Greves no lixo em Lisboa
Os trabalhadores da higiene urbana da Câmara Municipal de Lisboa vão cumprir cinco dias de greve, entre os dias 8 e 1 de Dezembro, contra a privatização dos serviços e pela salvaguarda dos postos de trabalho.
Durante cinco dias não haverá recolha de resíduos
No plenários dos dias 19 e 20, no Largo do Município, em Lisboa, os cerca de dois mil e quinhentos trabalhadores do Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos da Câmara Municipal de Lisboa decidiram cumprir um período de greves, a partir de dia 8, que resultará na ausência de recolha de lixo, confirmou ao Avante!, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa, Joaquim Jorge.
Depois de terem chegado rumores ao sindicato sobre a intenção da autarquia, o STML/CGTP-IN enviou ofício, para apurar sobre a verdade dos rumores, ao vereador do pelouro, Marques Perestrelo, mas não obteve resposta. O sindicato enviou outro ofício ao presidente da autarquia solicitando uma audiência a António Costa, mas também não obteve resposta, nem quando duas semanas depois voltou a solicitar um encontro. Só houve, finalmente, confirmação da intenção de privatizar serviços por parte do director do departamento de higiene urbana e resíduos sólidos, «que confirmou que está em fase de elaboração um caderno de encargos com a firma ABC, Associação Baixa-Chiado, a fim de entregar serviços de limpeza urbana, naquela parte da cidade, à iniciativa privada», informou o dirigente sindical.
Na véspera dos plenários, «Marques Perestrelo aceitou receber-nos». No encontro, «o vereador adiantou que a empresa concessionária do Parque-Expo poderá vir a alargar a sua actividade à varredura, lavagem e limpeza de todas as ruas da Freguesia dos Olivais, e justificou a intenção com a falta de meios humanos suficientes na autarquia».
«Se é esse o problema, bastava contratarem mais trabalhadores e não era preciso privatizar, mas este executivo congelou cegamente as admissões», considerou o presidente do STML, salientando que devido ao congelamento não tem havido entradas de novos trabalhadores para compensar as saídas.
Com a alteração da Lei da Aposentação e o aumento da idade de reforma, «há trabalhadores com mais de 55 anos que deviam aposentar-se mas agora não podem e têm que ficar no departamento com serviços melhorados». «Um trabalhador aos 60 anos não tem condições para andar a correr atrás do camião do lixo», afirmou Joaquim Jorge, informando que cerca de 200 trabalhadores estão nesta situação.
«Se entrassem 200 trabalhadores para o quadro do departamento, a situação ficaria resolvida, sem qualquer necessidade de privatização», considerou.
A autarquia também pretende descentralizar estes serviços nas freguesias de Alcântara, Benfica e Marvila, que «passariam a ter uma organização bicéfala, com elementos da Câmara e da freguesia, para orientar e determinar o sistema de lavagem e varredura, o que implicaria alterações nas condições e nos horários de trabalho».
Para o sindicato, estas «são experiências-piloto de um projecto mais vasto que visa terminar na concessão total destes serviços».
Lixo por recolher
Nos plenários, os trabalhadores repudiaram as intenções da gestão PS/BE da autarquia e marcaram um período de greves para os dias 8 a 11 de Dezembro, se o executivo camarário recusar abandonar as concessões e os referidos projectos-piloto.
No dia 8, a greve será ao trabalho extraordinário; no dia 9, parará toda a limpeza urbana; no dia 10, os cantoneiros, e no dia 11, os motoristas. Desta forma, «cada sector cumprirá dois dias de greve e Lisboa ficará sem recolha de lixo durante cinco dias», afirmou o dirigente do STML, salientando que «o objectivo não é tornar a cidade num caos mas garantir a manutenção dos serviços públicos».
«Trata-se de um negócio bastante lucrativo para os investidores privados, em detrimento da qualidade dos serviços prestados, das condições de trabalho e das garantias de emprego no futuro para estes trabalhadores», alertou.
Espaços verdes degradados
Foi, entretanto, concessionada a privados a manutenção de vários espaços verdes da cidade. No início do Verão, o STML tinha alertado para os cortes feitos ao trabalho extraordinário e para a entrega dos serviços a empreitadas privadas.
Também neste sector, «o não preenchimento das vagas no quadro teve como objectivo o seu desmembramento», afirmou Joaquim Jorge.
Actualmente, «já são muito poucos os espaços verdes cuja manutenção é da responsabilidade da Câmara», revelou, salientando que «a esta situação não são alheias as queixas chegadas à CML sobre a crescente degradação dos espaços verdes». «Queremos evitar que o mesmo aconteça na limpeza urbana», afirmou.
