Comentário

Dar força à CDU

Pedro Guerreiro
As catastróficas previsões económicas, chamadas da «Primavera», recentemente divulgadas pela Comissão Europeia, não são mais do que o retrato das consequências das políticas neoliberais da União Europeia, que são decididas e executadas pelas irmanadas direita e (dita) «social-democracia» (vulgo «socialistas»).
Para Portugal prevêem o aumento sem precedentes do nível de desemprego; a continuação da perda de salário real; dois anos de recessão económica; o crescimento da dívida pública e um défice orçamental que ultrapassará, novamente, os seis por cento.
No entanto, como não podia deixar de ser, quem partilha as responsabilidades pelas políticas que estão na causa da actual situação nacional, apesar do desastroso diagnóstico que faz, apenas continua a prescrever o «remédio» que, afinal, está na raiz do mal, isto é, mais e mais política de direita, mais e mais capitalismo.
Em vez de concluir o óbvio, isto é, que é necessário mudar de política, a Comissão Europeia, como está na sua natureza, faz as suas previsões partindo da premissa e querendo fazer crer da (falsa) inevitabilidade da política de direita, aliás, fazendo jus à essência dos próprios tratados da UE de que diz ser «guardiã» e que estão prenhes de capitalismo.
Mas muito pior que estas «previsões» é a cada vez mais grave realidade de vida para milhões de portugueses que vêem as suas dificuldades a aumentar dia-a-dia.
A cada dia que passa são cada vez mais evidentes e dramáticas as consequências de 33 anos de política de direita realizada pelo PS, PSD e CDS-PP, 23 dos quais com a bênção e o beneplácito da CEE/UE: centenas de milhar de trabalhadores desempregados; banalização da precariedade; desvalorização dos salários, pensões e reformas; brutal intensificação da exploração; destruição e desmantelamento dos serviços públicos; destruição da produção nacional; concentração da riqueza e recuperação dos monopólios; milhões de pobres; mais injustiças, maiores desigualdades, maior dependência externa, desrespeito de liberdades fundamentais e ataques à democracia (e que brutal realidade expressam estas palavras...).

Os truques do costume...

Face às suas responsabilidades pela política de direita e à desastrosa situação a que esta levou o País, com a aproximação das eleições, PS, PSD e o CDS-PP afadigam-se a «sacudir a água do capote».
É vê-los a prometer agora o contrário daquilo que andam a fazer há 33 anos. É vê-los a fingir e a inventar diferenças no acessório, para esconder o quanto estão de acordo no essencial. É vê-los a enganar uma vez mais os portugueses, para puderem continuar com a política de direita e desferir mais ataques contra os trabalhadores, o regime democrático e o projecto de emancipação e de desenvolvimento nacional consagrado na Constituição da República Portuguesa.
Face à força da nossa razão e às reais possibilidades do reforço da CDU, é grande o alarme dos partidos da política de direita (PS, PSD e CDS-PP) e dos grandes interesses financeiros e económicos que estes representam, por isso procuram silenciar e deturpar as nossas posições, por isso mentem descaradamente, por isso utilizam todo o género de provocações e manipulações, como as sondagens, onde tentam condicionar a decisão de voto e levar ao desalento muitos portugueses.
O inefável Governo PS anseia e tudo faz para silenciar a legítima indignação contra a sua política. Para o PS o povo português deve «comer e calar». Bem pode o PS esperar sentado, a CDU continuará a mobilizar, a unir, a lutar contra o intolerável, contra a prepotência, contra a injustiça.
PS, PSD e CDS-PP e os grandes interesses que estes representam sabem que é na CDU que está o grande obstáculo à concretização dos seus intentos. Eles sabem que a CDU é a grande força que constrói na sua acção a possibilidade de uma política diferente, apontando aos trabalhadores e ao povo português o caminho para uma vida melhor.

Até dia 7 de Junho!

Há que dar força aos homens e às mulheres que são portadores de um projecto de transformação para Portugal que dá resposta às necessidades, aos problemas, aos mais legítimos anseios dos trabalhadores e povo português. Há que dar força à CDU!
Mobilizemo-nos para agregar a esperança e as vontades de todos os que aspiram a uma vida melhor, para levar a luta ao voto!
Só do nosso empenhamento e acção colectiva (e individual) pode ser construída uma confiante campanha que vença os sentimentos de desânimo e que novamente «levante do chão» muitos e muitas portuguesas que aspiram a uma vida melhor.
Com entusiasmo entreguemo-nos a este exigente, mas exaltante desafio. Ninguém como nós conhece as dificuldades, ninguém como nós tem a força e a determinação de as vencer. Com alegria, construamos o futuro. Vamos ao trabalho!
Que no dia 7 de Junho nenhum voto falte na CDU!


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