A corrosão do poder de compra
O PCP considerou um «completo irrealismo» a inflação de 2,1 % prevista para 2008 e desafiou o Governo a proceder à sua correcção para que não haja uma ainda mais acentuada perda do poder de compra dos portugueses.
A questão foi recentemente suscitada pelo deputado comunista Agostinho Lopes em declaração política proferida no Parlamento onde voltou a chamar a atenção para a sistemática discrepância verificada todos os anos entre a inflação projectada nos orçamentos do Estado e a inflação real.
Subestimação do valor da taxa de inflação no momento de traçar o cenário macroeconómico dos orçamentos do Estado que tem sido uma prática continuada dos sucessivos governos nos últimos dez anos. Com consequências, como sublinhou o parlamentar do PCP, que incidem de forma mais directa no bolso dos trabalhadores e dos estratos sociais mais desfavorecidos.
Agostinho Lopes fala mesmo em «manipulação das previsões» e afirma que o objectivo, acusou, é «conter salários e pensões» no quadro da política de obsessão deste Governo pelo défice orçamental e pelo cumprimento do Pacto de Estabilidade.
Não é difícil avaliar, pois, quanto este persistente subavaliar da inflação se repercute quer na redução dos rendimentos dos assalariados e reformados portugueses, erodindo o seu já baixo poder de compra, quer no agravamento da injusta repartição do rendimento nacional.
Falta de rigor
Levantada por Agostinho Lopes foi também a questão do rigor e fiabilidade dos cálculos do Governo para a taxa de inflação. É que, lembrou, mesmo em relação à taxa de inflação verificada há sempre um grande desacerto entre o seu valor e a subida efectiva dos preços dos principais bens e serviços.
Tais desacertos, aliados à sistemática subestimação em que os governos são pródigos, na opinião do deputado comunista, «criam não só a "sensação" mas a real discrepância entre as taxas de inflação calculadas e a real evolução dos preços de bens e serviços».
Para esta prática de pouco rigor estará muito provavelmente a contribuir – e esta foi outra acusação formulada por Agostinho Lopes – a manifesta desactualização do cabaz de compras (despesas) das famílias, que serve de base ao cálculo da inflação. Por si salientado foi nomeadamente o facto de estar a ser ignorado que pelo menos um milhão e meio de famílias viram a sua mensalidade pelo empréstimo de habitação sofrer um acentuado aumento devido ao agravamento em mais de 20 % das taxas de juro em apenas um ano.
A questão foi recentemente suscitada pelo deputado comunista Agostinho Lopes em declaração política proferida no Parlamento onde voltou a chamar a atenção para a sistemática discrepância verificada todos os anos entre a inflação projectada nos orçamentos do Estado e a inflação real.
Subestimação do valor da taxa de inflação no momento de traçar o cenário macroeconómico dos orçamentos do Estado que tem sido uma prática continuada dos sucessivos governos nos últimos dez anos. Com consequências, como sublinhou o parlamentar do PCP, que incidem de forma mais directa no bolso dos trabalhadores e dos estratos sociais mais desfavorecidos.
Agostinho Lopes fala mesmo em «manipulação das previsões» e afirma que o objectivo, acusou, é «conter salários e pensões» no quadro da política de obsessão deste Governo pelo défice orçamental e pelo cumprimento do Pacto de Estabilidade.
Não é difícil avaliar, pois, quanto este persistente subavaliar da inflação se repercute quer na redução dos rendimentos dos assalariados e reformados portugueses, erodindo o seu já baixo poder de compra, quer no agravamento da injusta repartição do rendimento nacional.
Falta de rigor
Levantada por Agostinho Lopes foi também a questão do rigor e fiabilidade dos cálculos do Governo para a taxa de inflação. É que, lembrou, mesmo em relação à taxa de inflação verificada há sempre um grande desacerto entre o seu valor e a subida efectiva dos preços dos principais bens e serviços.
Tais desacertos, aliados à sistemática subestimação em que os governos são pródigos, na opinião do deputado comunista, «criam não só a "sensação" mas a real discrepância entre as taxas de inflação calculadas e a real evolução dos preços de bens e serviços».
Para esta prática de pouco rigor estará muito provavelmente a contribuir – e esta foi outra acusação formulada por Agostinho Lopes – a manifesta desactualização do cabaz de compras (despesas) das famílias, que serve de base ao cálculo da inflação. Por si salientado foi nomeadamente o facto de estar a ser ignorado que pelo menos um milhão e meio de famílias viram a sua mensalidade pelo empréstimo de habitação sofrer um acentuado aumento devido ao agravamento em mais de 20 % das taxas de juro em apenas um ano.