Despedimento político
A solidariedade para com o dirigente despedido é igualmente uma forma de mostrar que a administração da Lisnave não consegue conter a organização, o protesto e a luta, mesmo com elevados índices de emprego precário.
A precariedade serve para a empresa pagar menos
Uma concentração de protesto e solidariedade, com mais de uma centena de participantes, teve lugar ontem de manhã, junto à entrada do estaleiro da Lisnave, na Mitrena. Esta acção - acompanhada de uma greve de duas horas, que teve adesão total na produção - foi convocada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do Sul, para repudiar o despedimento ilegal de Filipe Rua, dirigente sindical e coordenador da Comissão de Trabalhadores da Lisnave, acusado de ter levado um estranho para uma reunião ilegal no estaleiro - o que significa que, no dia 1 de Abril, acompanhou outro dirigente metalúrgico, que não pertence aos quadros do estaleiro, para participar numa reunião de operários contratados através de uma empresa de trabalho temporário. Filipe Rua foi suspenso pela administração logo no dia seguinte e o despedimento foi-lhe comunicado a 10 de Setembro.
O processo judicial de impugnação do despedimento entra em tribunal ainda esta semana - revelou Américo Flor. Em declarações ao Avante!, o dirigente do sindicato - que, em Abril, participou no plenário com o pessoal da Select - realçou que a intervenção da ACT (inspecção do trabalho) acabou por vir demonstrar que, afinal, quem esteve fora da lei foi a administração da Lisnave. Esta vai ter que devolver aos trabalhadores da Select o valor das horas de plenário, que lhes foi indevidamente descontado.
Américo Flor valorizou o facto de o sindicato ter recebido, para a concentração de terça-feira, mais de duas dezenas de moções e saudações de solidariedade, de estruturas representativas de trabalhadores. Na entrada principal da Lisnave compareceram, entre outros, o secretário-geral da CGTP-IN, Manuel Carvalho da Silva, e os coordenadores da Fiequimetal (federação intersindical em que se integra o Sindicato dos Metalúrgicos) e das uniões de sindicatos de Lisboa e Setúbal, bem como dirigentes da Interjovem, do Sindicato da Química, Farmacêutica, Gás e Petróleo (também da Fiequimetal/CGTP-IN), do STAL. Esteve igualmente presente Francisco Lopes, da Comissão Política do PCP, deputado e cabeça-de-lista da CDU, no distrito, para as eleições de domingo.
Iguais direitos
Após o plenário de 1 de Abril, o sindicato divulgou as suas principais conclusões, destacando as que têm a ver com práticas discriminatórias. A revelação pública das discriminações veio confirmar a acusação de que os vínculos precários são uma forma de agravar a exploração dos trabalhadores; mas talvez a administração se tenha sentido mais incomodada pela denúncia de que nem sequer estavam a ser respeitados os limites legais (que, sobretudo com o Código do Trabalho revisto pela maioria PS, são bem permissivos para o patronato).
Na altura, a Select foi acusada de fugir ao cumprimento de vários direitos, lesando economicamente os trabalhadores temporários, que, na lei, têm direitos iguais aos dos trabalhadores da empresa utilizadora e têm direito a retribuição igual, para trabalho igual ou de valor igual. Mas os operários contratados através da Select «não recebem, ou recebem de forma desigual, em relação aos trabalhadores da Lisnave, e não estão sendo aplicados vários direitos», alguns dos quais foram apontados no comunicado que o sindicato então divulgou.
Nas intervenções feitas anteontem, foi chamada a atenção para o grande peso da precariedade de emprego no estaleiro. Aqui laboram, no dia-a-dia, mais de dois mil trabalhadores... mas o quadro de pessoal da Lisnave apenas contém cerca de trezentos.
O processo judicial de impugnação do despedimento entra em tribunal ainda esta semana - revelou Américo Flor. Em declarações ao Avante!, o dirigente do sindicato - que, em Abril, participou no plenário com o pessoal da Select - realçou que a intervenção da ACT (inspecção do trabalho) acabou por vir demonstrar que, afinal, quem esteve fora da lei foi a administração da Lisnave. Esta vai ter que devolver aos trabalhadores da Select o valor das horas de plenário, que lhes foi indevidamente descontado.
Américo Flor valorizou o facto de o sindicato ter recebido, para a concentração de terça-feira, mais de duas dezenas de moções e saudações de solidariedade, de estruturas representativas de trabalhadores. Na entrada principal da Lisnave compareceram, entre outros, o secretário-geral da CGTP-IN, Manuel Carvalho da Silva, e os coordenadores da Fiequimetal (federação intersindical em que se integra o Sindicato dos Metalúrgicos) e das uniões de sindicatos de Lisboa e Setúbal, bem como dirigentes da Interjovem, do Sindicato da Química, Farmacêutica, Gás e Petróleo (também da Fiequimetal/CGTP-IN), do STAL. Esteve igualmente presente Francisco Lopes, da Comissão Política do PCP, deputado e cabeça-de-lista da CDU, no distrito, para as eleições de domingo.
Iguais direitos
Após o plenário de 1 de Abril, o sindicato divulgou as suas principais conclusões, destacando as que têm a ver com práticas discriminatórias. A revelação pública das discriminações veio confirmar a acusação de que os vínculos precários são uma forma de agravar a exploração dos trabalhadores; mas talvez a administração se tenha sentido mais incomodada pela denúncia de que nem sequer estavam a ser respeitados os limites legais (que, sobretudo com o Código do Trabalho revisto pela maioria PS, são bem permissivos para o patronato).
Na altura, a Select foi acusada de fugir ao cumprimento de vários direitos, lesando economicamente os trabalhadores temporários, que, na lei, têm direitos iguais aos dos trabalhadores da empresa utilizadora e têm direito a retribuição igual, para trabalho igual ou de valor igual. Mas os operários contratados através da Select «não recebem, ou recebem de forma desigual, em relação aos trabalhadores da Lisnave, e não estão sendo aplicados vários direitos», alguns dos quais foram apontados no comunicado que o sindicato então divulgou.
Nas intervenções feitas anteontem, foi chamada a atenção para o grande peso da precariedade de emprego no estaleiro. Aqui laboram, no dia-a-dia, mais de dois mil trabalhadores... mas o quadro de pessoal da Lisnave apenas contém cerca de trezentos.