A queda de Prodi
Vinte meses de governação da coligação de centro-esquerda terminaram com a demissão de Romano Prodi na sequência de um caso de corrupção que atingiu o partido do ex-ministro da Justiça.
As políticas de direita de Prodi defraudaram expectativas populares
O primeiro-ministro italiano apresentou a demissão, dia 24, ao presidente da República, após ter visto recusado um voto de confiança no Senado, câmara alta do parlamento. Contudo, ao contrário do bater de porta ensaiado em 21 Fevereiro do ano passado, quando a coligação ameaçou desfazer-se devido a divergências sobre política externa, desta vez, a fatal queda de Prodi foi provocada por um escabroso caso de corrupção que atingiu 35 membros do pequeno partido familiar de inspiração católica (Udeur) dirigido pelo ex-ministro da Justiça, Clemente Mastela.
Depois de ter visto a sua mulher, Sandra Lonardo, presidente do Conselho Regional da Campânia (Sul de Itália), ser condenada a prisão domiciliária, o seu sogro e mais de três de dezenas de correligionários colocados sob investigação judiciária, Mastela, também ele já apanhado pela teia da Justiça, abandona a maioria governamental, dizendo-se vítima de uma alegada cabala judiciária.
Na esteira de dois senadores da Udeur, outros dois eleitos liberais retiram o apoio a Prodi que, vencido por quatro votos, sai definitivamente de cena, recusando a proposta do presidente da república para integrar um governo de transição até à convocação de novas eleições.
O serviço à direita
Para trás ficam quase dois anos de um governo dito de centro-esquerda que defraudou promessas e expectativas legitimamente alimentadas pelo povo italiano de esquerda que foi a sua base de apoio eleitoral.
Posicionando-se desde o início ao lado do grande capital e do imperialismo norte-americano, Prodi foi mais longe nas políticas anti-sociais e militaristas do que puderam ir os governos do seu predecessor Sílvio Berlusconi, refreados por uma forte oposição popular.
Com o assentimento da sua ala mais à esquerda, a União votou a favor da guerra no Afeganistão e no Líbano, aprovou uma rigorosa lei de segurança, prolongou a idade da reforma em cinco anos, promoveu o rearmamento da Itália, apoiou as missões militares e aumentou o orçamento da Defesa em cerca de 35 por cento. Ainda sob a vigência do «centro-esquerda», foram criados os centros de acolhimento temporário, que funcionam como verdadeiros campos de concentração para os imigrantes ilegais.
As sondagens dão à direita 10 a 12 pontos percentuais de vantagem sobre o conjunto dos partidos de esquerda. Todavia, Berlusconi, que já se lançou na campanha eleitoral, prometendo reduções de impostos, a reforma da justiça e combate à criminalidade, não desdenha eventuais apoios à esquerda para governar mais calmamente. «Se no seio da esquerda há pessoas de boa vontade dispostas a partilhar connosco certas responsabilidades para realizar reformas talvez impopulares, nós não recusaremos», confirmou Bercusconi (Le Monde, 29.01), certamente recordado das conversas que manteve recentemente com o líder do novo Partido Democrático, Valter Veltroni.
Depois de ter visto a sua mulher, Sandra Lonardo, presidente do Conselho Regional da Campânia (Sul de Itália), ser condenada a prisão domiciliária, o seu sogro e mais de três de dezenas de correligionários colocados sob investigação judiciária, Mastela, também ele já apanhado pela teia da Justiça, abandona a maioria governamental, dizendo-se vítima de uma alegada cabala judiciária.
Na esteira de dois senadores da Udeur, outros dois eleitos liberais retiram o apoio a Prodi que, vencido por quatro votos, sai definitivamente de cena, recusando a proposta do presidente da república para integrar um governo de transição até à convocação de novas eleições.
O serviço à direita
Para trás ficam quase dois anos de um governo dito de centro-esquerda que defraudou promessas e expectativas legitimamente alimentadas pelo povo italiano de esquerda que foi a sua base de apoio eleitoral.
Posicionando-se desde o início ao lado do grande capital e do imperialismo norte-americano, Prodi foi mais longe nas políticas anti-sociais e militaristas do que puderam ir os governos do seu predecessor Sílvio Berlusconi, refreados por uma forte oposição popular.
Com o assentimento da sua ala mais à esquerda, a União votou a favor da guerra no Afeganistão e no Líbano, aprovou uma rigorosa lei de segurança, prolongou a idade da reforma em cinco anos, promoveu o rearmamento da Itália, apoiou as missões militares e aumentou o orçamento da Defesa em cerca de 35 por cento. Ainda sob a vigência do «centro-esquerda», foram criados os centros de acolhimento temporário, que funcionam como verdadeiros campos de concentração para os imigrantes ilegais.
As sondagens dão à direita 10 a 12 pontos percentuais de vantagem sobre o conjunto dos partidos de esquerda. Todavia, Berlusconi, que já se lançou na campanha eleitoral, prometendo reduções de impostos, a reforma da justiça e combate à criminalidade, não desdenha eventuais apoios à esquerda para governar mais calmamente. «Se no seio da esquerda há pessoas de boa vontade dispostas a partilhar connosco certas responsabilidades para realizar reformas talvez impopulares, nós não recusaremos», confirmou Bercusconi (Le Monde, 29.01), certamente recordado das conversas que manteve recentemente com o líder do novo Partido Democrático, Valter Veltroni.