Jerónimo de Sousa no Algarve contesta turismo sem produção

Monocultura das desigualdades

Jerónimo de Sousa participou, sábado, em iniciativas do Partido nos concelhos de Faro, Lagos e Aljezur. Alertando para o aumento das desigualdades, o secretário-geral do PCP acusou o Governo de incentivar a «monocultura do turismo», deixando definhar os sectores produtivos.

Os sec­tores tra­di­ci­o­nais de­fi­nham à me­dida que só se in­veste no tu­rismo

Na sua visita ao Algarve, Jerónimo de Sousa não faltou à já tradicional festa popular promovida pela Comissão Concelhia de Faro do PCP para promoção da Festa do Avante!. Este ano realizada na localidade de Bordeira, na Freguesia de Santa Bárbara de Nexe.
Perante mais de trezentas pessoas, algumas das quais de férias naquela zona do País, o secretário-geral do PCP responsabilizou a política de direita pela situação que se vive na região. Citando estudos oficiais, o dirigente comunista revelou que os cinco por cento mais ricos da região possuem tanto como os 60 por cento mais pobres. Não admira, acrescentou, que o Algarve seja a região do País com o maior índice de pobreza permanente.
Para Jerónimo de Sousa, a «monocultura do turismo», promovida pelo Governo, tem provocado a ruína dos sectores tradicionais, como a agricultura, as pescas e a indústria. Isto apesar de o País enfrentar, actualmente, um elevado défice agro-alimentar.
Em sua opinião, os dez projectos de interesse nacional voltados para o golfe e para os resorts «não podem ser razão para o abandono das terras, o abate de barcos e o esquecimento da indústria conserveira». E rejeitou as declarações do ministro da Economia, Manuel Pinho, segundo o qual o turismo seria o petróleo de Portugal.
Jerónimo de Sousa lembrou que na altura das greves dos pescadores, o Governo afirmava não ter condições para atender às suas reivindicações, no entanto, apenas algumas semanas depois, já dispõe de «milhões para destruir a nossa frota pesqueira». Entretanto, está previsto o abate de mais 27 embarcações.

Al­moço em Lagos

Ao almoço, num restaurante de Chinicato, no concelho de Lagos, o secretário-geral do PCP manifestou o seu agrado com a dimensão da iniciativa: mais de cento e cinquenta pessoas, entre os quais muitos que não eram militantes comunistas, encheram a transbordar a sala reservada para o almoço.
Para o secretário-geral comunista, isto mostra que «muitos amigos estão com o PCP». Não só no convívio mas também nas lutas quotidianas. Reconhecendo que o Partido não tem uma «excelente organização» no concelho de Lagos, Jerónimo de Sousa não deixou de valorizar os passos que estão a ser dados para o seu reforço. Tão expressiva presença de simpatizantes do Partido é uma prova disso mesmo.
Abordando, na sua intervenção, vários aspectos da realidade da região e do País, o dirigente comunista manifestou grande confiança na possibilidade de inverter a situação actual. Para tal, é necessário um novo caminho, que rompa com as orientações da política de direita.
Em seguida, Jerónimo de Sousa apelou a todas as forças políticas e sociais e a todos os democratas para que convirjam no sentido de exigir uma política alternativa. Uma política, explicitou, voltada para o crescimento económico, para a defesa do aparelho produtivo e da produção nacional, para a valorização dos salários e direitos dos trabalhadores.
Se isto for alcançado, garantiu o secretário-geral do PCP, será possível a construção de uma alternativa política, que tenha na Constituição da República Portuguesa uma «plataforma mínima». O reforço do Partido é condição essencial para esta alternativa, assegurou Jerónimo de Sousa.

Novo Centro de Tra­balho em Al­jezur
>De portas abertas para a vida

De manhã, Jerónimo de Sousa esteve em Aljezur a inaugurar o novo Centro de Trabalho do Partido. A esperá-lo estavam algumas dezenas de militantes e amigos do PCP no concelho, que o acompanharam ao local – no rés-do-chão de um novo edifício de dois pisos junto ao mercado municipal.
Juntamente com Francisco Sérgio, membro da Comissão Concelhia local, Jerónimo de Sousa descerrou a placa, inaugurando simbolicamente o novo Centro de Trabalho. No interior, num breve convívio, o secretário-geral do Partido afirmou não ser por acaso que os comunistas chamam às casas do Partido centros de trabalho: mais do que locais de convívio e encontro, estes são espaços de onde «deve irradiar a nossa actividade e a nossa influência», afirmou Jerónimo de Sousa. Assim, reafirmou, «esta deve ser uma casa com as portas abertas para a vida».
Lembrando que há não muito tempo havia os que juravam que o PCP estava «condenado» e a desaparecer, o dirigente do PCP realçou serem estes os mesmos que, hoje, «temem o nosso crescimento». Após confirmar que o Partido se está a reforçar, Jerónimo de Sousa salientou que isto só está a ser possível porque «valorizamos a organização».
Antes, Sofia Costa tinha já valorizado a contribuição dada por muitos militantes e amigos do Partido em Aljezur para tornarem realidade a abertura do Centro de Trabalho. A dirigente concelhia do PCP realçou ainda os muitos obstáculos que foi necessário superar e as oposições que se tiveram de vencer.


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