Tá preto...
No «Prós e Contras» da passada segunda-feira, na RTP-1, a ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues teve dois apoiantes, por junto e atacado: a autora do programa, Fátima Campos Ferreira, mais uma vez toda empenhada a almofadar as posições do poder, e um peremptório representante da Confederação Nacional de Pais que, aos berros, parecia estar convencido que a ministra, em pessoa, lhe iria tomar conta dos filhos.
O «resto» - que eram umas boas centenas de professores vindos de todo o País -, manifestou uma cerrada e combativa oposição à política do Ministério da Educação, com relevo para a famosa «reforma educativa».
Se anotarmos que, entre tanta gente a repudiar liminarmente, e em todos os tons, a actual política do Ministério da Educação falaram representantes da FENPROF, da Federação Nacional dos Sindicatos dos Professores (o que faz o pleno dos sindicatos nacionais do sector), até do Conselho das direcções executivas das escolas (organismo criado pelo Ministério, que com ele reúne regularmente e ganhou fama de ser «cooperante» com a actual política), professores auto-designados como «revoltados» e «não-alinhados» e mais um docente «assumidamente sexagenário» a quem o Ministério agraciou com o título de «professor do ano», temos uma conclusão tão óbvia, que nem vale a pena discutir: a política da ministra da Educação tem contra si, em peso, os referidos 150 mil professores do País, estentoria e abundantemente representados naquele «directo» televisivo de três horas.
Isso mesmo, aliás, se tornou evidente na crispação que a ministra não conseguiu disfarçar e a que perdeu mesmo o controle lá para o fim do programa, quando já contrapunha em simultâneo e se acalorava a caminho da peixeirada, terminando à defesa, encurralada em contradições a que não respondia ou embrulhava na estafada (de tanto a repetir) garantia de que «o Ministério tudo fará para ajudar as escolas».
Foi o caso dos famosos CEF – Cursos de Educação e Formação, uma das «bandeiras» da actual política. Os CEF são cursos direccionados para a formação profissional, onde as cadeiras-base têm 700 horas lectivas e as complementares (Português, Matemática e Língua Estrangeira) 60 horas cada; o pior é que as «complementares» não foram adaptadas aos alunos - todos com fragilidades nessas disciplinas – e são-lhes administradas com os programas do 10.º Ano, o que os condena ao «chumbo» certo. Consequência: como os resultados escolares dos alunos passaram a contar para a avaliação dos professores imposta à pressa pelo Ministério, a meio deste ano lectivo, os docentes vêem-se confrontados com a emergência de passar toda a gente para poderem ter boas avaliações...
Esta foi apenas uma das várias denúncias a que a governanta não respondeu, a par de múltiplas acusações sobre a sua «reforma atabalhoada» implementando uma avaliação de professores «a meio do ano» que «os desvia da sua função principal, a lectiva» e ainda por cima o faz ao arrepio da sua própria legislação ao não nomear o «conselho científico previsto».
Perante isto, a moderadora Fátima Campos Ferreira fazia o que podia para ajudar a governanta: ora tirava abruptamente a palavra ao dirigente sindical da Federação dos Sindicatos porque «não havia tempo», ora dava todo o tempo à insólita propaganda a si próprio ali levada pelo presidente da Câmara de Paredes, sob o pretexto de «ligar as autarquias à Educação».
Debalde: o que dali ficou claro, para o País, é que a coisa está preta, no Ensino. Tal como para a actual ministra.
O «resto» - que eram umas boas centenas de professores vindos de todo o País -, manifestou uma cerrada e combativa oposição à política do Ministério da Educação, com relevo para a famosa «reforma educativa».
Se anotarmos que, entre tanta gente a repudiar liminarmente, e em todos os tons, a actual política do Ministério da Educação falaram representantes da FENPROF, da Federação Nacional dos Sindicatos dos Professores (o que faz o pleno dos sindicatos nacionais do sector), até do Conselho das direcções executivas das escolas (organismo criado pelo Ministério, que com ele reúne regularmente e ganhou fama de ser «cooperante» com a actual política), professores auto-designados como «revoltados» e «não-alinhados» e mais um docente «assumidamente sexagenário» a quem o Ministério agraciou com o título de «professor do ano», temos uma conclusão tão óbvia, que nem vale a pena discutir: a política da ministra da Educação tem contra si, em peso, os referidos 150 mil professores do País, estentoria e abundantemente representados naquele «directo» televisivo de três horas.
Isso mesmo, aliás, se tornou evidente na crispação que a ministra não conseguiu disfarçar e a que perdeu mesmo o controle lá para o fim do programa, quando já contrapunha em simultâneo e se acalorava a caminho da peixeirada, terminando à defesa, encurralada em contradições a que não respondia ou embrulhava na estafada (de tanto a repetir) garantia de que «o Ministério tudo fará para ajudar as escolas».
Foi o caso dos famosos CEF – Cursos de Educação e Formação, uma das «bandeiras» da actual política. Os CEF são cursos direccionados para a formação profissional, onde as cadeiras-base têm 700 horas lectivas e as complementares (Português, Matemática e Língua Estrangeira) 60 horas cada; o pior é que as «complementares» não foram adaptadas aos alunos - todos com fragilidades nessas disciplinas – e são-lhes administradas com os programas do 10.º Ano, o que os condena ao «chumbo» certo. Consequência: como os resultados escolares dos alunos passaram a contar para a avaliação dos professores imposta à pressa pelo Ministério, a meio deste ano lectivo, os docentes vêem-se confrontados com a emergência de passar toda a gente para poderem ter boas avaliações...
Esta foi apenas uma das várias denúncias a que a governanta não respondeu, a par de múltiplas acusações sobre a sua «reforma atabalhoada» implementando uma avaliação de professores «a meio do ano» que «os desvia da sua função principal, a lectiva» e ainda por cima o faz ao arrepio da sua própria legislação ao não nomear o «conselho científico previsto».
Perante isto, a moderadora Fátima Campos Ferreira fazia o que podia para ajudar a governanta: ora tirava abruptamente a palavra ao dirigente sindical da Federação dos Sindicatos porque «não havia tempo», ora dava todo o tempo à insólita propaganda a si próprio ali levada pelo presidente da Câmara de Paredes, sob o pretexto de «ligar as autarquias à Educação».
Debalde: o que dali ficou claro, para o País, é que a coisa está preta, no Ensino. Tal como para a actual ministra.