O verdete
Não sei se já repararam - reparo eu todos os dias - que as boas notícias raramente são notícia nos jornais que nos é dado ler, neste tipo de sociedade comunicante. Mal os incêndios se haviam extinguido, logo ressuscitou o caso da pedofilia e aqui também não houve boas notícias, isto é, a notícia de que o caso ia ser julgado pela justiça; o caso foi protelado por um punhado de advogados, no seu direito de protelar.
A boa notícia seria, enfim, a de que a Festa do Avante! ia abrir as suas portas no fim-de-semana que aí vem. Mas logo alguns jornais, ao invés de procurarem saber as novidades desta iniciativa que os comunistas e os seus amigos erguem todos os anos, mercê de esforçados mas alegres trabalhos, preferiram escrever, aproveitando a baba venenosa de alguns ex-comunistas e seus colegas de fé, que na Atalaia não vai haver novidade. «Mais do mesmo!», dizia um deles. E queria dizer que a coisa piora.
Pois nós, que por cá insistimos apesar das certidões de óbito, estamos em condições de esclarecer: claro, mais do mesmo, e sempre melhor. Apesar dos ataques sofridos num assalto em que vemos colaborar não apenas os partidos da direita, representantes do capital na política, como o PS, que alinha nessa representação, e o Presidente da República que lhes assina os diplomas na tentativa de esmagar os direitos dos trabalhadores e de quem, na política, defende tais direitos.
O curioso - se há de facto alguma surpresa nisso - é que, se formos a ver bem, nunca a política de direita, em Portugal, prescindiu de fazer o seu caminho sem o amparo e a emulação de gente e de partidos de «esquerda». Porque, afinal de contas, para passar nas instituições e na opinião pública que o poder vai formando, é muito difícil que o faça sem o aval explícito ou, pelo menos, a «neutralidade» de gente e de formações de «esquerda». Foi assim que a contra-revolução desferiu os seus primeiros golpes nas conquistas de Abril. Foi assim que conseguiu voltar às cadeiras do poder. E é assim que a gente os vai vendo fazer com alguma rapidez o caminho tentador da direita. Agora até já se fala no «esquerdíssimo» Vitorino para secretário-geral da NATO, enquanto se ouve Pina Moura tecer elogios a Ferreira Leite.
Não é de admirar que certos jornais procurem as críticas aos comunistas entre gente que assim se afirma, com ou sem cartão.
Um dia destes haverá quem nos surja vestidinho com o verdete de antanho. Quem tenha guardado entre a naftalina da arca das velharias a fardeta e as ideias velhas e agora as ponha a arejar. De tão conservadas, ainda hão-de dizer que são novas.
A boa notícia seria, enfim, a de que a Festa do Avante! ia abrir as suas portas no fim-de-semana que aí vem. Mas logo alguns jornais, ao invés de procurarem saber as novidades desta iniciativa que os comunistas e os seus amigos erguem todos os anos, mercê de esforçados mas alegres trabalhos, preferiram escrever, aproveitando a baba venenosa de alguns ex-comunistas e seus colegas de fé, que na Atalaia não vai haver novidade. «Mais do mesmo!», dizia um deles. E queria dizer que a coisa piora.
Pois nós, que por cá insistimos apesar das certidões de óbito, estamos em condições de esclarecer: claro, mais do mesmo, e sempre melhor. Apesar dos ataques sofridos num assalto em que vemos colaborar não apenas os partidos da direita, representantes do capital na política, como o PS, que alinha nessa representação, e o Presidente da República que lhes assina os diplomas na tentativa de esmagar os direitos dos trabalhadores e de quem, na política, defende tais direitos.
O curioso - se há de facto alguma surpresa nisso - é que, se formos a ver bem, nunca a política de direita, em Portugal, prescindiu de fazer o seu caminho sem o amparo e a emulação de gente e de partidos de «esquerda». Porque, afinal de contas, para passar nas instituições e na opinião pública que o poder vai formando, é muito difícil que o faça sem o aval explícito ou, pelo menos, a «neutralidade» de gente e de formações de «esquerda». Foi assim que a contra-revolução desferiu os seus primeiros golpes nas conquistas de Abril. Foi assim que conseguiu voltar às cadeiras do poder. E é assim que a gente os vai vendo fazer com alguma rapidez o caminho tentador da direita. Agora até já se fala no «esquerdíssimo» Vitorino para secretário-geral da NATO, enquanto se ouve Pina Moura tecer elogios a Ferreira Leite.
Não é de admirar que certos jornais procurem as críticas aos comunistas entre gente que assim se afirma, com ou sem cartão.
Um dia destes haverá quem nos surja vestidinho com o verdete de antanho. Quem tenha guardado entre a naftalina da arca das velharias a fardeta e as ideias velhas e agora as ponha a arejar. De tão conservadas, ainda hão-de dizer que são novas.