Uma questão de classe
Estamos habituadíssimos às manobras de diversão, por parte da ideologia dominante e das suas centrais de difusão. Ora dando novos nomes às coisas, ora decidindo que «as novas realidades» sepultaram o essencial da realidade que persiste, ora mascarando os protagonistas da velha ditadura da burguesia sob as cores «novas» de um presuntivo liberalismo novo.
Foi assim que a antiquíssima luta de classes levou o descaminho do «caixote do lixo da História», como anacronismo empata-desenvolvimento e tolhe-progresso.
É um processo com barbas brancas, tal como o foi e é ainda o «capitalismo popular» que Cavaco Silva tentou ressuscitar das teias de aranha do tempo, no tempo em que, como primeiro-ministro, era tu-cá-tu-lá com a Margaret Thatcher de má memória.
Por cá, e antes dele, já a diáfana Pintassilgo decretara, do alto da sua candidatura a Belém, apoiada pela «esquerda» festiva e irresponsável, que a luta de classes não existia.
Aprendida a lição, com a ajuda internacional da teoria sobre o «fim da História», os patrões e os seus lacaios já vão ao ponto de chamar «colaboradores» aos trabalhadores que exploram. Isto é, os trabalhadores colaboram para encher os bolsos ao patrão e, quando não colaboram a jeito e a lucro, são democraticamente despedidos. Tudo com a publicidade veneradora da comunicação social dominante e dos colaboradores tipo-Chora.
Nesta vastíssima nuvem de confusão lançada sobre as consciências, em que se procura diminuir ou sonegar o papel da luta de classes no rumo da emancipação humana, tem havido um gordo lugar para o logro que o «feminismo» mal digerido assume, assim como para o anti-racismo mal entendido, que procura fazer das mulheres os melhores políticos e dos negros os mais justos.
Teorias aceites e divulgadas por muita gente de progresso e pouco discernimento, não bastam as dúzias de exemplos das dirigentes que usam o género ou a cor da pele para se guindarem ao poder e de lá, perversamente, prosseguirem a exploração e a guerra. Gente como Thatcher, ou Golda Meir, ou Carla del Ponte, ou Madeleine Albright, ou Condolezza Rice (que acumula com a negritude), não abalam as convicções do «feminismo» esotérico. Nem Tshombé, Mobutu, Savimbi, servidores sanguinários do império, desabalam as esperanças de que vai aí chegar um negro que, mesmo no capitalismo, faça justiça.
Obama, que se guindou pela cor diferente mas, sobretudo, pela conversa diferente, já fala doutra maneira, à medida que se aproxima da Casa Branca. De tal modo que os americanos começam a mostrar-se fartos. E desapontados.
Foi assim que a antiquíssima luta de classes levou o descaminho do «caixote do lixo da História», como anacronismo empata-desenvolvimento e tolhe-progresso.
É um processo com barbas brancas, tal como o foi e é ainda o «capitalismo popular» que Cavaco Silva tentou ressuscitar das teias de aranha do tempo, no tempo em que, como primeiro-ministro, era tu-cá-tu-lá com a Margaret Thatcher de má memória.
Por cá, e antes dele, já a diáfana Pintassilgo decretara, do alto da sua candidatura a Belém, apoiada pela «esquerda» festiva e irresponsável, que a luta de classes não existia.
Aprendida a lição, com a ajuda internacional da teoria sobre o «fim da História», os patrões e os seus lacaios já vão ao ponto de chamar «colaboradores» aos trabalhadores que exploram. Isto é, os trabalhadores colaboram para encher os bolsos ao patrão e, quando não colaboram a jeito e a lucro, são democraticamente despedidos. Tudo com a publicidade veneradora da comunicação social dominante e dos colaboradores tipo-Chora.
Nesta vastíssima nuvem de confusão lançada sobre as consciências, em que se procura diminuir ou sonegar o papel da luta de classes no rumo da emancipação humana, tem havido um gordo lugar para o logro que o «feminismo» mal digerido assume, assim como para o anti-racismo mal entendido, que procura fazer das mulheres os melhores políticos e dos negros os mais justos.
Teorias aceites e divulgadas por muita gente de progresso e pouco discernimento, não bastam as dúzias de exemplos das dirigentes que usam o género ou a cor da pele para se guindarem ao poder e de lá, perversamente, prosseguirem a exploração e a guerra. Gente como Thatcher, ou Golda Meir, ou Carla del Ponte, ou Madeleine Albright, ou Condolezza Rice (que acumula com a negritude), não abalam as convicções do «feminismo» esotérico. Nem Tshombé, Mobutu, Savimbi, servidores sanguinários do império, desabalam as esperanças de que vai aí chegar um negro que, mesmo no capitalismo, faça justiça.
Obama, que se guindou pela cor diferente mas, sobretudo, pela conversa diferente, já fala doutra maneira, à medida que se aproxima da Casa Branca. De tal modo que os americanos começam a mostrar-se fartos. E desapontados.