Murça homenageou Militão
Murça homenageou, no sábado, o seu mais destacado filho – Militão Bessa Ribeiro, dirigente comunista e resistente antifascista, assassinado pela PIDE há 60 anos. Nas duas iniciativas evocativas realizadas nessa tarde chuvosa, participaram cerca de 150 pessoas: militantes do Partido; um sobrinho de Militão Ribeiro, mais a viúva de um outro, recentemente falecido; responsáveis autárquicos do concelho de Murça, entre os quais o presidente da Câmara Municipal.
Em vários estabelecimentos comerciais do centro da vila, pequenos cartazes, com a fotografia do heróico militante comunista, testemunhavam o apreço daquela população pela vida de Militão Ribeiro, bem como pela coragem e heroísmo com que enfrentou a tortura, o sofrimento e a morte. Nascido naquela terra em 1896, ali voltou anos depois em busca de apoio, na sequência da sua expulsão do Brasil, para onde emigrara aos 13 anos. E dali partiu novamente para continuar o combate nas fileiras do PCP, a que dedicou a sua vida.
No auditório municipal de Murça, repleto de gente empunhando cravos vermelhos, José Luís Borges Coelho (que substituiu, na mesa da sessão, o irmão António) contou as suas memórias do dia do funeral de Militão Ribeiro, em Murça. Era apenas uma criança, recordou, mas lembra-se «do silêncio, do amarelo soturno da própria luz solar, da perplexidade das pessoas “grandes”, que não sabiam como lidar com aquilo». E do ruído da «arrepiante marcha fúnebre».
Em seguida, o maestro «emprestou» a sua voz às palavras do irmão António, que o clima e a avançada idade desaconselharam de empreender tão longa viagem até terras nortenhas. António Borges Coelho, que estava entre os «poucos que assistiram à partida» do corpo de Militão da morgue do hospital de São José, em Lisboa, para Murça, conhecera-o em 1945, acabado de sair do Tarrafal, num campo de futebol. «Rodeavam-no e vinha sempre mais um para o abraçar.» A terminar a sessão, Domingos Abrantes, do Comité Central, valorizou o percurso de Militão Ribeiro, apelando a que se cumpra o seu último desejo, expresso na carta que enviou ao Partido: «que a minha morte traga novos combatentes à luta».
Em seguida, os presentes rumaram ao cemitério de Murça para homenagear Militão Ribeiro. Na ocasião, Albano Nunes, do Secretariado do Comité Central, lembrou que o funeral de Militão Ribeiro, apesar das medidas repressivas que o rodearam, «constituiu uma justa e sentida homenagem a alguém que se entregou por inteiro à causa emancipadora do seu povo».Este homem de origem modesta, prosseguiu o dirigente do PCP, «cuja campa rasa temos diante de nós será, afinal, o mais ilustre homem desta terra transmontana, não pelo que teve de bens materiais e estatuto social, mas pelo que foi como ser humano».
Em vários estabelecimentos comerciais do centro da vila, pequenos cartazes, com a fotografia do heróico militante comunista, testemunhavam o apreço daquela população pela vida de Militão Ribeiro, bem como pela coragem e heroísmo com que enfrentou a tortura, o sofrimento e a morte. Nascido naquela terra em 1896, ali voltou anos depois em busca de apoio, na sequência da sua expulsão do Brasil, para onde emigrara aos 13 anos. E dali partiu novamente para continuar o combate nas fileiras do PCP, a que dedicou a sua vida.
No auditório municipal de Murça, repleto de gente empunhando cravos vermelhos, José Luís Borges Coelho (que substituiu, na mesa da sessão, o irmão António) contou as suas memórias do dia do funeral de Militão Ribeiro, em Murça. Era apenas uma criança, recordou, mas lembra-se «do silêncio, do amarelo soturno da própria luz solar, da perplexidade das pessoas “grandes”, que não sabiam como lidar com aquilo». E do ruído da «arrepiante marcha fúnebre».
Em seguida, o maestro «emprestou» a sua voz às palavras do irmão António, que o clima e a avançada idade desaconselharam de empreender tão longa viagem até terras nortenhas. António Borges Coelho, que estava entre os «poucos que assistiram à partida» do corpo de Militão da morgue do hospital de São José, em Lisboa, para Murça, conhecera-o em 1945, acabado de sair do Tarrafal, num campo de futebol. «Rodeavam-no e vinha sempre mais um para o abraçar.» A terminar a sessão, Domingos Abrantes, do Comité Central, valorizou o percurso de Militão Ribeiro, apelando a que se cumpra o seu último desejo, expresso na carta que enviou ao Partido: «que a minha morte traga novos combatentes à luta».
Em seguida, os presentes rumaram ao cemitério de Murça para homenagear Militão Ribeiro. Na ocasião, Albano Nunes, do Secretariado do Comité Central, lembrou que o funeral de Militão Ribeiro, apesar das medidas repressivas que o rodearam, «constituiu uma justa e sentida homenagem a alguém que se entregou por inteiro à causa emancipadora do seu povo».Este homem de origem modesta, prosseguiu o dirigente do PCP, «cuja campa rasa temos diante de nós será, afinal, o mais ilustre homem desta terra transmontana, não pelo que teve de bens materiais e estatuto social, mas pelo que foi como ser humano».