
- Nº 1850 (2009/05/14)
Islândia arrisca adesão
Europa
A primeira-ministra da Islândia, Johanna Sigurdardottir, afirmou, no domingo, 10, que existe uma maioria no novo parlamento eleito favorável à abertura de negociações para adesão do país à União Europeia, apesar das divergências com os Verdes que integram a coligação governamental.
A governante social-democrata anunciou que será apresentado dentro de dias um projecto de lei nesse sentido e que a candidatura deverá ser apresentada a Bruxelas o mais tardar em Julho. No entanto, garantiu, a decisão final ficará sempre dependente de um referendo.
Apesar de as actuais sondagens mostrarem uma maioria favorável à adesão, alguns observadores consideram que esta tendência é um resultado temporário da profunda crise que o país atravessa e da ideia difundida pelos sociais-democratas de que a solução está na futura adopção do euro, como forma de recuperar a credibilidade perdida do sistema financeiro islandês.
Contudo, o partido Esquerda-Verdes tem uma posição contrária à integração europeia que assenta em fortes argumentos. A dimensão reduzida da população, cerca de 320 mil habitantes que alcançaram a independência apenas em 1944, faz com que muitos islandeses receiem perder a sua voz soberana numa UE dominada pelas grandes potências.
Por outro lado, a questão dos recursos marinhos adquire grande relevância, já que se trata de um sector vital para a pequena economia do país. A adesão implicaria submeter-se aos ditames da Política de Pescas Comum e às quotas de pescas definidas por Bruxelas.
Esta e outras consequências da adesão colocar-se-ão com evidência crescente ao longo dos próximos meses. Aos partidários da Europa não está pois garantida uma vitória no próximo referendo.