Aliança Torcionária transatlântica

Rui Paz

Procurar legalizar a tortura e apresentá-la como um bem para os cidadãos

George Bush vetou recentemente uma tentativa da Câmara dos Representantes para impedir a prática da tortura pelos Estados Unidos. Na defesa dos métodos torcionários da CIA e do Pentágono, o presidente norte-americano invocou «estar provado» o sucesso da tortura na «defesa da América». Há que reconhecer que o «democrata máximo» do capitalismo nunca disse uma verdade tão grande apesar do mar de mentiras com que tem inundado o mundo para agredir cada vez mais estados e povos soberanos. De facto, ao longo do século vinte, numerosas ditaduras, dirigidas por generais formados nas escolas militares norte-americanas utilizaram a tortura como o método mais eficaz para a defesa dos interesses do imperialismo em todos os continentes. Nem a Europa escapou, como ficou comprovado pelo fascismo português, membro fundador da NATO, e por ditaduras idênticas na Turquia, na Grécia e na Espanha, especializadas na tortura, prisão e assassínio de comunistas e de outros democratas.

Neste aspecto, a diferença entre as ditaduras fascistas e a actual prática da administração norte-americana situa-se fundamentalmente no facto de Washington, ao contrário daqueles regimes terroristas, procurar legalizar a tortura e apresentá-la como um bem para os cidadãos, como uma obra prima do chamado «estado de direito». Eis o fim da demagogia desses «democratas» de meia tigela que em Portugal costumam louvar os Estados Unidos como o expoente máximo da «democracia». Não esqueçamos os elogios de Sócrates, ainda não há muito tempo, à «democracia norte-americana» durante a sua viagem aos Estados Unidos.

São estes grandes «democratas», como as Merkel, os Sarkozy e os Barrosos, que se deslocam a Washington para apertar a mão ao chefe da rede mundial de torcionários, que se dispõem a entregar-lhe numerosos dados pessoais dos cidadãos de países europeus que viajam para os Estado Unidos num flagrante atentado às liberdade e garantias constitucionais.
Mas, não nos devemos admirar, sabendo-se que os grandes da União Europeia e os seus acólitos têm sido totalmente coniventes com os raptos, a tortura e as agressões de Washington em nome da chamada «guerra contra o terrorismo». Será para combater terroristas que o treino militar dos exércitos da NATO, destinados a operações e agressões contra povos e países soberanos, inclui a dissolução de manifestações e protestos?

Dois acontecimentos da semana passada confirmam a conivência torcionária transatlântica. Primeiramente, foram as declarações do antigo chefe da CIA para a Europa, Taylor Drumheller, à revista alemã «Stern» (13.03.08) explicando que os dirigentes dos serviços secretos alemães e os responsáveis na Chancelaria, como o actual Ministro dos Negócios Estrangeiros, Steinmeier, estavam desde muito cedo ao corrente dos raptos e campos de tortura norte-americanos no quadro da operação «extraordinary renditions». O segundo foi a condenação pelo tribunal de Münster da prática de torturas na preparação militar das tropas alemãs. Cerca de 160 recrutas foram mal tratados, inclusive com choques eléctricos, na simulação do rapto de reféns no quartel de Coesfeld no Verão de 2004.
A luta contra o estado policial e torcionário constitui hoje, a par da luta contra a guerra, uma das mais importantes frentes da resistência dos comunistas e de outros democratas.


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