Palavras que ficam

Memorial do Convento , 1982

Baltasar e Blimunda

 «[...] e Baltazar diz, Ao todo ouvi dizer que chegaram quinhentos, Tantos, espanta-se Blimunda, e nem um nem outro sabem exactamente quantos são quinhentos, sem falar que o número é de todas as coisas que há no mundo a menos exacta, diz-se quinhentos tijolos, diz-se quinhentos homens, e a diferença que há entre tijolo e homem é a diferença que se julga não haver entre quinhentos e quinhentos, quem isto não entender à primeira vez não merece que lho expliquem segunda.»

Pág. 296

 

O Ano da Morte de Ricardo Reis , 1984

«Nós, homens, nos façamos unidos pelos deuses.»

Pág. 65

«[...] não podemos voltar a ela, ao princípio, àquele nada que esteve antes do princípio, o nada é verdade que existe, é o antes, não é depois de mortos que entramos no nada, do nada, sim, viemos, foi pelo não ser que começámos, e mortos, quando o estivermos, seremos dispersos, sem consciência, mas existindo.»

Pág. 79

«Sonhar é a ausência, é estar do lado de lá, Mas a vida tem dois lados, Pessoa, pelo menos dois, ao outro só pelo sonho conseguimos chegar [...].»

Pág. 94

«[...] o homem, claro está, é o labirinto de si mesmo.»

Pág. 97

«A diferença é uma só, os vivos ainda têm tempo, mas o mesmo tempo lho vai acabando, para dizerem a palavra, para fazerem o gesto, Que gesto, que palavra, Não sei, morre-se de a não ter dito, morre-se de não o ter feito, é disso que se morre, não de doença, e é por isso que a um morto custa tanto, aceitar a sua morte [...].»

Pág. 148

 

 A Jangada de Pedra , 1986

«[...] se as vidas de cada um de vocês não vos ensinaram isto, coitados, e digo vidas, não vida, porque temos várias, felizmente vão-se matando umas às outras, senão não poderíamos viver.»

Pág. 147

«Com o homem começa o que não é visívil [...].»

Pág. 269

 

 História do Cerco de Lisboa , 1989

«Alá não costuma ajudar a quem a si próprio se não ajude [...].»

Pág. 62

«[...] há pessoas a quem atrai mais o duvidoso do que o certo, menos o objecto do que o vestígio dele, mais a pegada na areia do que o animal que a deixou, são os sonhadores [...].»

Pág. 265

«E o que quereis, eles e tu, Já o sabeis, senhor, que tenhamos parte justa no saque, como quem aqui veio dar o seu sangue, que, derramado, é igual na cor ao dos cruzados estrangeiros, como igualmente a eles fedem os nossos corpos se a morte nos toca e apodrecermos, [...] pensai também que é acto de justiça pagar o igual com o igual [...].»

Pág. 342

 

 O Evangelho Segundo Jesus Cristo , 1991

«[...] e, cingindo-a, uma dolorosa coroa de espinhos, como a levam, e não sabem, mesmo quando não sangram para fora do corpo, aqueles homens a quem não se permite que sejam reis em suas próprias pessoas.»

Pág. 19

«[...] tudo o que começa nasce do que acabou [...].»

Pág. 33

«Uma árvore geme se a cortam, um cão gane se lhe batem, um homem cresce se o ofendem [...].»

Pág. 324

 

 A Viagem do Elefante , 2008

«Não sou eu quem joga com as palavras, são elas que jogam comigo.»

 

 



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