O estudo do discurso
No discurso do 25 de Abril, o PR serviu-se dum estudo, que encomendou à Católica, para discorrer sobre o «distanciamento dos jovens» da política e preparar o anúncio de propostas «para minorar ou inverter esta situação». Mas a verdade é que o estudo foi manipulado para encaixar numa nova operação, que visa a contra-reforma do sistema político.
Os jovens adultos participam tanto ou mais do que os mais velhos
Vivemos uma situação económica, social e política, de grande complexidade e com elementos de enorme gravidade para os trabalhadores e vastos sectores da população.
A catadupa devastadora das políticas de direita, a guerra declarada contra os trabalhadores e os seus direitos, a dimensão esmagadora da polarização da riqueza e da injustiça social, a perversão de conteúdos essenciais da democracia e da soberania nacional são causas de indignação e protesto, de degradação da base de apoio do Governo PS/Sócrates e das suas políticas e de um assinalável surto da luta de massas.
Neste quadro, que se traduz na Moção de Censura que o PCP apresentou na AR, as dificuldades do Governo são evidentes. A ofensiva das políticas de direita carece da «convergência estratégica» do PR, carece da cobertura dum PSD à espera que lhe caia no regaço a alternância sem alternativa e carece de avanços na contra reforma do sistema político.
O discurso do PR tem de ser lido nesta conjuntura e no quadro do objectivo de levar até ao fim o programa da direita de transformar a Constituição num mero acervo de normas do rotativismo dos partidos das políticas de direita e de liquidação do projecto libertador de Abril.
O estudo da Universidade Católica
Não é possível aprofundar muitos aspectos do estudo. Temos de nos cingir ao que importa para demonstrar algumas leituras enviesadas ou parciais expressas no discurso do PR.
Mas antes, referir que o erro máximo do estudo pode ser superior aos +/- 2,2% que ele próprio admite, porque a amostra não é ponderada, do ponto de vista sociológico e político, e incide sobre freguesias seleccionadas aleatoriamente.
Tendo isto presente, vamos à substância do que disse o PR.
«É notória a insatisfação dos portugueses com o funcionamento da democracia» e a «atitudes favoráveis a reformas profundas»; o estudo confirma-o, mas também informa que os jovens adultos (18-29), como os mais velhos (30-64), dizem que a situação era bem melhor há 10 anos. E o estudo conclui que mais de 24% destes grupos etários é favorável a mudanças radicais - o que, não sendo claro, parece um indício positivo.
O estudo relativiza que o grupo etário dos 15-17 seja menos conhecedor, menos participativo, ou mais favorável a «pequenas mudanças» e afirma que «a explicação convencional é a ligada aos efeitos do ciclo de vida».
Quanto à questão chave do discurso presidencial, a verdade é que, diversamente do que disse o PR, não existe «distanciamento dos jovens em relação à política».
O estudo afirma, preto no branco – «quando comparamos os jovens adultos, 18-29, com os mais velhos, são raras as circunstâncias em que não exibem predisposições e comportamentos participativos semelhantes ou até mais elevados do que o resto da população ... os jovens adultos portugueses escapam aos últimos lugares internacionais ... Têm manifestações ... no grau mais elevado de eficácia que atribuem a quase todas as formas de participação política, convencionais ou não». Ou seja, conforme os dados do estudo, o voto e a opção partidária vão crescendo no ciclo de vida, mas os jovens adultos «tendem a ser menos cépticos que os mais velhos» e a sua «disponibilidade ... e participação real podem ser vistos como comparativamente elevados».
Uma última questão quanto às «medidas destinadas a melhorar a qualidade do sistema democrático», conforme diz o PR. O estudo conclui pela «predisposição altamente favorável da população para a introdução de reformas políticas e institucionais que possam aumentar e diversificar os modos de participação política ... evidentemente, isto nada diz sobre as maneiras concretas de colocar em prática semelhantes reformas».
*
* *
O PR Cavaco Silva, para além do «esquecimento» da sua responsabilidade, em 10 anos de Governo, por políticas que diminuíram o acesso à informação e a participação democrática da juventude e da «deslembrança» da sua protecção («estratégica») às políticas deste Governo de guerra aos direitos e perspectivas de futuro dos jovens, teve ainda a óbvia «amnésia» de censurar no seu discurso o «vender ilusões», na mesma semana em deu cobertura ao incumprimento das promessas do Governo PS de melhorar a legislação laboral, ou do PS e PSD de referendar o Tratado Europeu.
