A primeira Festa do Avante! na Atalaia faz 20 anos

Uma grande conquista do colectivo partidário

Hugo Janeiro

 

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Quando a 8 de Se­tembro de 1989 abria a 13.º Festa do Avante!, re­a­li­zada na Quinta do In­fan­tado, em Loures, já o Par­tido havia ad­qui­rido, três dias antes, o ter­reno da Quinta da Ata­laia. Era se­guro. A Festa do Avante! de 1990 seria na margem es­querda do Tejo; mudar-se-ia de armas e ba­ga­gens para a Amora, no con­celho do Seixal.

Logo ali, em Loures, foi com ex­tra­or­di­nário en­tu­si­asmo que os mi­li­tantes co­mu­nistas, os tra­ba­lha­dores e o povo ad­qui­riram os Tí­tulos de Com­par­ti­ci­pação emi­tidos pelo Se­cre­ta­riado do PCP no âm­bito da cam­panha de fundos, cujo ob­jec­tivo era an­ga­riar os 150 mil contos de­sem­bol­sados na compra. Mas a grande ex­plosão de ale­gria deu-se no co­mício de en­cer­ra­mento da Festa.

Pe­rante cen­tenas de mi­lhares de pes­soas, Álvaro Cu­nhal lem­brou que apesar da im­por­tância que a Festa do Avante! as­sumia na vida por­tu­guesa, con­so­li­dando-se como a maior ini­ci­a­tiva po­lí­tico-cul­tural de massas, «têm pro­cu­rado con­trariá-la, através de inú­meras di­fi­cul­dades, e par­ti­cu­lar­mente a de um grande ter­reno para a sua re­a­li­zação.

«Es­ti­vemos na FIL, ti­raram-nos a FIL. Fomos para o Jamor, e como havia muito mato, muitas pe­dras, di­ziam: “os co­mu­nistas vão-se en­terrar no Jamor, não vão fazer a Festa”. Ti­raram-nos o Jamor, para ai fa­zerem mag­ní­ficas ins­ta­la­ções des­por­tivas. Lá con­tinua o ter­reno tal como es­tava», pros­se­guiu o então se­cre­tário-geral do PCP.

«De­pois de muito tra­balho – con­ti­nuou -,viu-se que se podia fazer na Ajuda. E de novo pen­saram: “ a Ajuda não é fácil, tem muitas pe­dras, é ne­ces­sário fazer as infra-es­tru­turas; agora, sim, é que os co­mu­nistas se vão en­terrar e não vão re­a­lizar a Festa”. E nós tra­ba­lhámos, des­pe­dre­gámos, cons­truímos, es­ta­be­le­cemos infra-es­tru­turas e fi­zemos grandes festas no Alto da Ajuda. E de­pois de ne­go­ci­a­ções, de con­versas, de en­con­tros, ti­raram-nos a Ajuda. Mas podem passar por lá que nem se­quer um ti­jolo foi co­lo­cado para aquelas cons­tru­ções que di­ziam ir ini­ciar-se no mês de Se­tembro, pre­ci­sa­mente quando de­víamos fazer a Festa.

«Es­ti­vemos um ano sem fazer a Festa, e por fim con­se­guimos alugar este ter­reno (..) aqui em Loures. Fi­zemos a pri­meira, e es­tamos a fazer a se­gunda, mas creio que, não apenas no nosso Par­tido, mas em todos os de­mo­cratas, em todos aqueles que têm visto o valor desta Festa do Avante!, surgiu uma outra ideia: é pre­ciso acabar com esta si­tu­ação», su­bli­nhava Álvaro Cu­nhal.

«Até de he­li­cóp­tero foram feitas pros­pec­ções em torno de Lisboa», re­ve­lava o se­cre­tário-geral do PCP antes de con­firmar o que já todos es­pe­ravam: « É no con­celho do Seixal, são 25 hec­tares. É um ter­reno bo­nito, for­moso, junto ao rio, que tem ur­ba­ni­zação, e pen­samos que as festas que aí iremos re­a­lizar terão con­di­ções para ser be­lís­simas festas, num am­bi­ente apra­zível, onde nos sen­ti­remos bem, além do mais porque nin­guém nos pode tirar de lá!».

A mul­tidão res­pondeu num grito unís­sono: «É nosso! É nosso!».

Com este su­ple­mento, as­si­na­lamos os 20 anos da re­a­li­zação da Festa do Avante! na Quinta da Ata­laia, num ter­reno que, desde a sua aqui­sição às su­ces­sivas in­ter­ven­ções e obras de be­ne­fi­ci­ação, re­pre­senta uma grande con­quista do co­lec­tivo par­ti­dário. As forças hostis ao pro­jecto de­mo­crá­tico que a Festa do Avante! con­fi­gura, não mais podem obrigar o PCP a «andar com a casa às costas», e, todos os anos, à beira Tejo, mi­lhares de vo­lun­tá­rios cons­tróem a Festa que muito mais mi­lhares vivem, du­rante três dias, num ímpar am­bi­ente fra­terno.

Para contar um pouco da his­tória da aqui­sição do ter­reno da Quinta da Ata­laia e da cam­panha dos 150 mil contos, o Avante! falou com Carlos Costa e com Jo­a­quim Gomes, à época mem­bros dos or­ga­nismos exe­cu­tivos do Co­mité Cen­tral do PCP e en­vol­vidos no pro­cesso de compra.

Re­for­çámos a con­vicção de que, com con­fi­ança no grande co­lec­tivo par­ti­dário que é o PCP, por muitas mais dé­cadas con­ti­nu­a­remos a re­petir fa­lando ver­dade: «não há Festa como esta!»



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