Ameaças à paz devem estar na agenda das Nações Unidas
A instalação de bases militares na Colômbia e o golpe de Estado nas Honduras devem constar da agenda da Assembleia Geral da ONU, defende o nicaraguense Miguel D'Escoto.
A reacção internacional quer deter o avanço da ALBA
No seu discurso de despedida como presidente do órgão máximo da ONU, esta segunda-feira, 14, no final de um ano de mandato, Miguel D'Escoto elencou um conjunto de questões – como a agressão de Israel a Gaza e a crise financeira e económica internacional do capitalismo – que reclamam a atenção da ONU, e denunciou obstáculos que enfrentou no exercício do cargo.
A questão da Palestina continua a ser «o mais sério e prolongado problema política e de direitos humanos ainda por resolver» pelas Nações Unidas, disse D'Escoto, classificando de escandalosa a «evidente falta de empenhamento para a resolver». Criticando os que «deveriam ser os mais interessados» no assunto por não apoiarem as diligências que desenvolveu como presidente da ONU para convocar uma Assembleia Geral dedicada ao problema palestiniano, o presidente cessante revelou que tanto na altura da invasão iniciada em Dezembro passado por Israel contra Gaza como na actualidade, «o que mais recebeu foram conselhos para esperar mais tempo, porque as coisas estão à beira de ser resolvidas».
«Quis ajudar a Palestina, mas os que supostamente deveriam ser os mais interessados negaram-me o seu apoio por considerações de prudência que fui incapaz de compreender», confessou o antigo ministro da Nicarágua, para quem uma solução justa do problema passa pela retirada israelita dos territórios ilegalmente ocupados desde 1967 e o regresso às suas terras de todos os palestinianos deslocados desde a criação do Estado de Israel, bem como dos seus descendentes.
Para D'Escoto é igualmente «escandalosa» a passividade e aparente indiferença de alguns influentes membros do Conselho de Segurança da ONU face à continuação do bloqueio a Gaza, em flagrante violação de uma resolução que o próprio órgão aprovou.
Quanto ao caso das Honduras, considerou que o ocorrido a 28 de Agosto é «uma espécie de golpismo do século XXI, através do qual a reacção internacional procura deter o vitorioso e promissor avanço da Aliança Bolivariana dos Povos da Nossa América (ALBA)».
Do mesmo modo, D'Escoto advoga que a Assembleia Geral da ONU não pode deixar de tratar o «sério perigo» que representa para a paz na América Latina a instalação de sete novas bases militares norte-americanas na Colômbia.
Revolta na Colômbia
As preocupações do bispo nicaraguense são partilhadas por muitos, incluindo na Colômbia, onde as forças mais progressistas vêem a instalação de mais bases dos EUA no seu país como uma violação da soberania nacional e um perigo para a região.
Em recentes declarações à Prensa Latina, Jorge Cáceres, presidente da Corporação José Martí, não hesitou mesmo em afirmar que a «grande maioria do povo colombiano vê com indignação como este país se converteu numa plataforma para a expansão dos interesses de Washington no hemisfério».
«Lamentamos muito que o nosso governo e o exército, ignorando o legado ideológico do libertador Simón Bolívar, aceitem a presença imperialista dessas tropas que por onde quer que tenham passado deixaram miséria e provocaram o ódio ao povo americano», disse Cáceres.
Advertindo que os EUA pretendem, com este acordo com a Colômbia, deter os processos em curso nos países da América Latina que «disseram basta à exploração, à ignomínia imposta nos nossos territórios», Cáceres assegurou que são incontáveis as vozes que na Colômbia repudiam energicamente a presença militar norte-americana, pelo que exorta os povos do mundo a denunciar as pretensões hegemónicas dos EUA e a atitude belicista do presidente Álvaro Uribe.
A questão da Palestina continua a ser «o mais sério e prolongado problema política e de direitos humanos ainda por resolver» pelas Nações Unidas, disse D'Escoto, classificando de escandalosa a «evidente falta de empenhamento para a resolver». Criticando os que «deveriam ser os mais interessados» no assunto por não apoiarem as diligências que desenvolveu como presidente da ONU para convocar uma Assembleia Geral dedicada ao problema palestiniano, o presidente cessante revelou que tanto na altura da invasão iniciada em Dezembro passado por Israel contra Gaza como na actualidade, «o que mais recebeu foram conselhos para esperar mais tempo, porque as coisas estão à beira de ser resolvidas».
«Quis ajudar a Palestina, mas os que supostamente deveriam ser os mais interessados negaram-me o seu apoio por considerações de prudência que fui incapaz de compreender», confessou o antigo ministro da Nicarágua, para quem uma solução justa do problema passa pela retirada israelita dos territórios ilegalmente ocupados desde 1967 e o regresso às suas terras de todos os palestinianos deslocados desde a criação do Estado de Israel, bem como dos seus descendentes.
Para D'Escoto é igualmente «escandalosa» a passividade e aparente indiferença de alguns influentes membros do Conselho de Segurança da ONU face à continuação do bloqueio a Gaza, em flagrante violação de uma resolução que o próprio órgão aprovou.
Quanto ao caso das Honduras, considerou que o ocorrido a 28 de Agosto é «uma espécie de golpismo do século XXI, através do qual a reacção internacional procura deter o vitorioso e promissor avanço da Aliança Bolivariana dos Povos da Nossa América (ALBA)».
Do mesmo modo, D'Escoto advoga que a Assembleia Geral da ONU não pode deixar de tratar o «sério perigo» que representa para a paz na América Latina a instalação de sete novas bases militares norte-americanas na Colômbia.
Revolta na Colômbia
As preocupações do bispo nicaraguense são partilhadas por muitos, incluindo na Colômbia, onde as forças mais progressistas vêem a instalação de mais bases dos EUA no seu país como uma violação da soberania nacional e um perigo para a região.
Em recentes declarações à Prensa Latina, Jorge Cáceres, presidente da Corporação José Martí, não hesitou mesmo em afirmar que a «grande maioria do povo colombiano vê com indignação como este país se converteu numa plataforma para a expansão dos interesses de Washington no hemisfério».
«Lamentamos muito que o nosso governo e o exército, ignorando o legado ideológico do libertador Simón Bolívar, aceitem a presença imperialista dessas tropas que por onde quer que tenham passado deixaram miséria e provocaram o ódio ao povo americano», disse Cáceres.
Advertindo que os EUA pretendem, com este acordo com a Colômbia, deter os processos em curso nos países da América Latina que «disseram basta à exploração, à ignomínia imposta nos nossos territórios», Cáceres assegurou que são incontáveis as vozes que na Colômbia repudiam energicamente a presença militar norte-americana, pelo que exorta os povos do mundo a denunciar as pretensões hegemónicas dos EUA e a atitude belicista do presidente Álvaro Uribe.