Conquistas dão alento à luta

Ferroviários motivados

Os acordos alcançados com as greves de 23 de Março e de 27 de Abril confirmam que «há razões para continuarmos», afirma o Sindicato dos ferroviários.

Ainda há muitas matérias graves para refutar

Terminando com um forte apelo à participação na manifestação nacional da CGTP-IN, de sábado próximo, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário (SNTSF/CGTP-IN) emitiu um comunicado, dia 24, onde se congratulou com os resultados positivos obtidos em várias empresas do sector.

O SNTSF congratulou-se com o acordo obtido na nova concessionária do Metro do Porto depois da marcação da greve de 23 de Março. Os trabalhadores mantiveram o Acordo de Empresa (AE) e conseguiram um aumento salarial de 1,5 por cento, com igual valor nas restantes cláusulas de expressão pecuniária.

Na CP, a luta forçou a administração a manter a escala de serviço da revisão do Cais do Sodré, revelou o sindicato, dia 21, num comunicado onde salienta que a escala «será igual à do ano passado». O resultado foi obtido no mesmo dia em que o SNTSF entregaria um pré-aviso de greve, se a administração não recuasse.

Na Soflusa, após a greve de 27 de Abril, foi obtido um acordo que atribuiu um prémio, a ser pago este mês, de 200 euros por trabalhador. A administração recuou no ataque a alguns direitos, como a «cláusula trimestral, que se mantém como transitou da CP».

Na semana passada, a luta forçou «um acordo na Refer, depois de a administração ter apresentado uma «proposta final», onde constam as atribuições das concessões de viagem aos que ingressaram após a constituição da empresa, tendo-se tornado igual para todos o valor e as regras daquelas deslocações, «reivindicação com mais de 15 anos».

Perante a ameaça das medidas no PEC, o protocolo assinado «não desmobiliza a luta». O SNTSF congratulou-se com o pagamento da compensação para quando não é possível cumprir as doze horas de repouso, e com a constituição de uma comissão mista, para discutir o alargamento das doze horas de descanso obrigatório a todos os locais de trabalho. O acordo «está apenas circunscrito as matérias que nele constam», continuando o sindicato a lutar pela concretização de todas as outras.

 

Reforçar a acção

 

Os resultados obtidos são, segundo o sindicato, «um estímulo» para a continuação da luta nas empresas onde não foi possível chegar a acordo e naquelas onde foram conquistados, devido à gravidade das medidas que o Governo PS pretende impor com o PEC, em conluio com o PSD. O comunicado salienta a situação na EMEF, onde «a negociação colectiva é reduzida ao mínimo e está sempre dependente do que acontece na CP», acusou o SNTSF. No dia 18, representantes dos trabalhadores concentraram-se diante da administração da CP, tendo, depois, desfilado até ao Ministério dos Transportes, em Lisboa, em defesa dos postos de trabalho e contra a tentativa de privatização da EMEF.

Um aumento justo de salários, a negociação do subsídio de turno, a negociação do Regulamento de Carreiras e respeito pelos direitos são reivindicações centrais naquela empresa.

No Grupo Oficinal do Porto, os trabalhadores iniciaram, anteontem, uma luta que prevêm prolongar até 4 de Junho, «pela alteração da escala de serviço na manutenção do Metro, por aumentos de salários e do subsídio de turno, e pela manutenção dos postos de trabalho».

Na CP Carga, a administração manteve «propostas inaceitáveis», na última reunião negocial, respeitantes ao clausulado do AE, «reduzindo o custo do trabalho» e «criando regras mais flexíveis que permitam mais trabalho sem pagamento». Salientando que «já há recuos», comparando com a proposta inicial, o SNTSF considera que, perante a gravidade das matérias em desacordo, o único caminho é prosseguir a luta.

 

Tribuna contra privatizações

 

O SNTSF agendou para ontem uma «Tribuna Pública», sob o lema «Diga não às privatizações», no Jardim de São Pedro de Alcântara, em Lisboa. Na convocatória, o SNTSF recordou como, «embora as empresas do sector sejam públicas, ou de capitais públicos, a sua gestão tem-se feito numa lógica privada, com o objectivo de se criarem condições para as privatizações». O resultado tem sido «mais custos para o erário público, menos trabalhadores, mais gestores e quadros superiores, aumento da carga horária e dos ritmos de trabalho, estando o sector sem comando único», lembrou o sindicato. Estava prevista, nesta acção, a participação de sindicalistas britânicos, em solidariedade com a luta dos ferroviários portugueses.

 



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