estão entregues à economia clandestina.

Ao fazer uma breve evocação das quatro décadas decorridas desde a convocação da primeira «reunião inter-sindical», Carvalho da Silva recordou que «este projecto sindical foi fundamental para os trabalhadores portugueses ainda no fascismo», quer pela intervenção em defesa dos trabalhadores, quer pelo contributo para a transformação sociopolítica. Lembrou o importante papel que a Inter assumiu no processo revolucionário e assinalou que o «inigualável» 1.º de Maio de 1974 «foi convocado pelos sindicatos e por esta Intersindical».

Nos dias de hoje, a Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses propõe-se «prosseguir este caminho», com uma intervenção «sustentada nos princípios da central» e com «sentido de acção prática, a partir dos locais de trabalho», onde a Inter nasceu. Foi assim que o dirigente abordou o significado da jornada de 29 de Setembro e adiantou que a grande assembleia de 1 de Outubro será também um momento de «mobilização para a acção próxima».

 

Principais iniciativas

 

Nestes últimos meses de 2010 vão ter lugar diversas iniciativas de divulgação da história da CGTP-IN e de afirmação dos princípios da central.

Na noite de 1 de Outubro, nas instalações do Inatel na Costa da Caparica, terá lugar um jantar comemorativo, precedido de uma sessão de abertura das comemorações.

De 29 de Outubro a 6 de Novembro (a data mais próxima, tendo em conta a disponibilidade do local), estará patente uma exposição no Rossio, em Lisboa. Nesse espaço irá decorrer um ciclo de «conversas». Será divulgada a primeira parte de uma recolha de testemunhos orais de antigos dirigentes sindicais; estas cerca de três dezenas de entrevistas abrangem o período de 1970 a 1977.

Em Novembro e Dezembro serão lançados dois livros - que, tal como a exposição, resultam de um trabalho que tem vindo a ser feito no Centro de Arquivo e Documentação da CGTP-IN, envolvendo colaboração de antigos dirigentes, como Américo Nunes, Armando Teixeira da Silva, Daniel Cabrita, Emídio Martins, Francisco Canais Rocha (responsável pela redacção de um capítulo, desde a segunda metade do século XIX até à década de 1960), José Ernesto Cartaxo, José Pinela, Kalidás Barreto e Vítor Ranita).

Está em preparação um portal electrónico do Centro de Documentação, que deverá conter parte do espólio fotográfico de João Silva (dos seus 88 mil negativos, 52 mil já estão inventariados, 12 mil estão descritos e 1200 estão digitalizados), mas também registos sonoros, cerca de mil cartazes, todo o conteúdo do jornal e revista Alavanca (1974 a 1996) e ainda a descrição de documentos que poderão ser consultados na central.



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