Oiça a razão e responda de forma positiva
O Secretário-geral do PCP desafiou José Sócrates a compreender a razão da luta dos enfermeiros e a mudar a sua postura na abordagem aos conflitos laborais.
Luta dos enfermeiros é justa
«Explique lá... Não é obrigado a conhecer o conteúdo das negociações, mas depois não se admire, senhor primeiro-ministro... Vejo-o sempre muito distante e arrogante quando se trata destas coisas de conflitos sociais, de conflitos laborais. Mas oiça a razão desses profissionais de enfermagem e vai ver que eles têm razão. Responda positivamente aos enfermeiros». O repto estava lançado, em pleno debate quinzenal com o primeiro-ministro, no próprio dia em que enfermeiros de todo o País convergiram para a capital culminando três dias de greve numa histórica manifestação em nome da sua dignidade e da defesa dos seus direitos.
O dirigente comunista quis saber nomeadamente quais as razões que levaram o Governo a alterar o conteúdo da sua proposta, baixando de 1400 euros para 1020 a remuneração base destes profissionais licenciados. «Considera aceitável que os enfermeiros portugueses tenham começado a sair licenciados das Escolas Superiores de Enfermagem desde 2000, elevando assim não só as suas qualificações e competências mas também a qualidade dos cuidados de saúde prestados à população, mas continuem a auferir remunerações como se de bacharéis se tratasse?», questionou o líder comunista.
Na resposta, o primeiro-ministro afirmou-se perplexo pelo que disse ser a existência de «partidos sempre disponíveis para aproveitar todas as lutas corporativas», para «dar razão a todas as reivindicações corporativas».
«O que me espanta é que haja partidos que colocam de lado o interesse geral para dar imediatamente razão a qualquer interesse particular», afirmou, categórico. O País ficou assim a saber que, para o primeiro-ministro, qualquer luta legítima de uma classe profissional, além de «corporativa», tem um carácter «particular» e é contrária ao «interesse» da comunidade.
Garantiu ainda que «o Governo não aceita negociar com partidos questões de classes», aceitando apenas «negociar com os sindicatos».
E acrescentou nunca lhe ter «passado pela cabeça» que os partidos tivessem no Parlamento apenas uma «posição igual à posição e à voz dos sindicatos». Escusado é dizer que outro galo cantaria se, em vez de trabalhadores, estivesse em causa a voz dos patrões…
Mas o melhor estava para vir quando, de peito cheio, insistiu em considerar que «razoável é que os partidos defendam o interesse geral e não o interesse corporativo», fazendo assim a apologia de uma falsa equidistância e de um abstracto interesse nacional que é sempre, afinal, o interesse das classes dominantes, e como se as forças políticas numa sociedade estratificada não representassem os interesses concretos de cada uma das classes.
Jerónimo de Sousa, dirigindo-se a Sócrates, na réplica, assinalou-lhe que «não deve estranhar a solidariedade do PCP para com os trabalhadores que são vítimas de injustiças, sofrem ataques aos seus direitos».
E acrescentou, pondo o dedo na ferida: «O que é estranho, para nós, é que este PS nunca é capaz de expressar solidariedade para com uma luta, seja dos enfermeiros seja dos professores seja da administração pública seja com qualquer sector de trabalhadores».
E rematou: «O mal está na falta de solidariedade do PS e não na solidariedade do PCP».
O dirigente comunista quis saber nomeadamente quais as razões que levaram o Governo a alterar o conteúdo da sua proposta, baixando de 1400 euros para 1020 a remuneração base destes profissionais licenciados. «Considera aceitável que os enfermeiros portugueses tenham começado a sair licenciados das Escolas Superiores de Enfermagem desde 2000, elevando assim não só as suas qualificações e competências mas também a qualidade dos cuidados de saúde prestados à população, mas continuem a auferir remunerações como se de bacharéis se tratasse?», questionou o líder comunista.
Na resposta, o primeiro-ministro afirmou-se perplexo pelo que disse ser a existência de «partidos sempre disponíveis para aproveitar todas as lutas corporativas», para «dar razão a todas as reivindicações corporativas».
«O que me espanta é que haja partidos que colocam de lado o interesse geral para dar imediatamente razão a qualquer interesse particular», afirmou, categórico. O País ficou assim a saber que, para o primeiro-ministro, qualquer luta legítima de uma classe profissional, além de «corporativa», tem um carácter «particular» e é contrária ao «interesse» da comunidade.
Garantiu ainda que «o Governo não aceita negociar com partidos questões de classes», aceitando apenas «negociar com os sindicatos».
E acrescentou nunca lhe ter «passado pela cabeça» que os partidos tivessem no Parlamento apenas uma «posição igual à posição e à voz dos sindicatos». Escusado é dizer que outro galo cantaria se, em vez de trabalhadores, estivesse em causa a voz dos patrões…
Mas o melhor estava para vir quando, de peito cheio, insistiu em considerar que «razoável é que os partidos defendam o interesse geral e não o interesse corporativo», fazendo assim a apologia de uma falsa equidistância e de um abstracto interesse nacional que é sempre, afinal, o interesse das classes dominantes, e como se as forças políticas numa sociedade estratificada não representassem os interesses concretos de cada uma das classes.
Jerónimo de Sousa, dirigindo-se a Sócrates, na réplica, assinalou-lhe que «não deve estranhar a solidariedade do PCP para com os trabalhadores que são vítimas de injustiças, sofrem ataques aos seus direitos».
E acrescentou, pondo o dedo na ferida: «O que é estranho, para nós, é que este PS nunca é capaz de expressar solidariedade para com uma luta, seja dos enfermeiros seja dos professores seja da administração pública seja com qualquer sector de trabalhadores».
E rematou: «O mal está na falta de solidariedade do PS e não na solidariedade do PCP».