O director, o cronista e o provedor
Discreto, discretíssimo, em meia dúzia de linhas dir-se-ia que tiradas a ferros, António Barreto veio explicar a abjecção que há quinze dias produziu a partir de uma carta falsa e provocatória divulgada num livro de que fazia o panegírico. Explica ele que considerou a carta autêntica porque ninguém a havia posto em causa; e agora que alguém a negou, pede desculpa... Enfim: pior a emenda que o barrete...
Curiosamente, no mesmo dia em que Barreto se explicou, o «provedor do leitor» pronunciou-se e ouviu sobre o assunto o Director do Público. Opina o provedor que «a leitura da carta atribuída a Rosa Coutinho sugeria tratar-se de carta apócrifa» - mas logo acrescenta, cheio de condescendência: «Por muito exóticas que fossem as declarações da época»...
Quanto a José Manuel Fernandes (JMF) informou que leu o dito livro e que sobre ele escreveu uma crónica no Público; que, ao ler a dita carta, foi saber como era e apurou que era falsa.
Então, recapitulando: JMF escreveu sobre um livro no qual encontrou, transcrita, uma carta em que pessoas concretas são acusadas, designadamente, de ordenar a matança de crianças, mulheres e velhos; sabe que a carta é falsa; contudo, não refere essa falsidade e desfaz-se em elogios ao livro do qual diz que «cada página é um soco no estômago» – e, na passada, aproveita para, pela enésima vez, condenar os «maiores horrores» praticados pelos comunistas...
Convém sublinhar – visto que nem o provedor nem JMF aludiram ao facto – que JMF participou na sessão de apresentação do livro. Mais do que isso: ele aceitou o convite para essa participação antes mesmo de ter lido o livro... – e, insista-se, apesar de saber da falsidade da carta, silenciou o facto, certamente para não ensombrar os elogios que fez ao livro...
Assim, entre a crónica de Barreto (suportada na suposta ignorância dos factos) e o silenciamento dos factos por JMF(feito com a consciência da sua falsidade), vai o passo de um anão... – e o provedor (dito) do leitor acompanha a passada.
Director, cronista e provedor formam um trio que é um caso sério em matéria de respeito pelos destinatários dos seus escritos...
Curiosamente, no mesmo dia em que Barreto se explicou, o «provedor do leitor» pronunciou-se e ouviu sobre o assunto o Director do Público. Opina o provedor que «a leitura da carta atribuída a Rosa Coutinho sugeria tratar-se de carta apócrifa» - mas logo acrescenta, cheio de condescendência: «Por muito exóticas que fossem as declarações da época»...
Quanto a José Manuel Fernandes (JMF) informou que leu o dito livro e que sobre ele escreveu uma crónica no Público; que, ao ler a dita carta, foi saber como era e apurou que era falsa.
Então, recapitulando: JMF escreveu sobre um livro no qual encontrou, transcrita, uma carta em que pessoas concretas são acusadas, designadamente, de ordenar a matança de crianças, mulheres e velhos; sabe que a carta é falsa; contudo, não refere essa falsidade e desfaz-se em elogios ao livro do qual diz que «cada página é um soco no estômago» – e, na passada, aproveita para, pela enésima vez, condenar os «maiores horrores» praticados pelos comunistas...
Convém sublinhar – visto que nem o provedor nem JMF aludiram ao facto – que JMF participou na sessão de apresentação do livro. Mais do que isso: ele aceitou o convite para essa participação antes mesmo de ter lido o livro... – e, insista-se, apesar de saber da falsidade da carta, silenciou o facto, certamente para não ensombrar os elogios que fez ao livro...
Assim, entre a crónica de Barreto (suportada na suposta ignorância dos factos) e o silenciamento dos factos por JMF(feito com a consciência da sua falsidade), vai o passo de um anão... – e o provedor (dito) do leitor acompanha a passada.
Director, cronista e provedor formam um trio que é um caso sério em matéria de respeito pelos destinatários dos seus escritos...