Jerónimo de Sousa em Viana do Castelo

O País precisa dos estaleiros navais

Jerónimo de Sousa visitou, anteontem, os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, numa iniciativa integrada na campanha Portugal a Produzir, que o PCP lançou na Festa do Avante!.

O PCP quer defender a natureza pública dos Estaleiros Navais

Image 5663

Acompanhado por vários dirigentes nacionais e regionais do Partido, o Secretário-geral do PCP esteve reunido com estruturas sindicais, com a Comissão de Trabalhadores e com a nova administração. A delegação comunista teve ainda a oportunidade de almoçar no refeitório, o que lhe permitiu contactar com várias centenas de operários.

No centro das preocupações do PCP esteve a anunciada privatização dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, prevista no PEC, e as consequências que esta medida, a ir para a frente, poderá ter no próprio futuro da empresa. Os ENVC são actualmente o maior estaleiro de construção naval em actividade no País, empregando cerca de 900 trabalhadores directos, número que sobe para perto de dois mil se lhes somarmos os indirectos.

A delegação comunista reafirmou ainda a sua posição em defesa da natureza pública da empresa, considerada «fundamental para o desenvolvimento da região e do País». As reestruturações necessárias, realçou o PCP, devem sempre tê-la em conta, bem como ao valor estratégico da empresa tanto a nível regional como nacional. A indústria naval – que já foi pujante no País – é um dos sectores que o PCP considera estratégicos para o desenvolvimento nacional, tendo em conta que Portugal conta com 800 quilómetros de costa marítima.

E é um sector que tem vindo a ser liquidado por acção directa dos sucessivos governos, não só destruindo a Lisnave e esvaziando a Setenave como acabando com um conjunto de pequenos e médios estaleiros que existiam no País. Ao mesmo tempo, muitos países da Europa mantiveram e modernizaram a sua indústria naval.


Desenvolver a indústria naval


Como se assinalou na exposição que esteve patente na Festa do Avante!, Portugal a Produzir, que dá o mote à campanha agora iniciada, a liquidação deste sector é um «crime profundo, pois o transporte naval de mercadorias, bem como as frotas pesqueiras, são essenciais à economia nacional, hoje e no futuro, sobretudo no quadro de uma crescente escassez de combustíveis fósseis que, devido aos baixos consumos de energia do transporte marítimo, ainda o tornam mais central». Ali se acrescentava ainda que Portugal não possui, hoje, «capacidade de produzir as frotas de que necessita para reequilibrar a sua balança de transportes externos, nem a capacidade que já teve de exportação na reparação e construção naval, sobretudo nos médios e grandes navios».

Actualmente, os ENVC enfrentam uma situação complexa, tendo apenas em carteira a construção de dois navios para a Grécia e outros tantos para a Venezuela. Apesar de contratualizadas, não há ainda a certeza de que estas encomendas se venham mesmo a concretizar. O esvaziamento da carteira de encomendas é uma das principais críticas feitas ao longo dos anos pelos comunistas às sucessivas administrações da empresa. A nova administração tem o compromisso de apresentar ao Governo, no prazo de três meses desde a tomada de posse, um plano de viabilização e desenvolvimento da empresa.



Mais artigos de: PCP

Começou mal...

O ano lectivo 2010-2011 «começa mal e parece estar inevitavelmente comprometido», afirmou Jorge Pires, da Comissão Política do PCP, no primeiro dia de aulas.

Travar as privatizações nos transportes

O PCP está empenhado em travar as privatizações previstas no sector dos transportes, prejudiciais para os trabalhadores e para as empresas. Mas tal só será possível, alertam, com a unidade e luta de todos os trabalhadores.

Defender a <i>EMEF</i>

A célula do Partido nas oficinas do Barreiro da EMEF contesta, num comunicado de 30 de Agosto, a cessação de contratos de trabalho a jovens trabalhadores que, realça, são «imprescindíveis para a continuidade do trabalho nas oficinas». Os comunistas denunciam ainda o...

PCP apela à luta por salários dignos

O PCP está a apelar aos trabalhadores das empresas de transporte rodoviário de passageiros da região de Lisboa para que lutem de forma organizada pelo aumento dos salários.

Governo promove perda de soberania

No âmbito da preparação da reunião do Conselho Europeu que tem lugar hoje, uma delegação do PCP foi recebida em audiência pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, e pelo secretário de Estado de Assuntos Europeus. À saída da...

Proteja-se o sector têxtil

A propósito o encerramento da Arco Têxteis, ex-Arcofios, a Comissão Concelhia de Santo Tirso do PCP considera estar-se perante não apenas o fim de mais uma empresa mas de um sector, o da fiação. No desemprego ficam mais 50 trabalhadores, que se juntam...

A Carvalhesa continua à venda

Continua à venda a edição comemorativa dos 25 anos de A Carvalhesa, lançada na Festa do Avante!. O preço é de 10 euros e os pedidos de encomenda deverão ser feitos directamente para a Quinta da Atalaia ou para o DEP do PCP. Trata-se de um...

Esconder o essencial

Artigo 38º «O Estado assegura a liberdade e a independência dos órgãos de comunicação social perante o poder político e o poder económico.» in Constituição da República Portuguesa. Esconder o essencial Há duas semanas,...

Governo quer poupar com quem mais precisa

Em nota da Comissão para os Assuntos Sociais, datada de 1 de Setembro, o PCP chama a atenção para os procedimentos administrativos adoptados relativamente aos apoios e prestações sociais às famílias e aos desempregados, que vão...