Dignidade
Indiferente ao ciclo eleitoral, o processo de liquidação da produção nacional vai prosseguindo. Na indústria, nas pescas, na agricultura o País vai perdendo capacidade produtiva, o mesmo será dizer, vai perdendo empregos, riqueza, soberania. A voz do PCP é a única que, ao lado dos trabalhadores, dos pequenos empresários, dos pescadores ou agricultores, se vai batendo numa luta incansável contra esta política criminosa, que condena o País ao atraso e à dependência externa.
Veja-se o caso do sector leiteiro, na semana em que o ainda ministro da Agricultura se deslocou ao estrangeiro para discutir com os seus homólogos a «crise no sector» e veio de lá a cantar uma nova «vitória», repetindo a expressão «vitória» com que cada ministro da política de direita baptizou cada um dos golpes na agricultura nacional. Uma «vitória» que representa uma verba de pouco mais de 6 milhões de euros – num total de 280 milhões –, que a UE decidiu disponibilizar de apoios a este sector e que no caso português representa quase nada para os pouco mais de 10 mil produtores de leite que restam, depois de nos últimos 15 anos terem desaparecido mais de 70 mil.
Um ministro que, falando em nome do Governo PS, disse que estes apoios seriam necessários para pagar a «saída com dignidade» de pequenos produtores deste sector. Esta afirmação – sair com dignidade – é um insulto para quem vive hoje uma situação de desespero para conseguir fazer face ao aumento dos preços dos factores de produção – rações, adubos, combustíveis, fertilizantes, medicamentos – e que enfrenta sucessivas baixas nos preços pagos pela sua produção, tendo em conta que o mercado nacional é encharcado pelas grandes multinacionais de leite a baixo custo. Mas ela encerra em si uma ideia ainda mais perigosa: partindo do elementar princípio de que sem produtores de leite não há produção – que nos perdoem as vacas –, Portugal passará de um País produtor – ainda que insuficiente face às necessidades – para um País importador deste produto, isto é, mais dependente.
No conceito de «dignidade» desta gente, Portugal está condenado à ruína e a viver de mão estendida face aos interesses do grande capital. E é uma evidência que nenhum ministro e nenhum governo pode ser digno de um país se não defender os seus interesses.
É por isso que a concepção patriótica de defesa da produção e da agricultura nacional, exigida pelo PCP, não é uma atitude passadista, fora das dinâmicas actuais de «mercados livres», «abertos», «integrados», feitos ao sabor dos interesses dos grandes grupos económicos da agro-indústria. É por isso que só uma política de ruptura, patriótica e de esquerda poderá conferir dignidade a um País e a um povo que quer ser dono do seu nariz e ter uma vida melhor.
Veja-se o caso do sector leiteiro, na semana em que o ainda ministro da Agricultura se deslocou ao estrangeiro para discutir com os seus homólogos a «crise no sector» e veio de lá a cantar uma nova «vitória», repetindo a expressão «vitória» com que cada ministro da política de direita baptizou cada um dos golpes na agricultura nacional. Uma «vitória» que representa uma verba de pouco mais de 6 milhões de euros – num total de 280 milhões –, que a UE decidiu disponibilizar de apoios a este sector e que no caso português representa quase nada para os pouco mais de 10 mil produtores de leite que restam, depois de nos últimos 15 anos terem desaparecido mais de 70 mil.
Um ministro que, falando em nome do Governo PS, disse que estes apoios seriam necessários para pagar a «saída com dignidade» de pequenos produtores deste sector. Esta afirmação – sair com dignidade – é um insulto para quem vive hoje uma situação de desespero para conseguir fazer face ao aumento dos preços dos factores de produção – rações, adubos, combustíveis, fertilizantes, medicamentos – e que enfrenta sucessivas baixas nos preços pagos pela sua produção, tendo em conta que o mercado nacional é encharcado pelas grandes multinacionais de leite a baixo custo. Mas ela encerra em si uma ideia ainda mais perigosa: partindo do elementar princípio de que sem produtores de leite não há produção – que nos perdoem as vacas –, Portugal passará de um País produtor – ainda que insuficiente face às necessidades – para um País importador deste produto, isto é, mais dependente.
No conceito de «dignidade» desta gente, Portugal está condenado à ruína e a viver de mão estendida face aos interesses do grande capital. E é uma evidência que nenhum ministro e nenhum governo pode ser digno de um país se não defender os seus interesses.
É por isso que a concepção patriótica de defesa da produção e da agricultura nacional, exigida pelo PCP, não é uma atitude passadista, fora das dinâmicas actuais de «mercados livres», «abertos», «integrados», feitos ao sabor dos interesses dos grandes grupos económicos da agro-indústria. É por isso que só uma política de ruptura, patriótica e de esquerda poderá conferir dignidade a um País e a um povo que quer ser dono do seu nariz e ter uma vida melhor.