CGTP-IN comenta dados do 1.º trimestre

Milhões exigem mudança

Bancos e grandes empresas apresentam lucros milionários, quando o País e a grande maioria da população sofrem os efeitos de uma crise económica como não se via há décadas, ganhando ainda mais valor a determinação de quem luta por outro rumo.

Os números comprovam que na crise alguns lucram imenso

A CGTP-IN reagiu à divulgação dos resultados do primeiro trimestre, dos maiores bancos e de grandes empresas não financeiras, no mesmo dia em que milhares de trabalhadores se manifestaram em Madrid.
Por um lado, afirma a central, numa nota de imprensa de dia 14, «a acumulação de lucros fabulosos, que só nos três primeiros meses de 2009 ultrapassam os mil milhões de euros, para um conjunto de 12 grupos económicos e financeiros», e o «recorde europeu da desigualdade», que coube a Portugal nas estatísticas mais recentes do Eurostat, «traduzem o crescente desequilíbrio na repartição da riqueza criada».
Mas, por outro lado, «a situação económico-social com que o País se depara vem reforçar não só a necessidade de valorização do trabalho e dos salários, como de imperiosa alteração do modelo de desenvolvimento, para a produção de bens transaccionáveis e um sector produtivo que incorpore um alto valor acrescentado». E, neste contexto, «a luta por tais objectivos, bem patente nas acções de 13 de Março, no 1.º de Maio e hoje, em Madrid, é exemplo da determinação de milhares e milhares de trabalhadores pela mudança de políticas, por um País mais justo».

Quem paga os lucros?

Nos três primeiros meses de 2009, cinco instituições bancárias tiveram lucros de 533,35 milhões de euros, qualquer coisa como a 5,9 milhões de euros por dia. A Intersindical nota que este ano é marcado pela «maior crise económica dos últimos 35 anos», mas realça que, «aos lucros alcançados no 1.º trimestre de 2009, devemos juntar 9 260,1 milhões de euros que estes grupos financeiros acumularam ao longo da governação PSSócrates, ou seja, desde 2005».
Os milhões de euros de lucros apresentados pelos maiores grupos financeiros «só são possíveis, no actual cenário de crise e falta de crédito para a generalidade dos agentes económicos, devido às opções e às prioridades destas instituições». Em concreto, acusa a Inter , são obtidos «à custa dos portugueses, através do aumento do preço dos serviços, como fica demonstrado nas margens impostas nos créditos à habitação ou ao investimento e ao apoio à actividade produtiva».
A CGD, como banco público, tem especiais responsabilidades, já que, «além de não praticar qualquer discriminação positiva para os seus clientes, no âmbito do acesso e condições de crédito (o que constituiria uma maneira de intervir na regulação da concessão de crédito em Portugal), adopta para com outras instituições financeiras o papel de salvaguarda e garante da estabilidade financeira», sendo apontado o exemplo da intervenção no BPN.
Já quanto às empresas não financeiras, a CGTP-IN destaca os resultados daquelas que desempenham actividades essenciais, na electricidade, nos combustíveis e nas telecomunicações, salientando que os 511,4 milhões de euros de lucro «não podem ser dissociados dos preços que os portugueses pagam pelo acesso a estes bens e serviços». É que, «comparando os valores pagos pelos portugueses e aqueles que em média se pagam na UE, verificamos uma enorme disparidade», afirmando a central que há casos em que o valor pago chega a ser, em Portugal, superior em mais de 50 por cento, considerando o preço pago sem impostos.
Neste comentário, a CGTP-IN evocou ainda dados recentes do Eurostat, a indicar que Portugal continua a ser o país da UE com maior desigualdade na distribuição do rendimento: os 20 por cento mais ricos recebem 6,5 vezes mais que os 20 por cento mais pobres, enquanto que esta média na UE é inferior a 5 vezes.

Resultados líquidos no primeiro trimestre de 2009(*)

(milhões de euros)


BCP – 106,7
BES – 110,6
BPI – 50,1
BRISA – 19,5
CGD – 124,2
EDP – 296,1
EDP Renováveis – 49,8
GALP – 49,0
Portucel – 27,9
PT – 166,3
REN – 31,8
Santander Totta – 141,8
ZON – 20,0

TOTAL – 1 193,8

(*) De acordo com as contas oficiais, citadas pela CGTP-IN


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