Bases para agredir
«Para controlar a Venezuela é necessário ocupar militarmente a Colômbia»
– senador Paul Coverdell, Abril 2000.
Poucos meses depois desta declaração de guerra, Coverdell entregava a alma ao diabo. Deixou, porém, quem continuasse a ameaça. Com a desculpa da luta contra os narcotraficantes e os terroristas, para além das três bases já existentes na Colômbia o imperialismo – agora com a «simpatia» de Barak Obama – prepara-se para dispor de mais sete, que não têm outra finalidade senão apontar hostilmente contra os países que decidiram deixar de formar parte do «páteo das traseiras» e tomar decisões soberanas, especialmente sobre as suas matérias primas, leia-se petróleo, gás e... água! Venezuela, Equador e Bolívia são os três primeiros na lista. Mas o Brasil, entre outros, com a biodiversidade da Amazónia, que não se julgue a salvo da voracidade de Washington.
Recordemos só isto. Os Estados Unidos, o maior consumidor de petróleo do mundo – 19 milhões de barris todos os dias – já importa seis de cada dez dos que consome. Por outro lado, se fizesse uso unicamente das suas reservas – 20 mil milhões de barris – teria energia para... três anos! Este pequeno parágrafo explica a necessidade de Washington de controlar as riquezas da América do Sul e por isso estas novas bases, que se juntam às quase 900 – para sermos exactos 865 – que têm distribuídas em 40 países. Em todos os casos contam com a cobardia e cumplicidade venal de governos entreguistas. Num só país têm uma base militar contra a vontade do seu governo. Estamos a falar da base Guantánamo, em Cuba, o único lugar da ilha onde a tortura é uma actividade diária e altamente especializada!
Os «senhores» da droga
Os Estados Unidos são o primeiro consumidor de petróleo no mundo. Também são os primeiros consumidores de drogas, e por alguma razão estranha – talvez nem tanto – é na Colômbia e no Afeganistão, países militarmente ocupados por Washington, onde mais se produz cocaína e ópio, respectivamente. Coincidências? É evidente que não. A droga é um negócio fabuloso e já sabemos que onde cheira a muito dinheiro lá está o império para agarrar o maior talhão.
Rafael Cancel Miranda, investigador de Porto Rico, território ocupado por EUA, afirma que o seu país é um «paraíso do narcotráfico». Mais diz: os «federais» montam «espectáculos para perseguir os viciados doentes, mas deixam em paz os narcotraficantes». Também nos recorda o papel da CIA no negócio das drogas. A linha aérea Air América – cujo orçamento nos anos 70 do século passado chegou a 35 milhões de dólares – dedicou-se durante anos a transportar ópio no Sudeste asiático no contexto da agressão ao Vietname. Christopher Robbins escreveu um livro sobre assunto, que serviu de base a um filme de Roger Spottiswoode. De acordo com o governo colonial da ilha, de 20 a 25 milhões de dólares provindos do negócio da droga entram em Porto Rico. Perto de 20 milhões vão parar aos Estados Unidos e o resto fica nas empresas norte-americanas estabelecidas na colónia. Por outro lado, Cancel Miranda lembra que, em Agosto de 1996, o San José Mercury News, de Califórnia, revelou que a CIA vendia cocaína nas comunidades negras da cidade como um mecanismo de financiamento dos contra-revolucionários anti-sandinistas.
Negócio imoral e obrigatório do capitalismo
A droga é um negócio e como tal interessa, e muito, ao capitalismo e à sua manifestação mais elevada e depravada: o imperialismo. E não só ao norte-americano. Já em meados do século XIX, o então capitalismo dominante, o britânico, fazia das suas. Entre 1838 e 1842 deu-se a primeira guerra anglo-chinesa para impor ao país asiático o ópio que vinha da Índia Britânica. Numa segunda guerra, de 1856 a 1860, os franceses juntaram-se aos ingleses e obrigaram os chineses a tratados comerciais desiguais – incluindo a cessão de Hong Kong – que abriram os portos asiáticos à droga e outros produtos. Estas duas guerras e outras mais relacionadas e igualmente imorais provocaram a morte de milhões de chineses que se opunham ao domínio das potências estrangeiras.
A droga é um negócio, mesmo se leva à guerra e a guerra, por si, é outro grande negócio!
Finalizamos com mais de Cancel Miranda. Este ano já morreram mais de 500 homens entre 15 e 30 anos por questões relacionadas com drogas, os suicídios andam pelos 200 e «já há mais pontos de drogas que igrejas». Tudo no nariz das tropas dos EUA.
Se o paramilitar Uribe quer lutar contra a droga, não precisa de bases. Basta-lhe olhar-se no espelho.
