Islândia arrisca adesão

A primeira-ministra da Islândia, Johanna Sigurdardottir, afirmou, no domingo, 10, que existe uma maioria no novo parlamento eleito favorável à abertura de negociações para adesão do país à União Europeia, apesar das divergências com os Verdes que integram a coligação governamental.
A governante social-democrata anunciou que será apresentado dentro de dias um projecto de lei nesse sentido e que a candidatura deverá ser apresentada a Bruxelas o mais tardar em Julho. No entanto, garantiu, a decisão final ficará sempre dependente de um referendo.
Apesar de as actuais sondagens mostrarem uma maioria favorável à adesão, alguns observadores consideram que esta tendência é um resultado temporário da profunda crise que o país atravessa e da ideia difundida pelos sociais-democratas de que a solução está na futura adopção do euro, como forma de recuperar a credibilidade perdida do sistema financeiro islandês.
Contudo, o partido Esquerda-Verdes tem uma posição contrária à integração europeia que assenta em fortes argumentos. A dimensão reduzida da população, cerca de 320 mil habitantes que alcançaram a independência apenas em 1944, faz com que muitos islandeses receiem perder a sua voz soberana numa UE dominada pelas grandes potências.
Por outro lado, a questão dos recursos marinhos adquire grande relevância, já que se trata de um sector vital para a pequena economia do país. A adesão implicaria submeter-se aos ditames da Política de Pescas Comum e às quotas de pescas definidas por Bruxelas.
Esta e outras consequências da adesão colocar-se-ão com evidência crescente ao longo dos próximos meses. Aos partidários da Europa não está pois garantida uma vitória no próximo referendo.


Mais artigos de: Europa

Desigualdades agravadas

Um relatório do Ministério do Trabalho britânico conclui que as desigualdades de rendimento entre os dez por cento mais pobres e os dez por cento mais ricos se aprofundaram no país em 2007-2008.

Saúde está primeiro

O Parlamento Europeu aprovou, dia 5, um relatório elaborado pela deputada do PCP, Ilda Figueiredo, que incide sobre as normas de comercialização da carne de aves, obrigando a Comissão Europeia a recuar.

Tratado depende de referendo irlandês

O presidente da República Checa, Vaclav Klaus, não se mostrou impressionado com a previsível aprovação do Tratado de Lisboa pelo Senado, no dia 6, depois de ter sido votado favoravelmente pelo parlamento.Apesar das reticências dos liberais do Partido Cívico Democrático (ODS), que dispõem de 36 dos 81 senadores, o...

Igreja italiana empresta aos pobres

O cardeal Bagnasco, presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI) apresentou oficialmente, no dia 6, uma iniciativa da Igreja designada «Empréstimo da Esperança» que irá desenvolver em parceria com a Associação dos Bancos Italianos (ABI)A ideia é propor um crédito de 500 euros por mês, por um período máximo de dois...

Dar força à CDU

As catastróficas previsões económicas, chamadas da «Primavera», recentemente divulgadas pela Comissão Europeia, não são mais do que o retrato das consequências das políticas neoliberais da União Europeia, que são decididas e executadas pelas irmanadas direita e (dita) «social-democracia» (vulgo «socialistas»).Para...