Está tudo claro. O que visou o PR Cavaco Silva foi pressionar as contra-reformas do sistema político, no sentido de perpetuar no poder o PS e/ou o PSD e as mesmas políticas de direita.
Mas fica também claro que a juventude, os trabalhadores e o povo «não se resignam». A luta continua. Para cumprir Abril.
A catadupa devastadora das políticas de direita, a guerra declarada contra os trabalhadores e os seus direitos, a dimensão esmagadora da polarização da riqueza e da injustiça social, a perversão de conteúdos essenciais da democracia e da soberania nacional são causas de indignação e protesto, de degradação da base de apoio do Governo PS/Sócrates e das suas políticas e de um assinalável surto da luta de massas.
Neste quadro, que se traduz na Moção de Censura que o PCP apresentou na AR, as dificuldades do Governo são evidentes. A ofensiva das políticas de direita carece da «convergência estratégica» do PR, carece da cobertura dum PSD à espera que lhe caia no regaço a alternância sem alternativa e carece de avanços na contra reforma do sistema político.
O discurso do PR tem de ser lido nesta conjuntura e no quadro do objectivo de levar até ao fim o programa da direita de transformar a Constituição num mero acervo de normas do rotativismo dos partidos das políticas de direita e de liquidação do projecto libertador de Abril.
O estudo da Universidade Católica
Não é possível aprofundar muitos aspectos do estudo. Temos de nos cingir ao que importa para demonstrar algumas leituras enviesadas ou parciais expressas no discurso do PR.
Mas antes, referir que o erro máximo do estudo pode ser superior aos +/- 2,2% que ele próprio admite, porque a amostra não é ponderada, do ponto de vista sociológico e político, e incide sobre freguesias seleccionadas aleatoriamente.
Tendo isto presente, vamos à substância do que disse o PR.
«É notória a insatisfação dos portugueses com o funcionamento da democracia» e a «atitudes favoráveis a reformas profundas»; o estudo confirma-o, mas também informa que os jovens adultos (18-29), como os mais velhos (30-64), dizem que a situação era bem melhor há 10 anos. E o estudo conclui que mais de 24% destes grupos etários é favorável a mudanças radicais - o que, não sendo claro, parece um indício positivo.
O estudo relativiza que o grupo etário dos 15-17 seja menos conhecedor, menos participativo, ou mais favorável a «pequenas mudanças» e afirma que «a explicação convencional é a ligada aos efeitos do ciclo de vida».
Quanto à questão chave do discurso presidencial, a verdade é que, diversamente do que disse o PR, não existe «distanciamento dos jovens em relação à política».
O estudo afirma, preto no branco – «quando comparamos os jovens adultos, 18-29, com os mais velhos, são raras as circunstâncias em que não exibem predisposições e comportamentos participativos semelhantes ou até mais elevados do que o resto da população ... os jovens adultos portugueses escapam aos últimos lugares internacionais ... Têm manifestações ... no grau mais elevado de eficácia que atribuem a quase todas as formas de participação política, convencionais ou não». Ou seja, conforme os dados do estudo, o voto e a opção partidária vão crescendo no ciclo de vida, mas os jovens adultos «tendem a ser menos cépticos que os mais velhos» e a sua «disponibilidade ... e participação real podem ser vistos como comparativamente elevados».
Uma última questão quanto às «medidas destinadas a melhorar a qualidade do sistema democrático», conforme diz o PR. O estudo conclui pela «predisposição altamente favorável da população para a introdução de reformas políticas e institucionais que possam aumentar e diversificar os modos de participação política ... evidentemente, isto nada diz sobre as maneiras concretas de colocar em prática semelhantes reformas».
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O PR Cavaco Silva, para além do «esquecimento» da sua responsabilidade, em 10 anos de Governo, por políticas que diminuíram o acesso à informação e a participação democrática da juventude e da «deslembrança» da sua protecção («estratégica») às políticas deste Governo de guerra aos direitos e perspectivas de futuro dos jovens, teve ainda a óbvia «amnésia» de censurar no seu discurso o «vender ilusões», na mesma semana em deu cobertura ao incumprimento das promessas do Governo PS de melhorar a legislação laboral, ou do PS e PSD de referendar o Tratado Europeu.
Está tudo claro. O que visou o PR Cavaco Silva foi pressionar as contra-reformas do sistema político, no sentido de perpetuar no poder o PS e/ou o PSD e as mesmas políticas de direita.
Mas fica também claro que a juventude, os trabalhadores e o povo «não se resignam». A luta continua. Para cumprir Abril.