O País precisa dos estaleiros navais
Jerónimo de Sousa visitou, anteontem, os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, numa iniciativa integrada na campanha Portugal a Produzir, que o PCP lançou na Festa do Avante!.
O PCP quer defender a natureza pública dos Estaleiros Navais
Acompanhado por vários dirigentes nacionais e regionais do Partido, o Secretário-geral do PCP esteve reunido com estruturas sindicais, com a Comissão de Trabalhadores e com a nova administração. A delegação comunista teve ainda a oportunidade de almoçar no refeitório, o que lhe permitiu contactar com várias centenas de operários.
No centro das preocupações do PCP esteve a anunciada privatização dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, prevista no PEC, e as consequências que esta medida, a ir para a frente, poderá ter no próprio futuro da empresa. Os ENVC são actualmente o maior estaleiro de construção naval em actividade no País, empregando cerca de 900 trabalhadores directos, número que sobe para perto de dois mil se lhes somarmos os indirectos.
A delegação comunista reafirmou ainda a sua posição em defesa da natureza pública da empresa, considerada «fundamental para o desenvolvimento da região e do País». As reestruturações necessárias, realçou o PCP, devem sempre tê-la em conta, bem como ao valor estratégico da empresa tanto a nível regional como nacional. A indústria naval – que já foi pujante no País – é um dos sectores que o PCP considera estratégicos para o desenvolvimento nacional, tendo em conta que Portugal conta com 800 quilómetros de costa marítima.
E é um sector que tem vindo a ser liquidado por acção directa dos sucessivos governos, não só destruindo a Lisnave e esvaziando a Setenave como acabando com um conjunto de pequenos e médios estaleiros que existiam no País. Ao mesmo tempo, muitos países da Europa mantiveram e modernizaram a sua indústria naval.
Desenvolver a indústria naval
Como se assinalou na exposição que esteve patente na Festa do Avante!, Portugal a Produzir, que dá o mote à campanha agora iniciada, a liquidação deste sector é um «crime profundo, pois o transporte naval de mercadorias, bem como as frotas pesqueiras, são essenciais à economia nacional, hoje e no futuro, sobretudo no quadro de uma crescente escassez de combustíveis fósseis que, devido aos baixos consumos de energia do transporte marítimo, ainda o tornam mais central». Ali se acrescentava ainda que Portugal não possui, hoje, «capacidade de produzir as frotas de que necessita para reequilibrar a sua balança de transportes externos, nem a capacidade que já teve de exportação na reparação e construção naval, sobretudo nos médios e grandes navios».
Actualmente, os ENVC enfrentam uma situação complexa, tendo apenas em carteira a construção de dois navios para a Grécia e outros tantos para a Venezuela. Apesar de contratualizadas, não há ainda a certeza de que estas encomendas se venham mesmo a concretizar. O esvaziamento da carteira de encomendas é uma das principais críticas feitas ao longo dos anos pelos comunistas às sucessivas administrações da empresa. A nova administração tem o compromisso de apresentar ao Governo, no prazo de três meses desde a tomada de posse, um plano de viabilização e desenvolvimento da empresa.