Israel prossegue agressão aos palestinianos

Milhões condenam crime de guerra

A agressão por terra, mar e ar do exército israelita na Faixa de Gaza já provocou cerca de 700 vítimas e mais de 2700 feridos. Em todo o mundo multiplicam-se os protestos contra este crime de guerra. Milhões estão nas ruas em defesa dos povo palestiniano.

Nada nem ninguém se encontra a salvo na Faixa de Gaza

Duas semanas depois do começo da ofensiva israelita, a Faixa de Gaza encontra-se sitiada, dividida em duas partes, com bairros de habitações, escolas, locais de culto, esquadras da polícia, hospitais e estradas em ruínas ou parcialmente destruídas.
Sábado, Israel ordenou a invasão do território de 362 quilómetros quadrados. A oito dias de brutais bombardeamentos sucedeu-se uma investida terrestre, precedida pela mais intensa barreira de fogo de artilharia desde o início do assalto. Tropas de infantaria e tanques, apoiados pela marinha e pela força aérea, tomaram rapidamente posições no Norte da Faixa de Gaza e junto à fronteira com o Egipto.
A ocupação avança. Não sem resistência, é certo, mas a desproporção de meios é abissal e a única réplica possível por parte dos palestinianos é o lançamento de rockets artesanais e, nas zonas urbanas, atrair grupos do exército agressor para emboscadas nas ruas, casa a casa, usando armas, quando as há, e pedras, na maioria dos casos.
Os bombardeamentos sucedem-se dia e noite. Os testemunhos provenientes de Gaza dizem que nada nem ninguém se encontra a salvo. Campos de refugiados pejados de civis, como o de Shati, locais de abrigo procurados pela população indefesa, escolas e missões geridas pela ONU tornaram-se alvos militares da campanha sionista.
Treze membros de uma mesma família morreram num bombardeamento. Outras tantas crianças de duas outras famílias sucumbiram às bombas de Israel, segundo relataram diversos órgãos de comunicação social. The Times noticiou que Israel está a usar fósforo branco, tal qual os EUA usaram na chacina à cidade iraquiana de Fallujah, em 2004. A ofensiva vai continuar, garante o governo de Israel.

Situação dramática

Em Gaza faltam alimentos, medicamentos e materiais para assistência médica, combustível, energia eléctrica, água potável, tudo o que, mesmo à distância, nos pode parecer o mais elementar para a sobrevivência humana, ainda que em zona de guerra.
De acordo com o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV), as baixas temperaturas e total ausência de meios podem vitimar nos próximos dias centenas de pessoas. Crianças, mulheres e idosos estão entre os mais vulneráveis. A Agência das Nações Unidas para os Refugiados pede a Israel que permita o êxodo dos civis. Telavive rejeita a abertura das fronteiras, da mesma forma que dificulta a circulação de veículos de emergência provocando a morte a palestinianos feridos pelos bombardeamentos, acusa a Cruz Vermelha.
Num apelo desesperado, o CICV manifestou-se «extremamente preocupado com o número crescente de civis mortos e feridos e pelo número crescente de infra-estruturas civis, entre as quais hospitais, afectadas pelas operações militares israelitas».
Poucos negam a existência de crimes de guerra. A ministra dos Negócios Estrangeiros israelita, Tzipi Livni, rejeitou a presença de observadores internacionais na Faixa de Gaza. Os jornalistas também estão impedidos de entrar no território.

A indiferença e o repúdio

Paralelamente, no campo diplomático, a «comunidade internacional» afirma estar à procura de uma solução. O Conselho de Segurança das Nações Unidas é incapaz de redigir uma resolução conjunta a condenar os acontecimentos. Ainda assim, Israel já avisou que, se tal ocorrer, não vai respeitar.
Num périplo pela região, o presidente francês, Nicola Sarkozy, reuniu com o demissionário primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, com o presidente da Autoridade Nacional Palestiniana, Mahmoud Abbas, com o presidente Sírio, Bashar al-Assad e com o presidente do Egipto, Hosni Mubarak. As conversações prosseguem sem resultados visíveis para o almejado cessar-fogo.
O Hamas diz que aceita negociar uma trégua e exige o fim do bloqueio que nos últimos 18 meses deixou a Faixa de Gaza numa situação insustentável. Reclama a abertura das fronteiras e a retirada de todas as forças militares israelitas do território, mas Israel rejeita terminantemente aceder a qualquer trégua com o Hamas.
A intransigência israelita é sustentada pela posição dos EUA que insistem que o ataque israelita só pode terminar quando o movimento palestiniano deixar de lançar rockets. Os europeus subscrevem no essencial esta posição.
Contrariamente à indiferença da «comunidade internacional», milhões de pessoas em centenas de cidades de todo o mundo repudiam o ataque contra a Faixa de Gaza (ver fotos). As manifestações exigem a condenação de Israel e expressam a solidariedade dos defensores da paz para com o povo palestiniano. Hoje, iniciativa semelhante ocorre em Lisboa, junto à embaixada de Israel.


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