O porta-voz
Há quem pense que pode tomar um Povo inteiro por parvo. Convencido de que uma frase bem esgalhada, redondinha, daquelas que deixam qualquer um atónito perante o arrogância e o ridículo de quem a produz, Vitalino Canas – porta-voz do PS – referindo-se ao balanço que o seu partido fazia dos três anos deste governo, falava assim: «foram tantas as coisas que fizemos bem, que não temos de perder tempo com o que fizemos mal».
Alguns dias depois, o próprio, já noutra qualidade, revelaria ao Diário de Notícias que a convite da associação patronal das empresas de trabalho temporário era, desde Junho de 2007, o «provedor do Trabalhador Temporário». Como o próprio confirmaria, o seu papel é o de «rentabilizar em termos a imagem» as empresas do sector, onde «os direitos dos trabalhadores estão basicamente garantidos» apesar de desabafar que «a legislação do trabalho ainda é demasiado rígida».
Registe-se, entretanto, que as empresas de trabalho temporário - que em Portugal têm contratos com muitos milhares de trabalhadores - são na prática empresas que servem para fazer baixar os custos da exploração da mão-de-obra para o Capital, liquidar direitos e impor condições de trabalho cada vez piores. Delas beneficiam quem as explora directamente e quem compra a sua «mercadoria».
Sem esquecer o descaramento do dirigente do PS, há que reconhecer o pragmatismo do patronato. Para quê contratar alguém, porventura mais inexperiente e desinteressado, quando o próprio porta-voz do PS está disponível? Se é com este governo que estas empresas mais cresceram e a precariedade mais se alargou, se é fazendo fé neste governo que os patrões esperam alcançar as alterações para pior ao Código do Trabalho, porque não, governo e patrões, falarem a uma só voz?
Uma criatura deste calibre só pode exibir-se desta maneira quando a convergência e a sintonia de interesses entre o poder político e o poder económico é enorme. O PS é, há muito tempo, o «Partido do Trabalho Temporário», o partido dos contratos a prazo, o partido dos recibos verdes, o partido do trabalho clandestino e ilegal, o partido da precariedade.
O ataque à legislação laboral, no seguimento do relatório do Livro Branco, é o próximo passo na ofensiva contra os trabalhadores. O Governo PS e o patronato só estão à espera da melhor oportunidade para avançar com mais despedimentos, mais precariedade, mais instabilidade na vida de quem trabalha. Quem o diz é o seu porta-voz.
Alguns dias depois, o próprio, já noutra qualidade, revelaria ao Diário de Notícias que a convite da associação patronal das empresas de trabalho temporário era, desde Junho de 2007, o «provedor do Trabalhador Temporário». Como o próprio confirmaria, o seu papel é o de «rentabilizar em termos a imagem» as empresas do sector, onde «os direitos dos trabalhadores estão basicamente garantidos» apesar de desabafar que «a legislação do trabalho ainda é demasiado rígida».
Registe-se, entretanto, que as empresas de trabalho temporário - que em Portugal têm contratos com muitos milhares de trabalhadores - são na prática empresas que servem para fazer baixar os custos da exploração da mão-de-obra para o Capital, liquidar direitos e impor condições de trabalho cada vez piores. Delas beneficiam quem as explora directamente e quem compra a sua «mercadoria».
Sem esquecer o descaramento do dirigente do PS, há que reconhecer o pragmatismo do patronato. Para quê contratar alguém, porventura mais inexperiente e desinteressado, quando o próprio porta-voz do PS está disponível? Se é com este governo que estas empresas mais cresceram e a precariedade mais se alargou, se é fazendo fé neste governo que os patrões esperam alcançar as alterações para pior ao Código do Trabalho, porque não, governo e patrões, falarem a uma só voz?
Uma criatura deste calibre só pode exibir-se desta maneira quando a convergência e a sintonia de interesses entre o poder político e o poder económico é enorme. O PS é, há muito tempo, o «Partido do Trabalho Temporário», o partido dos contratos a prazo, o partido dos recibos verdes, o partido do trabalho clandestino e ilegal, o partido da precariedade.
O ataque à legislação laboral, no seguimento do relatório do Livro Branco, é o próximo passo na ofensiva contra os trabalhadores. O Governo PS e o patronato só estão à espera da melhor oportunidade para avançar com mais despedimentos, mais precariedade, mais instabilidade na vida de quem trabalha. Quem o diz é o seu porta-voz.