As lições do PS
Terminada que está a Universidade de Verão que o PS acaba de promover, não podem deixar de ser anotadas, com risco de omissão de outras não menos importantes matérias que a vastidão dos objectivos de formação incorporou, duas significativas reflexões que marcaram presença lectiva.
A primeira, fazendo fé em noticias que de lá transpiraram, a que esteve associada ao perene debate e reflexão sobre o rumo, a direcção ou sentido que o partido deve prosseguir. Não sendo no momento relevante tentar perceber o que sobre essa matéria resultou, sabidas que são as diversas e contraditórias orientações que ao longo dos diversos dias alternaram entre as decididas recomendações de viragem à esquerda, aposta no centro ou ida em frente, o que não queremos deixar de sublinhar é, num gesto de elementar justiça, a comprovada resistência dos alunos perante a estonteante sucessão de mudanças de direcção , guinadas e inversões de sentido a que foram sujeitos em tão intenso curso. Resistência tão mais valorizável quanto se levar em linha de conta que a somar a tão bruscas mudanças de direcção, capazes de deixar de cabeça à roda qualquer dos mortais, deva ainda ser somada a conhecida propensão para a direita que à casa se reconhece.
A segunda, para registar com idêntico sentido de justiça que a ninguém deve ser negado, a inovadora contribuição para o acervo da teoria económica que a aula dada por Carlos Zorrinho representou. A afirmação produzida de que o PS deve, em matéria de rumo e orientação política, partir à conquista sobretudo «daquelas pessoas que compram cada uma das propostas políticas pelo seu valor facial», constitui uma indiscutível aquisição no domínio da aplicação económica e das regras de mercado ao convencimento político. Não tanto porque, em absoluto, a aplicação do mercantilismo sobre os eleitores não conhecesse já expressões e testadas provas em versões menos eruditas do tipo da compra de votos ou distribuição de electrodomésticos. Mas sobretudo pelas portas que a novel reflexão de Zorrinho entreabre, dos caminhos que rasga e das possibilidades que oferece em insondados domínios da técnica eleitoral. Imagine-se o que a sua aplicação pode propiciar na relação entre a oferta e a procura (quanto mais propostas mais baixo o valor facial aquisitivo) ou na criação de carteiras de propostas políticas e na sua aplicação bolsista, e facilmente se perceberá que nesta democracia moldada à dimensão dos mercados e do poder do dinheiro, a sua viabilidade e possibilidades de êxito se apresentam promissoras.
A primeira, fazendo fé em noticias que de lá transpiraram, a que esteve associada ao perene debate e reflexão sobre o rumo, a direcção ou sentido que o partido deve prosseguir. Não sendo no momento relevante tentar perceber o que sobre essa matéria resultou, sabidas que são as diversas e contraditórias orientações que ao longo dos diversos dias alternaram entre as decididas recomendações de viragem à esquerda, aposta no centro ou ida em frente, o que não queremos deixar de sublinhar é, num gesto de elementar justiça, a comprovada resistência dos alunos perante a estonteante sucessão de mudanças de direcção , guinadas e inversões de sentido a que foram sujeitos em tão intenso curso. Resistência tão mais valorizável quanto se levar em linha de conta que a somar a tão bruscas mudanças de direcção, capazes de deixar de cabeça à roda qualquer dos mortais, deva ainda ser somada a conhecida propensão para a direita que à casa se reconhece.
A segunda, para registar com idêntico sentido de justiça que a ninguém deve ser negado, a inovadora contribuição para o acervo da teoria económica que a aula dada por Carlos Zorrinho representou. A afirmação produzida de que o PS deve, em matéria de rumo e orientação política, partir à conquista sobretudo «daquelas pessoas que compram cada uma das propostas políticas pelo seu valor facial», constitui uma indiscutível aquisição no domínio da aplicação económica e das regras de mercado ao convencimento político. Não tanto porque, em absoluto, a aplicação do mercantilismo sobre os eleitores não conhecesse já expressões e testadas provas em versões menos eruditas do tipo da compra de votos ou distribuição de electrodomésticos. Mas sobretudo pelas portas que a novel reflexão de Zorrinho entreabre, dos caminhos que rasga e das possibilidades que oferece em insondados domínios da técnica eleitoral. Imagine-se o que a sua aplicação pode propiciar na relação entre a oferta e a procura (quanto mais propostas mais baixo o valor facial aquisitivo) ou na criação de carteiras de propostas políticas e na sua aplicação bolsista, e facilmente se perceberá que nesta democracia moldada à dimensão dos mercados e do poder do dinheiro, a sua viabilidade e possibilidades de êxito se apresentam promissoras.