PCP contra a desertificação do Alentejo

Contrariar a política de direita

Jerónimo de Sousa visitou, anteontem, o concelho de Beja, com o objectivo de se inteirar dos problemas região e tomar contacto com algumas das mais importantes obras que o município está a concretizar para responder aos problemas das populações.

Somos uma força que acompanha com atenção e preocupação todos os problemas

Obras que, segundo o secretário-geral do PCP, «testemunham o bom trabalho dos autarcas da CDU no desenvolvimento do concelho de Beja e que, tal como noutros concelhos desta região, têm vindo a responder, com escassos meios financeiros e no quadro de uma incompreensível ofensiva contra o poder local, aos problemas e carências que as populações enfrentam».
Jerónimo de Sousa lembrou ainda que as « transformações registadas a favor das populações ao longo destes anos da democracia de Abril» se devem, principalmente, à acção do poder local, «que através da mobilização das populações e de dinâmicas locais, tem tido uma diversificada intervenção e capacidade de realização nos mais diversos domínios», nomeadamente «no incentivo às actividades económicas e da reivindicação permanente de novos investimentos públicos e privados, capazes de contrariar tais fenómenos que a política de direita de todos estes anos criou no Alentejo».
Uma luta que o PCP tem travado quer com iniciativa própria e com propostas aos mais diversos níveis quer apoiando e secundando as iniciativas das populações e das organizações económicas, sociais e culturais da região e do País.
«Somos uma força que, pelas responsabilidades que tem no país e em toda esta região, acompanha com atenção e preocupação todos os problemas e iniciativas que possam impulsionar o desenvolvimento regional», acrescentou.

Projecto estruturante

Jerónimo de Sousa esteve ainda reunido com a Administração da EDAB – Aeroporto de Beja. «Um projecto de grande importância que ultrapassa o desenvolvimento do Alentejo e pela concretização do qual o PCP se tem batido e que, juntamente com outros projectos estruturantes, pode contribuir para inverter o travar o desenvolvimento dos fenómenos demográficos, económicos e sociais negativos que há muito denunciamos e lamentamos, entre os quais o do desemprego que continua a ser o grande flagelo social», afirmou.
Defendeu ainda a necessidade de acelerar todos os investimentos rodoferroviários que permitam a efectiva integração dos projectos do Alqueva e as actividades do Porto de Sines e exigiu a construção, em perfil de auto-estrada sem portagens, do IP8 até Vila Verde de Ficalho.
«Tratando-se de uma via transversal essencial para o desenvolvimento do Baixo Alentejo, de toda a região, é inaceitável que a opção na sua construção tenha sido a da marginalização dos territórios da margem esquerda do Guadiana, terminando esta via em S. Brissos e que a solução para a sua construção e futura gestão seja a da parceria público-privada», revelou, acusando o Governo de estar a pensar «mais no lucro dos promotores do que no desenvolvimento de toda a rede de povoações que a nova via devia ligar e as do desenvolvimento das actividades económicas regionais».

Negócios especulativos

O secretário-geral do PCP falou ainda do projecto Alqueva. «Veja-se o que seria esta região hoje se há mais de trinta anos, em vez de adiarem anos a fio a sua concretização, tivessem vindo ao nosso encontro quando exigíamos, praticamente sozinhos a sua construção com o objectivo de servir prioritariamente as populações e o desenvolvimento regional, o que está longe de ser garantido na sua plenitude com as orientações que este Governo do PS está a imprimir ao desenvolvimento do projecto», lamentou.
«O Alqueva e a sua concepção original de aproveitamento para fins múltiplos e pelo qual lutámos não pode ser confiscado exclusivamente pelo projecto imobiliário/turístico, pelos interesses dos proprietários latifundistas e pelos negócios especulativos realizados à custa de terras altamente valorizadas por investimentos públicos e pelas empresas agrárias estrangeiras que capturam hectares e hectares de terras de regadio face ao vazio de iniciativa governamental no lançamento, como propomos, de uma profunda reestruturação fundiária, através de uma nova reforma agrária», acrescentou Jerónimo de Sousa, defendendo «o necessário equilibro» do projecto para «permitir o desenvolvimento do turismo, no respeito pelo património natural e ambiental alentejano».


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