– senador Paul Coverdell, Abril 2000.
Poucos meses depois desta declaração de guerra, Coverdell entregava a alma ao diabo. Deixou, porém, quem continuasse a ameaça. Com a desculpa da luta contra os narcotraficantes e os terroristas, para além das três bases já existentes na Colômbia o imperialismo – agora com a «simpatia» de Barak Obama – prepara-se para dispor de mais sete, que não têm outra finalidade senão apontar hostilmente contra os países que decidiram deixar de formar parte do «páteo das traseiras» e tomar decisões soberanas, especialmente sobre as suas matérias primas, leia-se petróleo, gás e... água! Venezuela, Equador e Bolívia são os três primeiros na lista. Mas o Brasil, entre outros, com a biodiversidade da Amazónia, que não se julgue a salvo da voracidade de Washington.
Recordemos só isto. Os Estados Unidos, o maior consumidor de petróleo do mundo – 19 milhões de barris todos os dias – já importa seis de cada dez dos que consome. Por outro lado, se fizesse uso unicamente das suas reservas – 20 mil milhões de barris – teria energia para... três anos! Este pequeno parágrafo explica a necessidade de Washington de controlar as riquezas da América do Sul e por isso estas novas bases, que se juntam às quase 900 – para sermos exactos 865 – que têm distribuídas em 40 países. Em todos os casos contam com a cobardia e cumplicidade venal de governos entreguistas. Num só país têm uma base militar contra a vontade do seu governo. Estamos a falar da base Guantánamo, em Cuba, o único lugar da ilha onde a tortura é uma actividade diária e altamente especializada!
Os «senhores» da droga
Os Estados Unidos são o primeiro consumidor de petróleo no mundo. Também são os primeiros consumidores de drogas, e por alguma razão estranha – talvez nem tanto – é na Colômbia e no Afeganistão, países militarmente ocupados por Washington, onde mais se produz cocaína e ópio, respectivamente. Coincidências? É evidente que não. A droga é um negócio fabuloso e já sabemos que onde cheira a muito dinheiro lá está o império para agarrar o maior talhão.
Rafael Cancel Miranda, investigador de Porto Rico, território ocupado por EUA, afirma que o seu país é um «paraíso do narcotráfico». Mais diz: os «federais» montam «espectáculos para perseguir os viciados doentes, mas deixam em paz os narcotraficantes». Também nos recorda o papel da CIA no negócio das drogas. A linha aérea Air América – cujo orçamento nos anos 70 do século passado chegou a 35 milhões de dólares – dedicou-se durante anos a transportar ópio no Sudeste asiático no contexto da agressão ao Vietname. Christopher Robbins escreveu um livro sobre assunto, que serviu de base a um filme de Roger Spottiswoode. De acordo com o governo colonial da ilha, de 20 a 25 milhões de dólares provindos do negócio da droga entram em Porto Rico. Perto de 20 milhões vão parar aos Estados Unidos e o resto fica nas empresas norte-americanas estabelecidas na colónia. Por outro lado, Cancel Miranda lembra que, em Agosto de 1996, o San José Mercury News, de Califórnia, revelou que a CIA vendia cocaína nas comunidades negras da cidade como um mecanismo de financiamento dos contra-revolucionários anti-sandinistas.
Negócio imoral e obrigatório do capitalismo
A droga é um negócio e como tal interessa, e muito, ao capitalismo e à sua manifestação mais elevada e depravada: o imperialismo. E não só ao norte-americano. Já em meados do século XIX, o então capitalismo dominante, o britânico, fazia das suas. Entre 1838 e 1842 deu-se a primeira guerra anglo-chinesa para impor ao país asiático o ópio que vinha da Índia Britânica. Numa segunda guerra, de 1856 a 1860, os franceses juntaram-se aos ingleses e obrigaram os chineses a tratados comerciais desiguais – incluindo a cessão de Hong Kong – que abriram os portos asiáticos à droga e outros produtos. Estas duas guerras e outras mais relacionadas e igualmente imorais provocaram a morte de milhões de chineses que se opunham ao domínio das potências estrangeiras.
A droga é um negócio, mesmo se leva à guerra e a guerra, por si, é outro grande negócio!
Finalizamos com mais de Cancel Miranda. Este ano já morreram mais de 500 homens entre 15 e 30 anos por questões relacionadas com drogas, os suicídios andam pelos 200 e «já há mais pontos de drogas que igrejas». Tudo no nariz das tropas dos EUA.
Se o paramilitar Uribe quer lutar contra a droga, não precisa de bases. Basta-lhe olhar-se no espelho.