A pressa do Capital
O exacerbar do nacionalismo georgiano contribuiu para a desintegração soviética
Na região do Caúcaso, a confrontação em torno da Geórgia subiu de tom nas últimas semanas. Depois da NATO na sua Cimeira de Bucareste ter “decretado” a inclusão a prazo da Geórgia (e Ucrânia), a decisão da Rússia de reforçar o relacionamento oficial com as repúblicas autoproclamadas da Abkházia e Ossétia do Sul, fez com que EUA, NATO e UE se desdobrassem em anúncios e ameaças veladas em defesa do regime e poder de Tbilissi.
Numa declaração de 21 de Abril, o Conselho da UE reafirma enfaticamente o compromisso com a «soberania e a integridade territorial da Geórgia dentro das suas fronteiras reconhecidas internacionalmente», considerando que a posição russa mina os «esforços internacionais de paz». Já os EUA exortaram Moscovo a «cessar o seu comportamento intimidatório no Cáucaso». Um comunicado conjunto dos EUA, Reino Unido, França e Alemanha, divulgado dia 23 na ONU e prontamente compartido pela NATO, expressa por sua vez «grande preocupação» com a política do Kremlin e insta a Rússia a revogar a decisão de «estabelecer vínculos legais» com as duas repúblicas independentistas georgianas.
Perguntar-se-ia, então e o Kosovo, cuja secessão violenta da Sérvia – coroada pela «declaração unilateral de independência» de 17 de Fevereiro – foi imposta e apadrinhada pelo imperialismo em frontal violação de toda a legalidade internacional e da própria resolução 1244 do Conselho de Segurança da ONU? Que, recorde-se, foi aprovada no fim da intervenção da NATO como forma de legitimação a posteriori de uma guerra criminosa que ditou o desmembramento da Jugoslávia. A pretensão dos tutores da pseudo-independência do Kosovo de invocar ali um «estatuto especial e sem precedentes» apenas ajuda a desvelar o grau de mentira e suprema hipocrisia hoje em cena nas relações internacionais.
Até porque, independentemente da agenda do Kremlin e do agravamento das contradições inter-capitalistas e pressões sobre a Rússia que o alargamento da NATO e o projecto do escudo anti-míssil inequivocamente representam, a análise concreta da realidade georgiana haveria também de descortinar as marcas do processo inconstitucional que levou à desagregação da URSS, contra a vontade popular expressa no referendo de 17 de Março de 1991, nos processos de «independência» da Abkházia e Ossétia do Sul.
O exacerbar do nacionalismo georgiano, com Gamssakhurdia, foi um dos esteios que contribuiu para a desintegração soviética. Sob o aplauso de Washington. Opção depois prosseguida com Shevarnadze e que serve hoje, com Saakhasvili, a radicalização de um poder opressivo que encontra na subjugação cega ao imperialismo a condição da sua sobrevivência: a Geórgia onde a pobreza é generalizada fez questão de enviar para o Iraque ocupado mais de dois mil soldados...
Na perigosa escalada das tensões e desestabilização internacional, o Kosovo representa um novo e inaudito patamar do assalto às soberanias nacionais e tentativa de firmar uma nova ordem mundial .
O grande capital tem pressa. O espectro de uma crise económica mundial de dimensão desconhecida acicata mais a sua fuga para a frente. Luís Amado confessa no parlamento nacional que foi a crise que levou à opção de ratificar o Tratado de Lisboa por via parlamentar e sem demoras. A UE assume-se já sem complexos como rendida ao núcleo duro da defesa e segurança (onde já vai a «coesão social»?).
A agressividade imperialista não é um sinal de força do sistema. Mas os perigos de uma regressão civilizacional de consequências devastadoras são reais e exigem uma resposta que apenas o avanço crucial da luta libertadora dos trabalhadores e dos povos está em condições de dar.
Numa declaração de 21 de Abril, o Conselho da UE reafirma enfaticamente o compromisso com a «soberania e a integridade territorial da Geórgia dentro das suas fronteiras reconhecidas internacionalmente», considerando que a posição russa mina os «esforços internacionais de paz». Já os EUA exortaram Moscovo a «cessar o seu comportamento intimidatório no Cáucaso». Um comunicado conjunto dos EUA, Reino Unido, França e Alemanha, divulgado dia 23 na ONU e prontamente compartido pela NATO, expressa por sua vez «grande preocupação» com a política do Kremlin e insta a Rússia a revogar a decisão de «estabelecer vínculos legais» com as duas repúblicas independentistas georgianas.
Perguntar-se-ia, então e o Kosovo, cuja secessão violenta da Sérvia – coroada pela «declaração unilateral de independência» de 17 de Fevereiro – foi imposta e apadrinhada pelo imperialismo em frontal violação de toda a legalidade internacional e da própria resolução 1244 do Conselho de Segurança da ONU? Que, recorde-se, foi aprovada no fim da intervenção da NATO como forma de legitimação a posteriori de uma guerra criminosa que ditou o desmembramento da Jugoslávia. A pretensão dos tutores da pseudo-independência do Kosovo de invocar ali um «estatuto especial e sem precedentes» apenas ajuda a desvelar o grau de mentira e suprema hipocrisia hoje em cena nas relações internacionais.
Até porque, independentemente da agenda do Kremlin e do agravamento das contradições inter-capitalistas e pressões sobre a Rússia que o alargamento da NATO e o projecto do escudo anti-míssil inequivocamente representam, a análise concreta da realidade georgiana haveria também de descortinar as marcas do processo inconstitucional que levou à desagregação da URSS, contra a vontade popular expressa no referendo de 17 de Março de 1991, nos processos de «independência» da Abkházia e Ossétia do Sul.
O exacerbar do nacionalismo georgiano, com Gamssakhurdia, foi um dos esteios que contribuiu para a desintegração soviética. Sob o aplauso de Washington. Opção depois prosseguida com Shevarnadze e que serve hoje, com Saakhasvili, a radicalização de um poder opressivo que encontra na subjugação cega ao imperialismo a condição da sua sobrevivência: a Geórgia onde a pobreza é generalizada fez questão de enviar para o Iraque ocupado mais de dois mil soldados...
Na perigosa escalada das tensões e desestabilização internacional, o Kosovo representa um novo e inaudito patamar do assalto às soberanias nacionais e tentativa de firmar uma nova ordem mundial .
O grande capital tem pressa. O espectro de uma crise económica mundial de dimensão desconhecida acicata mais a sua fuga para a frente. Luís Amado confessa no parlamento nacional que foi a crise que levou à opção de ratificar o Tratado de Lisboa por via parlamentar e sem demoras. A UE assume-se já sem complexos como rendida ao núcleo duro da defesa e segurança (onde já vai a «coesão social»?).
A agressividade imperialista não é um sinal de força do sistema. Mas os perigos de uma regressão civilizacional de consequências devastadoras são reais e exigem uma resposta que apenas o avanço crucial da luta libertadora dos trabalhadores e dos povos está em condições de dar.