Reclassificação aprovada
O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local saudou a aprovação, por unanimidade, da proposta feita na Câmara de Lisboa pela CDU, no dia 22 de Outubro, onde ficou reconhecido o direito à reclassificação profissional pela qual os trabalhadores lutaram durante meses. Mas faltam ainda duas etapas para que a reclassificação se concretize, avisou o STAL/CGTP-IN. Uma, a aprovação, pela Câmara, da alteração efectiva do quadro de pessoal com vínculo público abrangendo todos os trabalhadores; outra, a sua aprovação na Assembleia Municipal.
Depois de terem chegado rumores ao sindicato sobre a intenção da autarquia, o STML/CGTP-IN enviou ofício, para apurar sobre a verdade dos rumores, ao vereador do pelouro, Marques Perestrelo, mas não obteve resposta. O sindicato enviou outro ofício ao presidente da autarquia solicitando uma audiência a António Costa, mas também não obteve resposta, nem quando duas semanas depois voltou a solicitar um encontro. Só houve, finalmente, confirmação da intenção de privatizar serviços por parte do director do departamento de higiene urbana e resíduos sólidos, «que confirmou que está em fase de elaboração um caderno de encargos com a firma ABC, Associação Baixa-Chiado, a fim de entregar serviços de limpeza urbana, naquela parte da cidade, à iniciativa privada», informou o dirigente sindical.
Na véspera dos plenários, «Marques Perestrelo aceitou receber-nos». No encontro, «o vereador adiantou que a empresa concessionária do Parque-Expo poderá vir a alargar a sua actividade à varredura, lavagem e limpeza de todas as ruas da Freguesia dos Olivais, e justificou a intenção com a falta de meios humanos suficientes na autarquia».
«Se é esse o problema, bastava contratarem mais trabalhadores e não era preciso privatizar, mas este executivo congelou cegamente as admissões», considerou o presidente do STML, salientando que devido ao congelamento não tem havido entradas de novos trabalhadores para compensar as saídas.
Com a alteração da Lei da Aposentação e o aumento da idade de reforma, «há trabalhadores com mais de 55 anos que deviam aposentar-se mas agora não podem e têm que ficar no departamento com serviços melhorados». «Um trabalhador aos 60 anos não tem condições para andar a correr atrás do camião do lixo», afirmou Joaquim Jorge, informando que cerca de 200 trabalhadores estão nesta situação.
«Se entrassem 200 trabalhadores para o quadro do departamento, a situação ficaria resolvida, sem qualquer necessidade de privatização», considerou.
A autarquia também pretende descentralizar estes serviços nas freguesias de Alcântara, Benfica e Marvila, que «passariam a ter uma organização bicéfala, com elementos da Câmara e da freguesia, para orientar e determinar o sistema de lavagem e varredura, o que implicaria alterações nas condições e nos horários de trabalho».
Para o sindicato, estas «são experiências-piloto de um projecto mais vasto que visa terminar na concessão total destes serviços».
Lixo por recolher
Nos plenários, os trabalhadores repudiaram as intenções da gestão PS/BE da autarquia e marcaram um período de greves para os dias 8 a 11 de Dezembro, se o executivo camarário recusar abandonar as concessões e os referidos projectos-piloto.
No dia 8, a greve será ao trabalho extraordinário; no dia 9, parará toda a limpeza urbana; no dia 10, os cantoneiros, e no dia 11, os motoristas. Desta forma, «cada sector cumprirá dois dias de greve e Lisboa ficará sem recolha de lixo durante cinco dias», afirmou o dirigente do STML, salientando que «o objectivo não é tornar a cidade num caos mas garantir a manutenção dos serviços públicos».
«Trata-se de um negócio bastante lucrativo para os investidores privados, em detrimento da qualidade dos serviços prestados, das condições de trabalho e das garantias de emprego no futuro para estes trabalhadores», alertou.
Espaços verdes degradados
Foi, entretanto, concessionada a privados a manutenção de vários espaços verdes da cidade. No início do Verão, o STML tinha alertado para os cortes feitos ao trabalho extraordinário e para a entrega dos serviços a empreitadas privadas.
Também neste sector, «o não preenchimento das vagas no quadro teve como objectivo o seu desmembramento», afirmou Joaquim Jorge.
Actualmente, «já são muito poucos os espaços verdes cuja manutenção é da responsabilidade da Câmara», revelou, salientando que «a esta situação não são alheias as queixas chegadas à CML sobre a crescente degradação dos espaços verdes». «Queremos evitar que o mesmo aconteça na limpeza urbana», afirmou.
Reclassificação aprovada
O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local saudou a aprovação, por unanimidade, da proposta feita na Câmara de Lisboa pela CDU, no dia 22 de Outubro, onde ficou reconhecido o direito à reclassificação profissional pela qual os trabalhadores lutaram durante meses. Mas faltam ainda duas etapas para que a reclassificação se concretize, avisou o STAL/CGTP-IN. Uma, a aprovação, pela Câmara, da alteração efectiva do quadro de pessoal com vínculo público abrangendo todos os trabalhadores; outra, a sua aprovação na Assembleia Municipal.