Almeida Bosque morre aos 82 anos

Milhões de cubanos de todas as idades prestaram no domingo, 13, sentida homenagem ao comandante Juan Almeida Bosque, de 82 anos, falecido sexta-feira.
As cerimónias fúnebres – que tiveram o seu epílogo em Santiago de Cuba, onde após a cremação do corpo as cinzas foram depositadas num mausoléu da III Frente Oriental do Exército Rebelde, divisão que liderou durante a revolução que derrubou Fulgêncio Batista em Janeiro de 1959 – tiveram lugar no salão do Memorial José Martí, situado na Praça da Revolução, em Havana, e contaram com a presença do presidente Raul Castro.
Almeida Bosque, juntamente com Raul e Fidel Castro, foi um dos revolucionários presos após a falhada tentativa de assalto ao quartel Moncada, em Santiago de Cuba, em 1953. Postos em liberdade graças a uma amnistia, os três combatentes exilaram-se no México. Em 1956, acompanhados do argentino Ernesto Che Guevara e de mais um punhado de homens, voltam a Cuba a bordo do Granma e iniciam a luta armada pela libertação do país.
Almeida Bosque, que foi vice-presidente do Conselho de Estado e membro do Bureau Político do Partido Comunista de Cuba, não se destacou apenas como comandante da Revolução. Dotado de grande sensibilidade artística, compôs centenas de canções e escreveu mais de uma dezena de livros.
As suas famosas palavras «Aqui no se rinde nadie...!», pronunciadas há mais de meio século no baptismo de fogo do Exército Rebelde, mantêm toda a sua actualidade e continuam a ser um lema para o povo cubano.

Mensagem do PCP

O Secretariado do Comité Central do PCP, em mensagem ao Comité Central do Partido Comunista de Cuba, manifestou o pesar dos comunistas portugueses pela morte do «revolucionário convicto e destacado homem de Estado que foi Juan Almeida Bosque».
«Com uma vida inteira dedicada à Revolução Cubana, desde Moncada até aos nossos dias – refere a mensagem de condolências do PCP –, Juan Almeida Bosque ficará na História como exemplo de abnegação revolucionária e dedicação aos ideais do socialismo e do comunismo».

Solidariedade com os Cinco

Entretanto, a 12 de Setembro, assinalando a passagem do 11.º aniversário do encarceramento dos cinco patriotas cubanos nos Estados Unidos, houve acções de solidariedade com Cuba um pouco por todo o mundo. Foi o caso da Filipinas, por exemplo, onde nem a inclemência do tempo devido à proximidade do tufão Nando desmobilizou quantos responderam ao apelo das organizações de solidariedade e desfilaram em Manila, apesar de as autoridades não terem autorizado a manifestação.
Os manifestantes concentraram-se junto à embaixada dos EUA em Manila e, apesar do forte aparato policial, conseguiram negociar a entrega de um documento exigindo a libertação dos patriotas cubanos.
Recorda-se que Fernando González, René González, Gerardo Hernández, Ramón Labañino e Antonio Guerrero foram presos em 1998 e condenados três anos depois em Miami, Florida, com penas que em conjunto ultrapassam quatro prisões perpétuas por denunciarem os planos dos grupos terroristas ali exilados.


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