Eufemismos e avinagrados
Há muito que se metia pelos olhos dentro que os Jogos Olímpicos de Pequim iam ser alvo de uma implacável campanha. O que está agora nítido é que essa campanha incluiu todas as armas. E todas quer dizer mesmo todas.
No plano da propaganda negativa, foi a previsão de ambientes irrespiráveis, tempestades violentas, sismos destruidores. A profissional do espectáculo Carla Bruni encontra-se com o profissional do espectáculo Dalai-Lama. Defensores dos «direitos humanos» desde o prestigiado Bush até personalidades do BE formaram um coro afinado.
Andam todos ao mesmo? Não é caso para se dizer tanto, mas que alguma coincidência os une é um facto insofismável.
E, naturalmente, surgiram - e não será de excluir que venham a assumir expressão ainda mais violenta - acções de sabotagem e terroristas. A rede mediática imperialista assumiu o habitual papel com a mais chocante hipocrisia. Os mesmos media que tratam quaisquer civis inocentes abatidos no Iraque ou no Afeganistão de terroristas e membros da Al-Quaeda mudam de linguagem quando o território é a China. Leiamos o «Guardian» (10.08.08): indivíduos que matam pessoas desarmadas atropelando-as com um camião, que lançam bombas sobre alvos civis, são tratados de separatistas islâmicos, militantes, alegados jihadistas muçulmanos, alegados militantes (se foram presos), extremistas separatistas. Na notícia a palavra terrorista é utilizada uma única vez, entre aspas, quando é feita uma citação das autoridades. Em complemento, a chefe do «movimento de libertação uighur», por feliz acaso residente nos EUA, declara a sua firme defesa do «princípio da não-violência».
Entretanto, o mundo inteiro assistiu ao espectáculo de abertura dos Jogos, dirigido pelo grande realizador Zhang Yimou (que o «Publico» trata elegantemente de «vendido»). Para além da assombrosa criatividade e beleza do espectáculo ninguém poderá ter ficado indiferente ao seu tema central: a marcha da história, abordada com um profundo sentido humanista.
É por isso que estes Jogos deixam alguma gente tão avinagrada. É que, à sua maneira, confirmam que nem de longe se chegou ao «fim da história».
No plano da propaganda negativa, foi a previsão de ambientes irrespiráveis, tempestades violentas, sismos destruidores. A profissional do espectáculo Carla Bruni encontra-se com o profissional do espectáculo Dalai-Lama. Defensores dos «direitos humanos» desde o prestigiado Bush até personalidades do BE formaram um coro afinado.
Andam todos ao mesmo? Não é caso para se dizer tanto, mas que alguma coincidência os une é um facto insofismável.
E, naturalmente, surgiram - e não será de excluir que venham a assumir expressão ainda mais violenta - acções de sabotagem e terroristas. A rede mediática imperialista assumiu o habitual papel com a mais chocante hipocrisia. Os mesmos media que tratam quaisquer civis inocentes abatidos no Iraque ou no Afeganistão de terroristas e membros da Al-Quaeda mudam de linguagem quando o território é a China. Leiamos o «Guardian» (10.08.08): indivíduos que matam pessoas desarmadas atropelando-as com um camião, que lançam bombas sobre alvos civis, são tratados de separatistas islâmicos, militantes, alegados jihadistas muçulmanos, alegados militantes (se foram presos), extremistas separatistas. Na notícia a palavra terrorista é utilizada uma única vez, entre aspas, quando é feita uma citação das autoridades. Em complemento, a chefe do «movimento de libertação uighur», por feliz acaso residente nos EUA, declara a sua firme defesa do «princípio da não-violência».
Entretanto, o mundo inteiro assistiu ao espectáculo de abertura dos Jogos, dirigido pelo grande realizador Zhang Yimou (que o «Publico» trata elegantemente de «vendido»). Para além da assombrosa criatividade e beleza do espectáculo ninguém poderá ter ficado indiferente ao seu tema central: a marcha da história, abordada com um profundo sentido humanista.
É por isso que estes Jogos deixam alguma gente tão avinagrada. É que, à sua maneira, confirmam que nem de longe se chegou ao «fim da história».