Greves no Grupo Amorim

Tostões contra milhões

Os trabalhadores de empresas do Grupo Amorim estiveram ontem em luta, exigindo salários justos, e iam integrar-se na manifestação da CGTP-IN no Porto.

 

Só na cortiça, os lucros declarados são de 64 mil euros por dia

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O Sindicato dos Operários Corticeiros do Norte revelou ontem de manhã que os trabalhadores corticeiros de empresas ligadas ao Grupo Amorim «encontram-se hoje em luta contra a atitude prepotente e de cariz monopolista do grupo, responsável por uma política salarial de rapina e de miséria».

Como «muito elucidativo», a este respeito, o sindicato referiu o facto de aquele grupo - onde pontifica Américo Amorim, considerado o homem mais rico de Portugal, com fortes interesses noutras áreas, como a Galp Energia - «só na área da cortiça, ter declarado no primeiro semestre deste ano lucros de 64 mil euros por dia e ter a desfaçatez de, em sede de negociação colectiva, propor a esmola de "actualização salarial" de 15 cêntimos».

O sindicato informou que a empresa Amorim Revestimentos «encontra-se paralisada desde 5 horas da manhã, com os trabalhadores à porta, e o mesmo irá acontecer com o turno das 13 horas». Na Amorim Cork Composites estava marcada uma greve de duas horas (13 às 15 horas) com concentração à entrada das instalações. Na Amorim & Irmãos iria verificar-se uma concentração dos trabalhadores, das 12 às 13 horas, período em que iriam ser recolhidas subscrições para um abaixo-assinado dirigido à associação patronal do sector (Apcor) - recolha de assinaturas que «está a decorrer em todo o sector, a reclamar salários justos, para fazer face às elevadas dificuldades do dia-a-dia».

A acção no sector integrou-se na jornada de luta nacional da CGTP-IN, e o sindicato prometia «uma expressiva participação de trabalhadores corticeiros, na manifestação do Porto».

 

Arrentela

 

Os trabalhadores da empresa Fernando Branco & Silva, sediada na Arrentela (Seixal), entraram em greve às 8 horas de ontem e concentraram-se junto aos escritórios da firma, para reclamar da gerência «uma resposta ao consecutivo atraso no pagamento de ordenados» - informou o Sindicato da Construção do Sul. Em dívida estão os salários de Julho e Agosto, «não se perspectivando o pagamento de Setembro». O sindicato refere ainda que a paralisação foi decidida em plenário, na segunda-feira, e integra a jornada da CGTP-IN.

 



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