Situação dos deficientes em audição do PCP

Um quadro negro a reclamar soluções

São inúmeras e do mais variado tipo as dificuldades que se colocam no dia a dia aos deficientes. No Parlamento, em audição promovida pelo PCP, foi esse quadro de problemas que veio de novo a lume, reclamando por soluções urgentes.

A garantia de uma quota de emprego para os deficientes não está a ser cumprida

No Ano Europeu das Pessoas com Deficiência, para a bancada comunista, com esta iniciativa, tratava-se de ouvir os técnicos do sector e as associações de defesa dos deficientes. Mais precisamente, segundo as palavras do Secretário-Geral do PCP, que interveio no final dos trabalhos, «alertar a sociedade» para a discriminação social e exigir do Governo PSD/CDS-PP o cumprimento das suas promessas.
E o que se ouviu na passada semana da boca de dirigentes associativos, técnicos e deficientes presentes foram palavras muito críticas para com os sucessivos governos.
Atletas deficientes de alta competição que passam fome por falta de apoios e estudantes invisuais sem livros escolares foram algumas das situações testemunhadas por participantes na audição pública, entre queixas de que «os problemas são os mesmos há 30 anos». Mas foi sobre o actual Executivo que incidiu o grosso das críticas, nomeadamente por não promover a integração social.
A falta de verbas nos hospitais públicos para sessões de fisioterapia a crianças com paralisia cerebral, incumprimento de legislação na área do emprego para deficientes foram algumas das críticas ouvidas na audição, onde se pediu mais sensibilização contra a discriminação social.
O grupo parlamentar, que viu aprovado na generalidade o seu projecto de lei ..... (agora em sede de especialidade) tem entretanto em preparação um conjunto de propostas para o próximo Orçamento de Estado.
São «propostas com realismo», como as definiu Carlos Carvalhas, antes de lembrar que quase no fim do Ano Europeu das Pessoas com Deficiência «não basta um selo comemorativo ou a inauguração de um posto de gasolina com acessibilidades para deficientes». É preciso maior coordenação entre os ministérios e é necessário que o Governo cumpria a quota de emprego para deficientes, reclamou o dirigente comunista.

Os obstáculos

Um dos presentes na audição que relatou a sua experiência foi um jovem cego de nascença. Nuno Antunes contou os obstáculos que teve que enfrentar desde o primeiro dia de aulas no Centro Helen Keller, onde «95 dos professores não sabia ler Braille», até ao curso de formação técnico-profissional que foi «impedido» de frequentar por «falta de preparação das instituições da área da grande Lisboa».
Lamentou a «falta de articulação» entre os ministérios da Educação e da Segurança Social, referindo que os livros escolares só chegavam sete meses depois do início das aulas.
Nuno Antunes alertou para o facto de «88 por cento dos cegos estarem desempregados», exigindo «uma resposta urgente» do Governo para promover o emprego. E frisou que «ninguém gosta de andar a pedir no metro» e que «há pessoas que passam fome porque não têm coragem de andar a pedir».
Outro dos intervenientes foi o professor António Vasconcelos, a trabalhar com atletas deficientes de alta competição, que considerou que os deficientes desportistas «são vítimas da maior hipocrisia».
Por falta de apoios do Estado «há atletas de alta competição que passam fome e que são transportados e alojados em más condições», denunciou, observando que apesar de tudo «vão aos Jogos Olímpicos ganhar medalhas».


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