Viva Cuba socialista

Albano Nunes

O imenso prestígio e autoridade de Cuba no concerto das nações é um factor da maior importância

No duríssimo terreno da luta de classes que percorre os nossos dias, Cuba representa muitíssimo. Os ventos de mudança que sopram na América Latina não seriam tão fortes sem o exemplo mobilizador da sua revolução socialista. E o campo das forças revolucionárias e progressistas estaria mais pobre se colossais desafios que a história colocou perante o povo cubano não tivessem sido corajosamente enfrentados e vencidos. O imenso prestígio e autoridade de Cuba no concerto das nações, do Movimento dos Não Alinhados à ONU, é um factor da maior importância para a luta libertadora dos trabalhadores e dos povos em todos os continentes.

Não admira por isso que Cuba, antiga colónia e prostíbulo dos EUA, sempre tenha estado na mira do imperialismo e da reacção internacional e que todos os motivos sejam bons para orquestrar violentas campanhas de propaganda anti-comunista e desencadear descaradas operações de ingerência nos seus assuntos internos. É o que está uma vez mais a suceder a pretexto da substituição de Fidel nas mais altas funções do Estado; o ódio de classe ao que a sua prestigiada figura de revolucionário representa é tal que não perdem a oportunidade para bolsar as baixezas e rancores que lhes vão na alma e, combinando ameaças e «conselhos» inculcar a ideia de que com o «desaparecimento»de Fidel a derrota do socialismo é inevitável. Visando a desestabilização e a subversão da Ilha da Liberdade, procuram também abalar a confiança de quantos, na América Latina e no mundo, vêem em Cuba e na sua revolução a prova de que «sim, é possível» também eles libertarem-se da exploração capitalista e da opressão imperialista.

É por isso oportuno recordar – como Fidel já recordou – que o que faz a grandeza de uma obra é a grandeza dos ideais que transporta e o seu enraízamento nas massas. É essa a lição da revolução cubana como de todas as revoluções. A contribuição de Fidel para o triunfo heróico da Sierra Maestra e para a defesa e consolidação da soberania e do socialismo, é realmente gigantesca. Mas é-o porque correspondeu às exigências do desenvolvimento social e aos mais profundos sentimentos e aspirações do povo cubano, numa época (inaugurada com a Revolução de Outubro) em que para triunfar nos seus objectivos imediatos (em Cuba a conquista da soberania, o derrube da ditadura de Baptista, a liquidação do latifúndio açucareiro) qualquer empreendimento libertador tem de enveredar pela via de profundas transformações sócio económicas e tomar o rumo do socialismo.

Cuba vai em breve celebrar o 50.º aniversário da revolução, daquele inesquecível 1 de Janeiro de 1959 quando Fidel e os seus companheiros, depois do assalto ao quartel Moncada, do desembarque do Gramna e dos mil e um combates guerrilheiros puseram em fuga o ditador e derrubaram finalmente a ditadura. Foram anos de dura luta. Sempre de confronto com o imperialismo, com a espingarda numa mão e a enxada e a pena na outra. Resistindo heroicamente à invasão da Baía dos Porcos, à chantagem nuclear, ao bloqueio económico, à guerra ideológica mais brutal. Reorganizando por duas vezes, quase integralmente, as suas relações económicas externas. Enfrentando o dramático desaparecimento da URSS e do campo socialista. Defendendo no meio das grandes provações do «período especial» a Saúde a Educação e outras emblemáticas conquistas do povo e fazendo delas instrumento de bem estar e de internacionalismo. Ajudando outros povos, como o angolano, a defender-se da agressão imperialista. Essa grande obra a que Fidel continuará a dar a sua contribuição e à qual o seu nome ficará para sempre ligado tem o apreço e a admiração do PCP.
Calorosas felicitações, camarada Raul Castro. Saúde e longa vida, camarada Fidel. Os melhores votos de sucesso para os comunistas e para o povo cubano e a confirmação da solidariedade de sempre dos comunistas portugueses.


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