Democracia made in USA
Acaba de ser formado o primeiro governo do Iraque pós-Saddam: é composto por 25 ministros, todos iraquianos, e não tem primeiro ministro. Nem precisa, tanto quanto nos é dito. Aliás, bem vistas as coisas, nem o governo era preciso: não fora a necessidade imperiosa de o Império exibir o seu acrisolado apego à democracia, à liberdade e aos direitos humanos, e o Iraque poderia continuar como está – que é, de resto, como vai ficar, ou seja, sob a pata bruta do Império.
A criação deste governo é uma farsa, um atentado à inteligência, um insulto à democracia. Antes como depois da formação do governo, quem manda é o Império: Paul Bremer, o homem do Império, é quem, na realidade, desempenha as funções de primeiro ministro e de governo, visto que, em matéria de decisões governamentais, lhe cabe sempre a ele «a última palavra em todas as áreas». No entanto, sublinhe-se a suprema hipocrisia: há neste governo fantoche um Ministério dos Direitos Humanos! – coisa que há-de fazer as delícias democráticas dos propagandistas do Império na lusa comunicação social. Entretanto e para já, os 25 ministros desunham-se em exibições de fidelidade aos interesses dos seus compatriotas, assim como quem diz: «Quem nos escolheu foram os ocupantes, quem nos dá ordens e quem decide tudo são os ocupantes, mas vocês podem contar connosco»...
Paralelamente a esta farsa, e porque, como se sabe, Bush nem dorme com tantas preocupações democráticas, o país ocupante prossegue os esforços visando a elaboração de uma Constituição para o Iraque. O texto constitucional está a ser, ou vai ser, elaborado por uma equipa de especialistas internacionais, gente formada em democracia nas escolas do Império e que a troco de meia dúzia (ou talvez uma dúzia) de milhões de patacos fazem o enorme sacrifício de, em nome da democracia, utilizarem os seus vastos e profundos conhecimentos na elaboração da lei fundamental de um país que, não sendo o deles, está, no entanto, ferreamente ocupado por amigos do peito. Assim se constrói a democracia made in USA.
Recorde-se: no dia em que as tropas do Império ocuparam Bagdad, um iraquiano produziu o seguinte comentário: «Agora temos liberdade, podemos dizer o que quisermos» - e logo acrescentou: «Mas eles farão o que quiserem». Quase acertou: os iraquianos não podem dizer tudo o que quiserem mas os ocupantes fazem, de facto, tudo o que querem.
A criação deste governo é uma farsa, um atentado à inteligência, um insulto à democracia. Antes como depois da formação do governo, quem manda é o Império: Paul Bremer, o homem do Império, é quem, na realidade, desempenha as funções de primeiro ministro e de governo, visto que, em matéria de decisões governamentais, lhe cabe sempre a ele «a última palavra em todas as áreas». No entanto, sublinhe-se a suprema hipocrisia: há neste governo fantoche um Ministério dos Direitos Humanos! – coisa que há-de fazer as delícias democráticas dos propagandistas do Império na lusa comunicação social. Entretanto e para já, os 25 ministros desunham-se em exibições de fidelidade aos interesses dos seus compatriotas, assim como quem diz: «Quem nos escolheu foram os ocupantes, quem nos dá ordens e quem decide tudo são os ocupantes, mas vocês podem contar connosco»...
Paralelamente a esta farsa, e porque, como se sabe, Bush nem dorme com tantas preocupações democráticas, o país ocupante prossegue os esforços visando a elaboração de uma Constituição para o Iraque. O texto constitucional está a ser, ou vai ser, elaborado por uma equipa de especialistas internacionais, gente formada em democracia nas escolas do Império e que a troco de meia dúzia (ou talvez uma dúzia) de milhões de patacos fazem o enorme sacrifício de, em nome da democracia, utilizarem os seus vastos e profundos conhecimentos na elaboração da lei fundamental de um país que, não sendo o deles, está, no entanto, ferreamente ocupado por amigos do peito. Assim se constrói a democracia made in USA.
Recorde-se: no dia em que as tropas do Império ocuparam Bagdad, um iraquiano produziu o seguinte comentário: «Agora temos liberdade, podemos dizer o que quisermos» - e logo acrescentou: «Mas eles farão o que quiserem». Quase acertou: os iraquianos não podem dizer tudo o que quiserem mas os ocupantes fazem, de facto, tudo o que querem.